Em torno de Ciro, oposição no Ceará afunila nomes para disputar o Senado apesar de alianças incertas


 



A oposição no Ceará começa a afunilar os nomes que devem disputar as duas vagas ao Senado em 2026. Apesar de um cenário ainda indefinido de composições partidárias e de negociações que orbitam em torno de uma eventual candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao Governo do Estado, alguns pré-candidatos já admitem que devem entrar na disputa, enquanto outros perderam força nos bastidores.

Diferentemente da base governista, que reúne quase uma dezena de pré-candidatos ao Senado, a oposição trabalha hoje com um grupo mais enxuto, formado majoritariamente por nomes experientes e com histórico eleitoral consolidado. Ainda assim, o principal desafio é construir unidade em um campo político heterogêneo, que reúne desde ex-integrantes de governos estaduais até aliados de primeira ordem do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Conheça os nomes que se apresentam como pré-candidatos da oposição cearense e como eles aparecem na disputa.

General Theophilo (Novo)

O que há de novo

No último dia 31 de janeiro, General Theophilo voltou a lançar sua pré-candidatura ao Senado, desta vez na região do Cariri. Na ocasião, recebeu apoio do correligionário e pré-candidato ao Governo do Ceará, senador Eduardo Girão. O ato integra uma série de agendas de lançamento que o político vem realizando em municípios cearenses desde o ano passado.

O que pesa a favor

Com 45 anos de carreira no Exército Brasileiro, Theophilo foi secretário nacional de Segurança Pública entre 2019 e 2020, durante o governo Jair Bolsonaro, período em que Sergio Moro comandava o Ministério da Justiça. No pleito deste ano, a segurança pública tende a ser um dos principais temas da campanha no Ceará, o que favorece seu discurso. Além disso, conta com o apoio direto de Eduardo Girão, atual ocupante da vaga oposicionista no Senado.

O que pesa contra

Theophilo nunca exerceu mandato eletivo. Em 2018, disputou o Governo do Ceará com apoio de lideranças como Tasso Jereissati, mas foi derrotado ainda no primeiro turno, quando Camilo Santana foi reeleito com quase 80% dos votos. Para 2026, o general não tem conseguido ampliar alianças além do Novo e não encontra apoio de lideranças do União Brasil e do PL, dois dos principais partidos da oposição no Estado.

O que diz o pré-candidato

Durante a agenda no Cariri, reafirmou os planos de representar o Ceará no Senado e declarou que “não negocia convicções” nem abre mão de suas “responsabilidades”. Nas redes sociais, concentra críticas à política de segurança pública do Estado e apresenta propostas para a área.

Em entrevista ao PontoPoder, o pré-candidato disse que tem viajado pelo Ceará "ouvindo e buscando a orientação do povo cearense". "No momento, não temos em visão nenhuma coligação, o Partido Novo é um partido independente e que luta. O Novo é, hoje, o único partido de direita. Então, nós estamos, junto com o senador Eduardo Girão, que é o nosso pré-candidato ao Governo, procurando divulgar os nossos ideais, os nossos princípios e os nossos valores", disse.

"Os apoios políticos virão no tempo certo, como consequência desse diálogo", acrescentou.

Pastor Alcides (PL)

O que há de novo

Mesmo após o revés imposto pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), que criticou a costura de aliança do PL com Ciro Gomes, lideranças oposicionistas voltaram a ensaiar aproximação nas últimas semanas. Em dezembro, deputados estaduais ciristas e bolsonaristas reafirmaram, na Assembleia Legislativa, apoio a Ciro ao Governo e a Pastor Alcides ao Senado.

No último fim de semana, durante homenagem a Ciro em Juazeiro do Norte, Alcides compôs a mesa e foi elogiado pelo ex-ministro, que declarou ter “muita vontade” de votar no deputado estadual.

O que pesa a favor

Alcides foi lançado pré-candidato ao Senado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, em março do ano passado, e também recebeu apoio de Ciro Gomes, sinalizando possível convergência entre bolsonaristas e ciristas. Seu principal cabo eleitoral é o filho, o deputado federal André Fernandes (PL), o cearense mais votado à Câmara em 2022 e um dos principais aliados de Bolsonaro no Estado. O parlamentar também possui base consolidada no eleitorado evangélico, segmento estratégico em disputas majoritárias.

O que pesa contra

Apesar de atuar como elo entre diferentes grupos da oposição, a pré-candidatura enfrenta impasses internos. Quando seu nome ganhava força, Michelle Bolsonaro lançou a vereadora Priscila Costa (PL) como alternativa ao Senado, gerando tensão dentro do partido. Embora haja duas vagas em disputa, a definição pode exigir que um dos nomes seja preterido ou que a oposição ceda espaço a outra sigla para ampliar a frente.

O que diz o pré-candidato

Alcides reafirma a pré-candidatura e defende a unificação da oposição. Em Juazeiro do Norte, reiterou apoio a Ciro Gomes e afirmou ter recebido aval do filho para participar do evento.

