Em Águas Claras, onde a segurança é valorizada em condomínios
fechados, um horror silencioso se materializou sob o pretexto da
educação. O reforço acadêmico para uma estudante, de 16 anos,
transformou-se em medo ocasionado por toques indesejados, importunação sexual e ameaças.
Em pânico, a família da vítima procurou as autoridades, e a Delegacia
de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) passou a apurar o caso de
abuso cometido por um servidor do Tribunal Superior do Trabalho (TST) que ministra aulas particulares de matemática.
Incomodada e sentindo que os limites estavam sendo ultrapassados, a adolescente tomou uma decisão crucial: materializar o crime.
Utilizando o celular para gravar os encontros na sala de estudos do
prédio onde reside, ela conseguiu capturar evidências contra seu
professor de 63 anos. Ele também é técnico judiciário e está lotado no Núcleo de Policiamento Ostensivo do TST.
É sob essa fachada pedagógica que o servidor é acusado de cometer
crimes de importunação sexual e ameaça contra a aluna. A coluna apurou
que as aulas de matemática tiveram início em setembro de 2023. Durante
os primeiros dois anos, o relacionamento entre professor e aluna
manteve-se estritamente profissional. No entanto, o comportamento de
Elmer sofreu mutação drástica no fim do segundo semestre de 2025.
Postura invasiva
O professor passou a adotar postura invasiva. Ele fazia questão de
manter proximidade física desnecessária, ocupando o espaço pessoal da
jovem de forma intimidadora. Registrar os abusos se tornou a forma de
defesa da vítima.
As imagens, que já estão em posse da PCDF, são descritas como “perturbadoras”. Nelas, o
servidor é flagrado passando as mãos pelas coxas da estudante de forma
lasciva; acariciando o pescoço e deslizando os dedos pela nuca da
garota, além de manter conversas de teor estritamente sexual,
questionando, inclusive, se a jovem consumia conteúdos eróticos na
internet.
“Minha filha conseguiu gravar todo o comportamento do abusador.
Trata-se de um caso extremamente sério que precisa de visibilidade para
que não haja impunidade”, relatou o pai da vítima à coluna.
Ameaças e coação
O caso ganhou contornos ainda mais dramáticos quando, após os atos de
cunho sexual, o servidor teria passado a ameaçar a jovem por meio de
áudios enviados pelo WhatsApp. Em áudios gravados pela vítima, Elmer é
ouvido proferindo ameaças de morte, exigindo que ela mantivesse silêncio
absoluto e não relatasse os episódios aos pais.
A estratégia de silenciamento, contudo, não funcionou. Munida das
provas, a jovem buscou o apoio da família, que imediatamente acionou as
autoridades.
TST se manifesta
Procurado pela coluna, o tribunal se manifestou sobre o caso
envolvendo o servidor. “O TST não identificou nenhuma informação sobre o
caso nas unidades competentes, mas conta com estruturas e procedimentos
administrativos para tratar da questão internamente caso a denúncia se
concretize”, informou a corte.
O servidor não foi encontrado pela reportagem. O espaço permanece aberto para eventuais manifestações.
(Metropoles)