Quem são os candidatos a deputado federal no Ceará que mais receberam do Fundo Eleitoral

 







A campanha eleitoral chega nas semanas finais e para conseguir representatividade na Câmara dos Deputados os partidos turbinaram candidaturas no Ceará. As siglas utilizam verbas do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), que em 2026 distribuiu R$ 4,9 bilhões para custear as candidaturas em todo o País. 

O POVO, na segunda-feira, 14, fez o levantamento dos candidatos a deputado federal no Ceará que mais receberam recursos provenientes das direções nacionais dos respectivos partidos. Neste ano, PL, com R$ 881 milhões, PT, com R$ 615 milhões e União Brasil, com R$ 526 milhões, foram os partidos que mais receberam verba para financiar candidaturas.

Veja lista de candidatos a deputado federal pelo CE que mais receberam verba do Fundo Eleitoral:

  1. Sandrinha Cavalcante (Cidadania) - R$ 3.100.000,00
  2. Danilo Forte* (PP) - R$ 3.000.000,00
  3. Giordanna Mano (PRD) - R$ 3.000.000,00
  4. Aj Albuquerque* (PP) - R$ 2.950.000,00
  5. Dayany do Capitão** (União) - R$ 2.900.000,00
  6. Yury do Paredão* (MDB) - R$ 2.850.000,00
  7. Domingos Neto* (PSD) - R$ 2.800.000,00
  8. Fernanda Pessoa* (PSD) - R$ 2.800.000,00
  9. Erika Amorim (Republicanos) - R$ 2.566.666,67
  10. André Figueiredo* (PDT) - R$ 2.500.000,00
  11. Eduardo Bismarck* (PV) - R$ 2.500.000,00
  12. Inácio Arruda (PCdoB) - R$ 2.450.000,00
  13. Michel Lins (Republicanos) - R$ 2.297.666,67
  14. Ronaldo Martins (Republicanos) - R$ 2.297.666,66
  15. Célio Studart* (PSD) - R$ 2.000.000,00
  16. Luiz Gastão* (PSD) - R$ 2.000.000,00
  17. Tiririca (PSD)**** - R$ 2.000.000,00
  18. Renato Roseno (Psol) - R$ 1.995.000,00
  19. Mauro Filho* (União) - R$ 1.933.200,00
  20. Robério Monteiro* (PSB) - R$ 1.901.210,00
  21. Idilvan* (PSB) - R$ 1.901.210,00
  22. José Airton* (PT) - R$ 1.815.500,00
  23. André Fernandes* (PL) - R$ 1.700.000,00
  24. Jaziel* (PL) - R$ 1.700.000,00
  25. Matheus Noronha* (PL) - R$ 1.700.000,00
  26. Moses Rodrigues* (União) - R$ 1.700.000,00
  27. Luana Régia (PSD) - R$ 1.700.000,00
  28. Tainah Marinho (PSB) - R$ 1.695.594,69
  29. Denis Bezerra (PSB) - R$ 1.622.178,39
  30. Vaidon Oliveira*** (Solidariedade) - R$ 1.600.300,00
  31. Enfermeira Ana Paula (Solidariedade) - R$ 1.505.000,00
  32. Luisa Cela (PT) - R$ 1.504.724,14
  33. Carmelo Neto (PL) - R$ 1.500.000,00
  34. Priscila Costa* (PL) - R$ 1.500.000,00
  35. Chiquinho Dos Carneiros (PRD) - R$ 1.400.000,00
  36. Emanuel Acrizio (Solidariedade) - R$ 1.400.000,00
  37. Vanderlan Alves (Solidariedade) - R$ 1.295.000,00
  38. Neném Coelho (MDB) - R$ 1.200.000,00
  39. Larissa Gaspar (PT) - R$ 1.142.400,00
  40. Roger Aguiar (PSB) - R$ 1.135.524,87

Com * todos os atuais deputados federais que tentam reeleição.
Com ** Dayany do Capitão, eleita em 2022, mas perdeu a cadeira após decisão do TSE.
Com *** Vaidon Oliveira, que recebeu R$ 1.170.000,00 via PRD e R$ 430.300,00 via Solidariedade. Os partidos são federados. 
Com **** Tiririca, que tem mandato, mas por São Paulo.

A força do mandato e dos maridos

Entre os candidatos, estão todos os 18 deputados federais cearenses que tentam reeleição. Destaque para o PP e o União Brasil, que formam a Federação União Progressista, com Danilo Forte, AJ Albuquerque e Dayany do Capitão entre os cinco primeiros. Juntos, os partidos somam R$ 943 milhões em verbas do Fundo Eleitoral.

O “top 10” é quase inteiramente formado por candidatos que têm mandato federal. A líder do ranking é uma das exceções. Sandrinha Cavalcante é esposa do prefeito de Juazeiro do Norte, Glêdson Bezerra (Podemos) e concorre pela primeira vez a um cargo político.

Outra exceção entre os dez primeiros é Giordanna Mano, ex-prefeita de Nova Russas e esposa de Junior Mano (PSB), candidato a suplente de senador na chapa de Cid Gomes (PSB) e segundo deputado federal mais votado no Ceará em 2022. Junior Mano é, hoje, uma das lideranças mais influentes entre prefeitos, fato que coloca a esposa entre uma das favoritas à uma cadeira na Câmara dos Deputados.

Quem encerra o trio que não tem mandato, mas está entre os “campeões” de Fundo Eleitoral recebido é Érika Amorim, esposa do prefeito de Caucaia, Naumi Amorim (PSD). Érika já foi deputada estadual, entre 2019 e 2023, e concorreu ao Senado Federal em 2022.

