Corpo de atirador é enterrado


O corpo do atirador Wellington de Menezes Oliveira, 24, responsável pelo massacre na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, no último dia 7, foi enterrado na manhã de ontem no Cemitério São Francisco Xavier, no Caju, na Zona Portuária do Rio.

Nenhum parente compareceu ao sepultamento, que ocorreu numa cova rasa, com até 1,20m de profundidade, sem lápide, na quadra 49 do cemitério. A cova na foi identificada pelo número 7708 inscrito numa pequena cruz branca, fincada no chão de terra.

O enterro aconteceu por volta das 9 horas, a partir de uma autorização judicial concedida ao Instituto médico-legal (IML). Wellington não foi sepultado como indigente porque seu corpo já havia sido reconhecido no dia do crime. O prazo para a família reclamar o corpo do atirador e providenciar o seu enterro havia vencido na última quinta-feira (21).

Filho de pais adotivos já mortos, Wellington tinha cinco irmãos, além de primos e sobrinhos. O local de sepultamento do corpo do atirador tem mais de 5 mil covas destinadas a indigentes ou para os casos em que a família não tem condições financeiras para pagar o enterro.

Oração

No meio da tarde, uma senhora de 62 anos que não quis se identificar pediu que um funcionário do cemitério a acompanhasse até a cova de Wellington, onde deixou um buquê de flores brancas e rezou por cinco minutos. "Sou piedosa. Vim porque me lembro de ele ter dito numa carta que queria que alguém rezasse por ele após sua morte", afirmou.

Ela disse que não conhecia Wellington e nem morava perto da casa dele, próxima à escola atacada, em Realengo (zona norte do Rio).

Em carta encontrada com Wellington no dia do crime, ele pedia para ser enterrado no cemitério do Murundu, em Realengo, ao lado do corpo da mãe adotiva. Mas o IML nunca cogitou atender a esse pedido. A casa onde Wellington morou está vazia.

Wellington matou 12 estudantes da Escola Municipal Tasso da Silveira. Outros 12 jovens foram feridos pelos 66 tiros disparados pelo atirador. Atingido pelo sargento da Polícia Militar Márcio Alexandre Alves quando partia para atacar outra sala, o criminoso caiu ferido e se matou com um tiro na testa.

O atirador, que sofria de transtornos mentais, deixou vídeos gravados antes do massacre dizendo que sua motivação seria uma resposta ao bullying sofrido por ele no período em que estudou na unidade.

Entre os estudantes atingidos por Wellington quatro ainda seguem em recuperação em hospitais estaduais. Todos estão estáveis.

Fonte: Diário do Nordeste

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