Priscila Costa (PL)

O que há de novo

Priscila Costa mantém a pré-candidatura ao Senado, mesmo isolada de parte das articulações da oposição no Ceará. Seu nome segue sendo impulsionado principalmente pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Diferentemente de outros oposicionistas, a vereadora não tem participado de movimentos de aproximação com Ciro Gomes.

O que pesa a favor

Michelle Bolsonaro é a principal fiadora da pré-candidatura. Foi ela quem lançou o nome da vereadora e passou a criticar publicamente a aproximação entre bolsonaristas e Ciro Gomes. Priscila também possui base eleitoral consolidada no eleitorado conservador, tendo sido a vereadora mais votada de Fortaleza nas últimas eleições.

O que pesa contra

Apesar do respaldo de Michelle, a vereadora não conta com o mesmo apoio entre lideranças locais do PL. Deputados federais e estaduais reconhecem sua legitimidade para disputar a vaga, mas fazem movimentos mais contundentes em favor de Pastor Alcides. Além disso, parte da oposição defende que uma das vagas ao Senado seja destinada a outra sigla, como o União Brasil, o que reduz o espaço de Priscila nas articulações.

O que diz a pré-candidata

Nas redes sociais, reafirma a pré-candidatura, destaca o desempenho eleitoral recente e reforça a proximidade com Michelle Bolsonaro. “Precisamos de um Senado que sirva ao povo e tenha coragem e voz para se levantar contra políticos corruptos e ministros injustos”, afirmou em publicação recente.

Capitão Wagner (União Brasil)

O que há de novo

Em passagem por Juazeiro do Norte no último fim de semana, Ciro Gomes sinalizou a possibilidade de dobradinha entre Pastor Alcides e Capitão Wagner ao Senado. Além de declarar voto em Alcides, dirigiu-se a Wagner como “meu senador” e fez gesto de continência — movimentos mais explícitos até agora em favor de sua eventual candidatura.

Nas redes sociais, o ex-deputado compartilhou o vídeo e escreveu: “Unidos pelo resgate do Ceará! Chegou a hora da mudança”.

O que pesa a favor

Wagner tem trajetória consolidada em disputas proporcionais, com votações expressivas para a Câmara Municipal de Fortaleza, Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados. Sem mandato atualmente, o ex-deputado preside o União Brasil no Ceará e lidera um grupo político estruturado. A legenda, cobiçada pelo governo estadual, segue sob comando oposicionista. Além disso, Wagner tem forte identificação com a pauta da segurança pública, tema que tende a centralizar o debate eleitoral.

O que pesa contra

Apesar do desempenho nas eleições proporcionais, Wagner acumula derrotas em disputas majoritárias, tendo concorrido sem sucesso à Prefeitura de Fortaleza e ao Governo do Estado. A eleição ao Senado, embora para cargo legislativo, é majoritária. Soma-se a isso a indefinição do União Brasil no Ceará, já que a sigla é alvo de investidas do governo estadual e vive uma disputa interna sobre seu posicionamento. Uma eventual aproximação com a base governista enfraqueceria o projeto oposicionista.

O que diz o pré-candidato

Em entrevista ao PontoPoder, Wagner afirmou que seu nome passou a ser defendido por lideranças oposicionistas, algo que classificou como inédito em sua trajetória. Disse ainda que uma eventual candidatura já teria aval de Ciro Gomes, do presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, e do vice-presidente da legenda, ACM Neto. Também admitiu a possibilidade de dobradinha com o PL, tendo Pastor Alcides como parceiro de chapa.

Roberto Cláudio (União Brasil)

O que há de novo

Apontado por Ciro Gomes e aliados como nome certo na disputa de 2026, Roberto Cláudio admite que deve concorrer, mas mantém cautela sobre qual cargo disputará. Em evento recente, Ciro indicou a possibilidade de uma chapa majoritária com ele, Roberto Cláudio e Capitão Wagner, sem indicar quem estaria na disputa pelo Governo, pelas duas vagas para o Senado e pela Vice-Governadoria. 

O que pesa a favor

Ex-prefeito de Fortaleza por dois mandatos, Roberto Cláudio também foi deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa. A experiência administrativa e a capacidade de articulação política fortalecem seu nome. Ele foi um dos principais articuladores da aproximação entre ciristas e setores do bolsonarismo no Ceará, ampliando seu trânsito dentro da oposição e se consolidando como peça estratégica na construção da unidade do grupo.

O que pesa contra

Embora manifeste disposição para disputar a eleição, o ex-prefeito não define qual cargo pretende concorrer, enquanto outros aliados avançam nas articulações. Ciro Gomes é o nome mais defendido ao Governo, Pastor Alcides consolida espaço no PL e Capitão Wagner se movimenta ao Senado.

A indefinição reduz o espaço de acomodação e pode levá-lo a enfrentar uma disputa interna caso o desenho da chapa avance sem sua centralidade.

