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Divulgação/PCCE. |
Os dois delegados de Polícia Civil do Ceará (PCCE) que se tornaram
alvos de Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) no caso da
suposta falha de custódia da maconha encontrada em Acopiara foram
exonerados dos cargos.
Conforme documento a que a reportagem do Diário do Nordeste teve
acesso, Marcos Sandro Nazaré de Lira, ocupante da função de delegado
seccional da 4° Seccional do Interior Sul, e Vicente de Paula Rodrigues,
delegado titular da Delegacia de Polícia Civil de Acopiara, foram afastados dos cargos desde o dia 29 de junho de 2026.
O delegado Jaime de Paula Pessoa Linhares, presidente da Associação
dos Delegados de Polícia Civil do Estado do Ceará (Adepol-CE) diz
considerar o afastamento uma condenação antecipada e que traz um
prejuízo financeiro aos delegados. "Vamos procurar rebater (as
exonerações) juridicamente", afirmou.
Em nota, a assessoria jurídica da Adepol destacou que "as exonerações
dos Delegados de Polícia decorreram da instauração de um processo
administrativo disciplinar, medida esta que, a nosso ver, é completamente precipitada e desarrazoada,
tendo em vista que sequer houve procedimento apuratório preliminar para
se investigar o fato na sua amplitude e delimitar as responsabilidades,
o que denota um açodamento que tem contornos de prejulgamento.
Lamentamos, por demais, que se queira adotar essa toada a um caso tão
sensível como esse".
Os advogados Leandro Vasques e Seledon Dantas acrescentam que "tal
contexto não condiz com a imparcialidade e com aprofundamento que
deveriam nortear as investigações, pessoalizando em duas autoridades
policiais um problema de natureza ampla e institucional. Ademais, a
espetacularização em torno do caso, que arrasta a investigação para o
pelourinho da praça pública, atende não aos ideais de Justiça, mas a
antecipação imprudente de conclusões".
PROCESSO ADMINISTRATIVO
Na última quinta-feira (2), o governador Elmano de Freitas confirmou a
investigação e disse que a Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos
de Segurança Pública (CGD) vai "apurar responsabilidades" dos agentes
responsáveis pela custódia da plantação de 290 mil pés de maconha
encontrados em Acopiada, Interior do Estado.
"Se o delegado tem responsabilidade ou não, quem vai dizer é a
apuração", disse Elmano, em coletiva de imprensa na sede da Delegacia
Geral, durante evento de entrega de celulares furtados e roubados.
A exoneração encontra respaldo na Lei nº 13.441, de 29 de janeiro de
2004, "que dispõe sobre o processo administrativo-disciplinar aplicável
aos Policiais Civis de carreira do Estado do Ceará, conforme disposto no
art. 43 e seu parágrafo único: Art. 43".
"O policial civil de carreira que estiver respondendo a processo
administrativo-disciplinar somente poderá ser demitido de seu cargo ou
função efetiva após o julgamento. Parágrafo único. O policial civil de
carreira que estiver respondendo a processo administrativo-disciplinar
fica impedido de permanecer em cargo comissionado ou de ser nomeado para
assumir cargo comissionado ou função de chefia de qualquer natureza em
órgão da Administração Pública Estadual, enquanto durar o julgamento do
processo administrativo disciplinar".
Governador foi ao local da plantação
Uma denúncia feita pelo deputado federal André Fernandes iniciou a investigação no dia 28 de junho de 2026.
Ele publicou vídeos que mostravam diversos pés de maconha ainda
preservados, quando a lei obriga a custódia e incineração da droga.
Elmano de Freitas foi presencialmente ao local onde a droga foi
encontrada, em uma fazenda de Acopiara, para supervisionar o terreno e a
destruição da droga.
O terreno foi arrendado para um terceiro por um fazendeiro e empresário da região. Ambos já estão identificados pela Polícia Civil.
O proprietário chegou a ser preso. João Holanda Neto, 59, foi solto em audiência de custódia em razão da saúde dele.
DESTRUIÇÃO DAS DROGAS
"Houve uma denúncia e, no meu entender, a denúncia é muito grave, de
que, aqui, teria havido negligência para que o crime pudesse atuar e até
levar algum bem daqui. Nós vamos apurar absolutamente tudo. Não vamos
passar a mão na cabeça de ninguém. E quero pedir ao deputado que ele
tenha a honra de poder, em depoimento, dizer que autoridade teria ligado
para suspender o trabalho da Polícia Civil aqui. [...] Nossa
determinação é enfrentar o crime de maneira implacável", disse Elmano.
O governador disse, no dia, que a "Polícia não sai daqui enquanto não destruir toda essa plantação”.
Dias depois, André Fernandes fez uma nova denúncia: a de que a droga
foi enterrada, em vez de incinerada. No vídeo, postado em suas redes
sociais, ele aparece desenterrando parte da plantação durante a madrugada da quinta-feira (2).
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| Foto: Reprodução/Instagram |
Em nota, a Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) informou que foi
utilizada uma técnica pelo Corpo de Bombeiros para “destruição e
incineração controlada”, que consiste em cavar valas e queimar as
plantas e, em seguida, cobrir o material com terra para evitar que o
fogo se alastre. “
O que o parlamentar citado encontrou foram restos da referida
plantação e de outras plantas do terreno destruídas”, informou a
Polícia.
(Diário do Nordeste)