Você está em: REGIONAL // Notícia de Fagner Freire // 9 de fevereiro de 2019


Aos 70 anos de idade, após enfrentar as muitas filas que se estenderam ao longo de sua vida, principalmente nos momentos em que necessitou de algum atendimento do serviço público, a agricultora Neuza Rosário de Santana agora se sente em uma situação mais confortável, segundo ela. À espera dos últimos exames para receber uma nova córnea, Neuza não demorou a ser atendida na Santa Casa de Misericórdia de Sobral, referência na captação e transplante de córneas na região Norte do Estado. O momento é de comemoração pela futura recuperação da visão, mesmo que seja parcial.
"Eu já fui informada de que não vou voltar a enxergar 100%, mas saber que terei um pouco da visão de volta já me deixa feliz. Para quem já esteve praticamente cega, isso é quase um milagre", comemora, a um passo de ser submetida ao transplante.

Avanços

Criada em 2009, a Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos, autorizada pelo Ministério da Saúde, apenas para a captação e envio de órgãos a Fortaleza, teve o serviço ampliado dois anos depois, com a realização dos primeiros transplantes. O amplo atendimento trouxe, em 2015, outra conquista para a região: a montagem do Banco de Olhos. "Tudo é feito aqui, a captação do material doado, a preservação e preparo do órgão para as cirurgias, diminuindo, consideravelmente, o tempo de espera, e gerando uma certa economia aos pacientes, já que não precisam mais se deslocar à Capital para as cirurgias. Nós, praticamente, não temos filas aqui", explica Ribamar Fernandes Filho, diretor técnico do Banco de Olhos de Sobral. Entre o início das atividades, em 2011, e o ano passado, a Santa Casa realizou 353 transplantes de córneas. Ainda segundo Fernandes Filho, a média tem sido em cerca de 50 transplantes por ano.

Córneas

O número de captação de córnea saltou de uma, em 2017, para nove no ano passado. No entanto, apesar de as pessoas estarem doando mais, ao longo destes anos, a demanda tem sido diminuída, por conta do crescente número de tratamentos eficazes que têm impactado positivamente no que se refere aos transplantes. "Nosso diferencial, em relação ao interior do Norte e Nordeste, é o funcionamento de um Banco de Olhos com estrutura completa, que oferece à Central de Transplantes do Estado tudo pronto para as cirurgias", comemora o diretor técnico. Segundo ele, em alguns casos, a espera é de no máximo uma semana para a cirurgia.

Órgãos

No Hospital Regional Norte, que faz a captação de outros órgãos, também houve crescimento no número de doações. Em 2017, foram 13 captações (rins e fígados), no ano seguinte, 30. "Temos um resultado que muito nos orgulha, que é a manutenção de possíveis doadores, não perdemos nenhum, desde o início da atuação da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT), há quatro anos", comemora Olon Leite, coordenador da Comissão e membro do comitê de transplante e doação de órgãos da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib).

As expectativas para este ano são de expansão, segundo o médico. "Apesar da melhora e dos nossos excelentes números, nosso objetivo seria que mais ninguém esperasse por um órgão na fila de transplante. A meta é essa, não temos um número específico".



(Diário do Nordeste)
Caderno: REGIONAL
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