O que diz o pré-candidato

No 1º Encontro Regional da Oposição, em Juazeiro do Norte, o político afirmou que as definições sobre a chapa devem ocorrer até julho. Em entrevista ao PontoPoder, no fim do ano passado, ele declarou que “mais importante do que discutir nomes é garantir que a oposição esteja unida e com a chapa mais forte possível”.



(Diário do Nordeste)

Declaração de Óbito aponta asfixia mecânica na morte de “Barruada” em Ipu

 




A Declaração de Óbito de Francisco Aristide de Sousa Barbosa, o “Barruada”, de 47 anos, aponta asfixia mecânica como causa da morte. O caso é investigado pela Polícia Civil.

A Polícia Militar prendeu um suspeito ainda na tarde de ontem (11/02), horas após o homicídio. A Polícia Civil informou que aguarda o laudo pericial, vai ouvir testemunhas e também buscar imagens de câmeras para confirmar a autoria. A identidade do suspeito não foi divulgada.

Com a certidão de óbito, a família poderá realizar o sepultamento e cobra justiça pela morte do pedreiro.


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(Ipu Notícias.com)



Secretário de prefeitura em Goiás mata os dois filhos a tiros


 


Thales Machado, secretário de governo da prefeitura de Itumbiara (GO), matou os dois filhos a tiros nesta quinta-feira (12). As vítimas tinham 8 e 12 anos. Após o ataque, Thales tirou a própria vida, informou a Polícia Militar de Goiás.

O mais velho chegou a ser socorrido para o Hospital Municipal Modesto de Carvalho (HMMC), mas não resistiu aos ferimentos e veio a óbito na unidade de saúde. Já o caçula ficou em estado de saúde gravíssimo, passou por uma cirurgia na UTI do Hospital Estadual de Itumbiara, São Marcos, e também morreu.

Conforme informações da TV Anhanguera, equipes da Polícia Militar foram acionadas para a ocorrência e isolaram o local. A investigação do caso está a cargo da Polícia Civil, que abriu procedimento para apurar as circunstâncias das mortes.

Secretário fez publicação nas redes sociais antes do ataque

Antes de atirar contra os filhos, Thales Machado fez uma publicação em que pedia desculpas pela atitude. O conteúdo da mensagem sugeria que o fim do relacionamento dele com a mulher, mãe das vítimas, teria sido a motivação do crime.

O secretário também publicou fotos ao lado dos filhos, com uma declaração às crianças. "Que Deus abençoe sempre, meus filhos... Papai ama muito", escreveu ele na publicação.

Os corpos do pai e do filho mais velho foram liberados pelo Instituto Médico Legal (IML). Thales Machado era genro do prefeito de Itumbiara, Dione Araújo.



(Diário do Nordeste)

PMCE apreende arma de fogo de fabricação estrangeira, droga e prende suspeito em Caucaia

 



Um homem de 30 anos foi preso pela Polícia Militar do Ceará (PMCE), suspeito de envolvimento com o tráfico de drogas em Caucaia, durante a manhã dessa quarta-feira (11). Na ação, foram apreendidas drogas, uma balança de precisão e uma pistola de uso restrito.

Equipes da Força Tática e da Motopatrulha do 26º Batalhão de Polícia Militar receberam informações da Subagência de Inteligência (SAI) acerca de um acampamento ilegal, supostamente utilizado para práticas criminosas, em uma região de mangue, na divisa entre os bairros Tabapuá e Parque São Gerardo.

Diante da denúncia, os policiais foram até o local, de difícil acesso. Durante as buscas na região, localizaram um indivíduo que, ao perceber a presença dos militares, correu em direção a um imóvel. Antes que ele conseguisse se evadir, o indivíduo foi detido e abordado. Durante a busca pessoal, foi localizada uma pistola calibre 9mm, de fabricação turca, com cinco munições. Além disso, no interior de uma mochila que ele carregava, foram encontradas uma balança de precisão e aproximadamente 470 gramas de drogas.

Todo o material, junto com o suspeito, foi conduzido à Delegacia de Polícia Civil de Caucaia, onde foi autuado por porte ilegal de arma de fogo e tráfico de drogas. Ele foi posto à disposição da Justiça.


Assessoria de Comunicação da PMCE

Cavalo percorre cerca de 20 km para retornar a antigo dono em Maranguape


 



Em setembro de 2025, ao passar por uma urgência familiar, João Bergson Moura, 35, morador de Sapupara, distrito do município de Maranguape, decidiu vender o seu cavalo, chamado Betano, para arrecadar o dinheiro necessário. Cinco meses depois, ultrapassando uma distância aproximada de 20 km, o equino surpreendeu o antigo dono ao retornar.

“Eu não tinha outra opção a não ser vender o cavalo, pois seria uma venda rápida. Muita gente o conhecia, sabia da sua qualidade”, desabafa Bergson. “Foi um momento delicado, chorei muito trancado no quarto e eu sabia que Deus iria me dar um alívio com o tempo”.