Estratégias e influências

Os valores repassados para os candidatos revelam estratégias diferentes. Enquanto alguns partidos distribuem valores similares entre vários candidatos apontados como maiores possibilidades de eleição, como é o caso do PL, do PSB e do PT, outros concentram recursos em poucos ou em um único postulante, como no caso do Cidadania, MDB, PDT, PRD e Psol.

O caso de Sandrinha chama atenção porque ela recebeu quase o valor limite de gastos de um candidato a deputado federal. Os postulantes à Câmara dos Deputados podem utilizar R$ 3.176.572,53. Além disso, o valor recebido por ela representa cerca de 5% de todo o valor do Fundo Eleitoral recebido pela direção nacional do Cidadania.

A linha estratégica do partido pode fazer sentido: concentrar muitos recursos em poucos candidatos para ter mais chance de elegê-los e assim ter mais recursos em pleitos futuros. Quanto mais parlamentares eleitos, mais dinheiro entra nos cofres dos partidos nos anos eleitorais.

O Partido Verde também segue uma estratégia parecida, concentrou mais de 5% do valor de Fundo Eleitoral recebido pelo partido a nível nacional na candidatura de Eduardo Bismarck, que tem mandato e é uma das apostas da sigla para continuar com cadeiras no Congresso Nacional. O partido é federado com PT e PCdoB. 

Por outro lado, partidos que esperam fazer bancadas maiores distribuem de forma mais igualitária os recursos entre os “puxadores de votos”, aqueles candidatos que as legendas esperam ter votações expressivas e podem acabar carregando postulantes com menos votos para o Câmara Baixa.

É o caso de partidos como PL, PSB, PSD e PT, que, apesar de privilegiar em alguns casos candidatos com mandato, também reservam valores altos para outros postulantes. No caso do PL, os números apontam a estratégia de destinar o mesmo valor para candidatos com mandato na Câmara. André Fernandes, Matheus Noronha e Jaziel receberam, cada, R$ 1,7 milhão. Já os que tentam "mudar" de casa legislativa receberam R$ 1,5 milhão. 

É claro que os recursos também passam por articulações e influências estaduais. Luisa Cela (PT) é ex-secretária de Cultura do Estado e filha da ex-governadora Izolda Cela (PSB) e Tainah Marinho (PSB) é esposa de Romeu Aldigueri, presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará, enquanto Roger Aguiar é o candidato a deputado federal apoiado pelos irmãos Cid e Lia Gomes, apontado como uma aposta do PSB esse ano. 

AJ Albuquerque é presidente do PP no Ceará e forte aliado da cúpula nacional, Dayany do Capitão é esposa de Capitão Wagner (União Brasil), presidente da Federação União-PP no Ceará, e foi eleita deputada na última eleição. 

Assim como Domingos Neto e Fernanda Pessoa possuem mandato, além de influência pela proximidade com prefeitos e a boa interlocução com o comando nacional do PSD.

O Fundo Eleitoral é constituído por recursos públicos destinados ao financiamento das campanhas eleitorais, já que empresas são proibidas de doar. A distribuição entre os partidos considera a representatividade de cada legenda no Congresso Nacional, ou seja, quem tem mais parlamentares ganha mais.

Mas nem sempre foi assim. O Fundo Eleitoral foi criado pelo Congresso Nacional em 2017, resultado de desdobramentos da Operação Lava-Jato. Bancado com recursos públicos, o FEFC foi uma alternativa que os partidos elaboraram para compensar a proibição de doações de pessoas jurídicas a campanhas, determinada em 2015 pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A Corte atendeu a uma ação movida pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que alegava que o poder econômico influenciava na disputa eleitoral e, posteriormente, nas decisões no Congresso. Nas eleições de 2014, a última antes da mudança, as empresas foram responsáveis por mais de 70% do dinheiro arrecadado por partidos e candidatos.

Em 2026, 30 partidos políticos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estavam aptos a receber os valores, que juntos somam quase R$ 5 bilhões. Caso os partidos não utilizem a totalidade dos recursos, o saldo restante deve ser obrigatoriamente devolvido de forma integral ao Tesouro Nacional.

Distribuição de valores do FEFC por partido

  1. PL: R$ 881 milhões
  2. PT: R$ 615 milhões
  3. União Brasil: R$ 526 milhões
  4. PSD: R$ 421 milhões
  5. PP: R$ 417 milhões
  6. MDB: R$ 400 milhões
  7. Republicanos: R$ 348 milhões
  8. Podemos: R$ 246 milhões
  9. PDT: R$ 169 milhões
  10. PSB: R$ 152 milhões
  11. PSDB: R$ 147 milhões
  12. Psol: R$ 131 milhões
  13. Solidariedade: R$ 88 milhões
  14. Avante: R$ 72 milhões
  15. PRD: R$ 71 milhões
  16. PC do B: R$ 60 milhões
  17. Cidadania: R$ 60 milhões
  18. PV: R$ 45 milhões
  19. Rede: R$ 35 milhões
  20. Novo: R$ 37 milhões
  21. Unidade Popular: R$ 3,3 milhões
  22. PSTU: R$ 3,3 milhões
  23. PRTB: R$ 3,3 milhões
  24. PCO: R$ 3,3 milhões
  25. PCB: R$ 3,3 milhões
  26. Mobiliza: R$ 3,3 milhões
  27. Missão: R$ 3,3 milhões
  28. Democrata: R$ 3,3 milhões
  29. DC: R$ 3,3 milhões
  30. Agir: R$ 3,3 milhões
    Total: R$ 4,9 bilhões


(O Povo)

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