A chegada inesperada do cavalo, compartilhada por Bergson em perfil na rede social, movimentou os veículos de comunicação locais. A visibilidade impulsionou uma campanha para reaver o animal, que já arrecadou o valor necessário para a volta de Betano.

No vídeo, o maranguapense relata que recebeu uma mensagem do atual cuidador do cavalo, perguntando se o animal não havia retornado ao lar antigo, já que quebrara as cordas e estava desaparecido. Bergson duvidava, considerando que o caminho, especialmente à noite, levaria 20 km.

“Estava de saída pra trabalhar e voltei no meio do caminho, indo ver se ele estava por lá. E foi justamente na mesma noite de domingo, 2 de fevereiro, que ele chegou até a minha casa, onde ele ficava”, descreve o tutor ao O POVO.

Por volta das 16 horas do dia seguinte, o cavalo ainda estava lá, esperando Bergson no portão. Emocionado, mas incerto se o animal o reconheceria, aguardou mais um dia antes de chamá-lo.

“Eu fui ver ele e fui chamar pelo nome, ver se ainda lembrava, e como foi visto no vídeo, ele me ouviu”, afirma. “Desde então, tudo isso tem acontecido: voltou minha vontade de viver, ser feliz, vi a oportunidade de voltar a fazer o que gosto com a ajuda das pessoas e da Internet”.



(O Povo) 

Policiais do Ceará são presos por atentado contra casa de vereadora

Policiais militares do Ceará são presos por atentado a tiros na casa de vereadora no Rio Grande do Norte. — Foto: Reprodução
Policiais militares do Ceará são presos por atentado a tiros na casa de vereadora no Rio Grande do Norte. — Foto: Reprodução
 




O crime, flagrado por câmeras de segurança, aconteceu na madrugada de 6 de outubro de 2025. Na ocasião, dois homens em uma moto atiraram mais de 15 vezes contra a fachada da casa da vereadora Francisca Leite de Medeiros Alves, conhecida como Titica de Lúcio (MDB), da cidade potiguar.

A vereadora estava em casa com os familiares no momento do ataque, mas ninguém ficou ferido. Posteriormente, a parlamentar denunciou a caso à polícia.

Os tiros deixaram marcas no portão da casa e na porta de vidro da clínica da vereadora, ao lado da residência.

Investigações

Durante as investigações, a Polícia Civil do Grande do Norte identificou a participação de dois policiais do Ceará. Eles foram alvos da "Operação Perjúrio", que cumpriu dois mandados de prisão preventiva e quatro mandados de busca e apreensão contra os agentes.

Um deles é o soldado Dario Aureliano Jales, preso com o outro agente que não teve a identidade informada. Ambos atuavam na cidade de Fortaleza. Um policial civil também é investigado. A defesa dos suspeitos não foi localizada.

Durante a prisão dos militares, os policiais civis apreenderam as armas funcionais do PMs, que teriam sido usadas na ação criminosa, um revólver sem registro e notebooks.

Durante a operação, também foram apreendidos vários documentos que estavam na posse de um dos soldados. 


(g1)

Novas regras do abono salarial deixam 8,2 mil trabalhadores sem benefício no Ceará; veja o que muda

 




Os efeitos do novo critério de renda para acesso ao abono salarial começam a ser sentidos a partir deste ano. A mudança estabelece que o teto do benefício deixará de acompanhar o salário mínimo e passará a ser corrigido apenas pela inflação. Com isso, ao longo da próxima década, haverá uma redução gradual no número de trabalhadores com direito ao benefício.

No Ceará, esse número reduziu aproximadamente 1% em 2026, cerca de 8,2 mil pessoas a menos na comparação com 2025. Uma vez que o ano-base utilizado de referência para o cálculo do benefício é dois anos antes do pagamento, as alterações aprovadas em 2024, com a Emenda Constitucional n.º 135, começam a ter reflexo na quantidade de trabalhadores aptos a receber o abono salarial de 2026.

Segundo dados fornecidos pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) ao Diário do Nordeste, foram identificados 1.009.118 trabalhadores com direito ao abono salarial no Ceará em 2026.

Esse número é 0,81% menor do que o de 2025, quando foram identificados 1.017.330 empregados aptos a receber o benefício — cerca de 8,2 mil trabalhadores de diferença.

Segundo projeção do Ministério da Fazenda, essa dinâmica fará com que, até 2035, o teto de elegibilidade se aproxime de um salário mínimo e meio.

Por que menos pessoas terão direito ao abono salarial?

O professor da Pós-Graduação em Economia da Universidade Federal do Ceará (UFC) e pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (FGV IBRE), João Mário de França, explica por que a atualização do teto atrelada à inflação deve reduzir o número de beneficiários.

“Como o salário mínimo cresce acima da inflação, à medida que os anos vão passando, com essa desvinculação, você vai quebrando cada vez mais esse limite e tendo um público menor sendo beneficiado”, esclarece

“Nesse primeiro ano, a redução foi de apenas cerca de 1%, mas no segundo a tendência é ser maior e assim sucessivamente”, complementa França

Quais os prós e contras da mudança 

O docente observa que a medida é positiva para os cofres públicas, mas pondera que o benefício é fundamental para a qualidade de vida dos trabalhadores de baixa renda e para a economia local. O problema, segundo França, é que essa política não é focalizada.

“Ela não vai no público realmente que tem um menor nível de renda. Então, acho natural que haja essa redução e que, ao longo do tempo, se desvincule cada vez mais de dois salários mínimos”, avalia.

O pesquisador também destaca o contexto de “necessário ajuste fiscal” no País. “Em momentos em que o governo está em uma situação de desequilíbrio fiscal, sem conseguir atingir uma meta de superávit primário capaz de gerar um equilíbrio sustentável da dívida pública, é importante olhar as políticas públicas que são menos focalizadas”, defende

Por exemplo, no Bolsa Família você não deve mexer, porque é uma política pública muito focalizada, pega as famílias de menor renda. Tanto é que os resultados de diminuição de pobreza, de extrema pobreza, são muito vinculados à expansão que ocorreu no programa Bolsa Família. Mas em outras políticas públicas menos focalizados, como o abono salarial, é importante haver uma redução gradual.

O que mudou nas regras do abono salarial?

​Instituído pela Lei n° 7.998/90, o abono salarial é um benefício anual de até um salário mínimo para trabalhadores da iniciativa privada e do serviço público que satisfaçam os requisitos previstos na legislação.

A Emenda Constitucional 135, promulgada pelo Congresso Nacional em dezembro de 2024, traz diversas medidas para diminuir a despesa obrigatória federal. Entre elas está a redução do público-alvo do abono salarial do PIS/Pasep.

Antes, tinham direito ao benefício aqueles que tiveram remuneração média de até dois salários mínimos no ano-base de referência.

Com as novas regras, o limite de renda médio mensal deixou de acompanhar os reajustes do salário mínimo e foi estabelecido em R$ 2.640 por mês.

Esse valor, correspondente a dois salários mínimos de 2023 — último ano antes da mudança —, será corrigido anualmente pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). A legislação determina que o teto não poderá ser inferior ao equivalente a um salário mínimo e meio.

Para o pagamento de 2026, o teto considerado foi de R$ 2.766, resultado da atualização do limite pela variação acumulada do INPC em 2024, de 4,77%.

Com a redução do teto que tende a ser alcançada nos próximos 10 anos, João Mário de França aponta que a política vai chegar a um público com renda mais baixa. Isso porque, no Ceará, a renda média dos trabalhadores é baixa, e o limite de dois salários mínimos atinge uma grande fatia dos empregados.

França destaca que o mercado de trabalho cearense é marcado pela baixa qualificação e, em média, por salários baixos. Em dezembro de 2024, a remuneração real média no Estado foi de R$ 3.248,32, segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais). 

Com o salário mínimo de R$ 1.412 naquele ano, o teto para acesso ao abono salarial pela regra antiga seria de R$ 2.824 — R$ 58 a mais que o estabelecido após a mudança.

Quando você reduz um pouco esse limite de dois salários mínimos, ao longo do tempo vai ficar um número cada vez menor de cearenses beneficiados com essa política (...), mas, ao mesmo tempo, você vai atingindo exatamente o público que mais necessita. (...) Eu diria que tem uma focalização mais adequada, sem falar que reduz os gastos da União. Em tempos de ajuste fiscal necessário, isso também é uma medida importante.

Quem tem direito ao abono salarial?

O abono salarial é destinado a trabalhadores da iniciativa privada e do serviço público vinculados a empregadores que contribuem para o PIS/Pasep há pelo menos cinco anos. Além disso, para terem direito ao benefício em 2026, eles devem:

  • Ter recebido remuneração média mensal de até R$ 2.766 em 2024;
  • Ter exercido atividade remunerada por pelo menos 30 dias, consecutivos ou não, naquele ano;
  • Ter seus dados informados pelo empregador corretamente na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS)/eSocial.

Neste ano, o Governo Federal vai destinar R$ 33,5 bilhões ao pagamento do abono salarial, que deve alcançar 26,9 milhões de trabalhadores. Os pagamentos começam no dia 16 de fevereiro, e o calendário depende do mês de aniversário.

Os valores ficam disponíveis para saque até o último dia útil do calendário bancário de 2026, em 29 de dezembro. Caso o saque não seja feito até essa data, os recursos retornam aos cofres públicos, mas podem ser solicitados dentro do prazo de até cinco anos.

O valor do Abono Salarial varia conforme o número de meses trabalhados no ano-base, a partir da divisão do salário mínimo vigente por 12. Neste ano, o benefício pode variar de R$ 136 a R$ 1.621. Veja, abaixo, o quadro de valores.

Como consultar se tem direito ao abono salarial PIS/Pasep 2026

Os trabalhadores já podem consultar se têm direito ao abono salarial por meio do aplicativo Carteira de Trabalho Digital ou pelo Portal Gov.br. Nessas plataformas é possível verificar, por exemplo, o valor do benefício, o banco responsável pelo pagamento e a data do depósito.

Na Caixa Econômica Federal, o pagamento será feito prioritariamente por crédito em conta corrente, poupança ou Conta Digital. Também poderá ser realizado por meio do aplicativo CAIXA Tem, em conta poupança social digital aberta automaticamente.

Quem não possui conta poderá sacar o valor em agências, lotéricas, terminais de autoatendimento, CAIXA Aqui e outros canais disponibilizados pela instituição.

No Banco do Brasil, os valores serão pagos preferencialmente por crédito em conta, transferência via TED ou PIX. Trabalhadores não correntistas e sem chave PIX poderão realizar o saque presencialmente nas agências.



(Diário do Nordeste)

'Se morrer, morre magro': canetas emagrecedoras são vendidas ilegalmente via redes sociais no Ceará

Trecho de conversa entre cliente e homem que comercializava canetas emagrecedoras no Ceará — Foto: Reprodução

 



  Com a popularização das canetas emagrecedoras, os medicamentos tem sido facilmente encontrados à venda, de maneira irregular, nas redes sociais. A TV Verdes Mares encontrou perfis nas redes sociais que comercializavam os itens irregularmente, em doses fracionadas, em redes sociais como Instagram e WhatsApp. Os preços variavam de R$ 150 a R$ 1400.

Desde 2025, as chamadas canetas emagrecedoras foram aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para tratamento de diabetes e obesidade, desde que com acompanhamento médico.

Sua comercialização deve ocorrer somente por meio de estabelecimentos autorizados a lidar com a manipulação de medicamentos, como farmácias e clínicas habilitadas. A venda do medicamento precisa de retenção de receita, assim como antibióticos.

Especialistas alertam que a compra das canetas emagrecedoras fora de estabelecimentos autorizados gera uma série de riscos, uma vez que não há como saber se a substância que está na seringa foi adulterada e também não se sabe se o medicamento foi armazenado corretamente.

PRF apreendeu canetas e medicamentos emagrecedores contrabandeados do Paraguai na BR-020, em Caucaia. — Foto: PRF/ Divulgação

PRF apreendeu canetas e medicamentos emagrecedores contrabandeados do Paraguai na BR-020, em Caucaia. — Foto: PRF/ Divulgação


Ao longo de 2025, a Receita Federal apreendeu cerca de 2 mil canetas emagrecedoras no Aeroporto de Fortaleza que estavam sendo transportadas ilegalmente. Somente em janeiro de 2026, o órgão apreendeu 1.842 ampolas em uma transportadora de Fortaleza. Os produtos serão destruídos.

O alerta da Anvisa inclui todos os medicamentos que contenham semaglutida, liraglutida, tirzepatida e dulaglutida. Isso abrange todas as canetas registradas e autorizadas no país.

'Se morrer, morre magro'

Um dos perfis encontrados pela reportagem comercializando irregularmente o medicamento foi de um influenciador digital com mais de 300 mil seguidores, no município de Horizonte, na Região Metropolitana de Fortaleza.

Em sua conta no WhatsApp, ele publica preços e prints de conversas com clientes. Em uma das conversas divulgadas, o cliente pergunta se poderia morrer ao tomar 4 doses de 5mg, no que o homem responde: "Se você morrer, pelo menos morre magro. Morre feliz".

Outro perfil encontrado é de uma mulher que se apresenta como nutricionista, em Fortaleza. No seu perfil no Instagram ela compartilhava preços nos Stories e ainda mostrava as doses sendo enviadas aos clientes, inclusive para cidades do interior.

Conforme o Conselho Regional de Nutrição (CRN) do Ceará, nutricionistas não estão autorizados a prescrever canetas emagrecedoras. O conselho também informou que o registro dela está cancelado. A reportagem contatou um familiar dela, que negou a venda dos medicamentos, apesar dos registros de anúncio no perfil da mulher.

Uso sem acompanhamento e venda irregular geram riscos

À TV Verdes Mares, a médica endocrinologista Ana Flávia Torquatto destacou a importância de só fazer uso da substância com acompanhamento médico e adquirir apenas de locais confiáveis, como farmácias, para garantir que o medicamento não tenha sofrido adulterações.

"É fundamental que seja utilizada a medicação real, de fato, que foi fiscalizada, que foi aprovada, que é vendida na farmácia. Esse mercado paralelo que se desenvolveu é extremamente perigoso, a gente não sabe que tipo de produto dessas seringas que são vendidas às vezes pro um vizinho, grupo de WhatsApp, salão de beleza. Então realmente é extremamente perigoso, primeiro porque a gente não sabe do se trata, e segundo que mesmo que seja uma medicação que foi trazida [legalmente] a gente não sabe como foi armazenada", alerta.

A nutricionista e coordenadora do setor técnico do Conselho Regional de Nutrição, Emanuela Catunda, aponta ainda que os pacientes que utilizam esse tipo de medicamento precisam de acompanhamento nutricional para evitar problemas de saúde.

"A nutrição não é opcional, ela é essencial, indispensável para o acompanhamento nutricional desse paciente porque vai ocorrer uma perda de peso e a gente precisa garantir que não haja uma perda também da massa magra ou uma deficiência nutricional", disse.





(g1) 

Estado do Ceará é condenado a pagar R$ 250 mil a família de vítima de chacina atribuída a PMs


 



O Poder Judiciário do Estado do Ceará decidiu a favor da indenização por danos morais e materiais para a família de uma das vítimas da Chacina de Quiterianópolis. A juíza da 1ª Vara Cível da Comarca de Tauá determinou que o Governo do Ceará pague o valor de R$ 250 mil e pensão mensal de 1/3 do salário mínimo à mãe do jovem Irineu Simão do Nascimento, assassinado em outubro de 2020.

Cinco pessoas foram mortas a tiros, dentro de uma residência. O crime foi atribuído a um grupo de policiais militares.

Na esfera criminal, a Justiça decidiu que os PMs foram impronunciados, ou seja, não devem ser levados ao júri popular. O Ministério Público ainda pode recorrer das decisões de 1º e 2º graus para o Superior Tribunal de Justiça (STJ).

No entanto, na esfera cível, a magistrada considerou que apesar da "sentença de impronúncia concluir pela fragilidade dos indícios de autoria individualizada, declarando a nulidade de reconhecimentos fotográficos e da coleta de um estojo de munição. Em momento algum, a decisão afirmou que os agentes estatais não foram os autores ou que o fato (a chacina) não existiu".

A juíza destaca ainda que "a decisão proferida no juízo criminal não tem o condão de afastar a responsabilidade civil do Estado, devendo a questão ser analisada sob a ótica e os pressupostos próprios do Direito Civil e Administrativo".

A petição feita pela matriarca indicou que o jovem morto trabalhava na agricultura e contribuía para o sustento familiar. 

Além dos R$ 250 mil, a Justiça condenou o Estado a pagar pensão à mãe da vítima, no valor correspondente a um terço do salário mínimo vigente à época de cada pagamento, a contar da data da morte até a data que a vítima completaria 65 anos (em 2060) ou até quando a mãe falecer, o que ocorrer primeiro.

A reportagem entrou em contato com a Procuradoria-Geral do Estado para saber se o órgão irá recorrer da sentença, mas não teve resposta até a publicação desta matéria.

'NECESSIDADE DE MAIOR CONTROLE'

De acordo com a denúncia do Ministério Público do Ceará (MPCE), houve uso de viaturas públicas pertencentes à PMCE, bem como o emprego de armas e munições do Estado no ataque.

A investigação revelou que os projéteis recolhidos no local do crime pertenciam a um lote de propriedade da Academia Estadual de Segurança Pública do Estado do Ceará (AESP)  e que uma das armas utilizadas, um fuzil RF 15, estava acautelada para um dos policiais investigados.

Foram acusados e impronunciados pela chacina: Charles Jones Lemos Júnior, Dian Carlos Pontes Carvalho, Francisco Fabrício Paiva Lima e Cícero Araújo Veras

O Estado argumentou que a atuação dos agentes se deu "em estrito cumprimento do dever legal" e que a decisão criminal reforçava a ausência de nexo causal, "uma vez que não foi possível comprovar a autoria do delito, pugnando pela total improcedência dos pedidos".

A juíza da 1ª Vara Cível da Comarca de Tauá pontuou que "uma ação que culmina na morte de cinco pessoas, com características de execução sumária, conforme descrito no Laudo Pericial do Local da Chacina, representa o exato oposto do cumprimento de um dever. Ainda que se cogitasse a hipótese de um confronto, a atuação estatal deve ser pautada pela moderação e pela proporcionalidade, o que, a julgar pelo resultado e pelas circunstâncias descritas, não ocorreu".

"A responsabilidade é do ente público pela falha em seu dever de guarda e pela utilização de seu aparato em uma ação que resultou na morte de cidadãos. O Estado tem o monopólio da força e o dever de controlar os meios letais que confia a seus agentes. Quando esses meios são empregados para causar um dano, ainda que a autoria individual não seja provada para fins penais, a responsabilidade civil objetiva da entidade estatal se impõe".

A mãe da vítima pediu R$ 400 mil na ação, mas o Judiciário entendeu como razoável e proporcional a fixação por danos morais no valor de R$ 250 mil indicando que "tal montante cumpre a função compensatória, sem implicar enriquecimento sem causa para a autora, e a função pedagógica, sinalizando ao Estado a necessidade de maior controle sobre seus agentes e armamentos".

O DIA DA CHACINA

A mãe de Irineu Simão lembra que o filho participava de um momento de lazer quando foi surpreendido pela ação de policiais militares do Serviço Reservado. Ela sustenta "que a ação dos agentes estatais foi injustificada e bárbara, resultando na morte de seu filho e de outras quatro pessoas".

Morreram: José Renaique Rodrigues de Andrade, Irineu Simão do Nascimento, Antônio Leonardo Oliveira, Etivaldo Silva Gomes e Gionnar Coelho Loiola. Um adolescente foi baleado, mas sobreviveu. 

A Polícia trabalhou com duas linhas de investigação, ambas ligadas aos históricos criminais de duas vítimas, José Renaique e Irineu Simão, que tinham passagens pela Polícia por roubo.

Três PMs estavam em serviço e utilizavam uma viatura descaracterizada modelo Chevrolet Trailblazer de cor preta, que teria dado apoio à ação criminosa
Legenda: Três PMs estavam em serviço e utilizavam uma viatura descaracterizada modelo Chevrolet Trailblazer de cor preta, que teria dado apoio à ação criminosa / Foto: Reprodução


Conforme denúncia do MPCE, os agentes formam um grupo de extermínio. Até então, a motivação para o massacre segue desconhecida.

IMPRONÚNCIA FOI MANTIDA EM 2º GRAU

Em junho de 2023, um Colegiado de juízes analisou o caso em 1º grau e considerou que "não se pode admitir a probabilidade de autoria pelo simples fato dos acusados se encontrarem no município de Quiterianópolis próximos ao local do crime no dia dos fatos".

Para os magistrados, não foram colhidos, durante a instrução processual, elementos suficientes para sustentar, nesse momento, a admissibilidade da acusação em relação aos acusados.

Inconformado com a decisão, o MPCE ingressou com recurso no 2º Grau. Após análise da 3ª Câmara Criminal, a decisão foi mantida já neste ano de 2026. 

No caso de Cícero Araújo, o Judiciário apontou que o PM sequer estava na cidade em que o crime aconteceu (Quiterianópolis). A Justiça acolheu a tese da defesa de que o militar estava dormindo em um sítio supostamente usado como ponto de apoio pelos acusados. 

"Também restou comprovado que Cícero Araújo Veras somente prestou auxílio aos colegas militares no sábado, sem que haja qualquer indicativo da sua participação nos crimes apurados. Assim, considerando que não foi produzido nenhum elemento concreto, idôneo e o objetivo apto a vincular Cícero Araújo Veras como um dos autores do delito", conforme a decisão.




(Diário do Nordeste)

Criança com síndrome de Tourette e TDAH é expulsa de escola particular; MPCE ajuíza ação


 



Após uma criança, de 11 anos, diagnosticada com síndrome de Tourette e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) ser expulsa de uma escola particular de Fortaleza, o Ministério Público do Ceará (MPCE) ingressou, no último dia 3, com Ação Civil Pública (ACP) para o aluno ser rematriculado.

A ação solicita que o colégio reintegre imediatamente o aluno, que estava matriculado no 6º ano do centro educacional, às atividades escolares regulares, sob pena de multa em caso de descumprimento.

A entidade não divulgou qual seria a instituição em questão, mas informou que ela está localizada no bairro Cidade dos Funcionários. A criança foi “expulsa da escola em outubro de 2025, após episódios de desregulação emocional que são sintomas intrínsecos aos diagnósticos clínicos dela”, segundo o MPCE.

CRIANÇA ERA PUNIDA

“O estudante vinha sendo submetido, desde o início do ano letivo de 2025, a um regime disciplinar punitivo que ignora por completo a condição neurodivergente dele. A escola possuía conhecimento da condição médica da criança, que exige, por imperativo legal, um olhar pedagógico diferenciado, por meio de laudo técnico fornecido ainda em dezembro de 2024”, segundo o Procedimento Administrativo instaurado pela Promotoria.

Ainda de acordo com o documento, a instituição não elaborou o Plano Educacional Individualizado (PEI) no início do período letivo de 2025 e, por conta disso, o aluno sofreu, sucessivamente, sanções disciplinares severas decorrentes da própria ausência de suporte adequado, o que culminou com a expulsão do discente. 

“Diante dos fatos, o MP expediu Recomendação para que o colégio revisse a decisão de transferência compulsória, que não foi acatada pela instituição”, informou ainda o MPCE.

AÇÃO DO MPCE

Na ação, a entidade pede à Justiça que declare a nulidade absoluta do ato administrativo que motivou a expulsão do menor, ante a manifesta violação ao devido processo legal e à proteção da pessoa com deficiência.

“Além disso, pede que seja determinada a renovação compulsória da matrícula do estudante para o ano letivo de 2026, bem como, que seja imposta à instituição de ensino a obrigação de implementar e executar o Plano Educacional Individualizado (PEI), de acordo com as orientações da equipe técnica multidisciplinar que acompanha o aluno”, comunicou o Ministério.

O MPCE pede ainda que a coordenação do colégio seja condenada a pagar indenização a título de danos morais individuais, em favor da criança, e de danos morais coletivos, em razão do caráter pedagógico-punitivo frente à conduta discriminatória demonstrada.



(O Povo)

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