Você sabia que o Ceará produz ovos caipiras coloridos? Esses ovos
chegam a custar 30% a mais que os produtos industriais. No entanto, o
preço não sofre com a sazonalidade de insumos e demanda, e os ovos
coloridos mantêm estabilidade de preços atraentes ao longo do ano, de
cerca de R$ 1.
Os ovos coloridos foram apresentados durante a PEC Brasil 2026, realizada em Fortaleza, na semana passada.
Com cores que vão além dos tradicionais branco e vermelho, os ovos coloridos apresentam tons de azul, verde, creme e chocolate.
Diferente do que muitos pensam, o colorido não vem de corantes. "A
cor da casca é genética", esclarece André Siqueira, sócio da Agromix
Rações e representante da Globoaves, empresa de genética do Paraná que
produz as linhagens de galinhas que põem os ovos coloridos
"Enquanto a genética define o exterior, a nutrição, baseada em
rações específicas e o consumo de gramíneas nos piquetes, é o que
garante gemas de cores mais intensas e vibrantes."
Onde achar o ovo colorido no Ceará?
Siqueira observa que a maior parte da clientela da Agromix vem de
produtores de frangos e ovos caipiras, e que os animais que põem os ovos
coloridos passam por uma seleção genética.
São galinhas poedeiras de diferentes cores de penagem, desde a branca
até a negra, cuja cor dos ovos segue padrões específicos. O sabor, no
entanto, permanece inalterado.
"Representamos a Globoaves. Vendemos essas aves no Ceará. Toda semana
tem remessa para atendermos à clientela", comenta o coordenador.
"Além disso, temos uma produção em uma granja própria nossa em
Limoeiro do Norte. Dezenas de outros clientes nossos produzem também",
completa.
Alta performance e bem-estar no quintal
O avanço do setor caipira no estado está diretamente ligado à
introdução de linhagens de alta produtividade (no caso da produção de
ovos), adaptadas ao sistema cage-free (livre de gaiolas).
"Essa ave é livre durante o dia para sair do galpão, ciscar, comer
uma graminha, um inseto. Isso traz uma qualidade melhor ao bem-estar do
animal e resulta em um produto melhor e em um padrão internacional",
explica Siqueira.
É essa liberdade de alimentação de ração com algo buscado na
natureza, que faz com que as gemas caipiras tenham uma coloração mais
intensa e viva, além do sabor, procurado pelos consumidores.
Produção de ovos coloridos por postura (poedeiras) - 80 semanas
- Postura creme: 370 ovos
- Postura azul: 327 ovos
- Postura branca: 374 ovos
- Postura negra: 302 ovos
- Postura vermelha: 366 ovos
- Postura cinza: 299 ovos
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| Legenda: Dois ovos em uma frigideira, um de galinha caipira, com a gema muito mais laranja vibrante e um de granja, com a gema mais amarela. / Foto: Arquivo pessoal. |
A famosa galinha "pé duro"
Mesmo após o ciclo de postura de quase dois anos, as aves caipiras
ainda encontram mercado como a tradicional galinha "pé duro" ou "pé
seco".
"É uma ave que já está magra, com a carne muito rígida, mas ainda muito buscada pelo sabor característico", aponta Siqueira.
Já as linhagens focadas exclusivamente em corte ficam prontas para o abate a partir de 90 dias.
Para se ter uma ideia de quanto custa começar uma produção de
galinhas caipiras de corte, uma caixa com 100 pintinhos de corte custa
R$ 480.
Quando é para postura, a caixa com 100 pintinhos pode variar de R$ 1.050 até R$ 1.230, dependendo da raça e qualidade genética.
"Tanto um como outro, nossos pintos têm taxa zero de mortalidade,
quando comprados com cuidado genético, quando são criados em condições
adequadas, com ração balanceada para idade, conforto térmico e condições
sanitárias regulares", explica ele.
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| Foto: Paloma Vargas. |
Com relação à rentabilidade, a galinha caipira de corte está pronta
para abate já com 90 dias e seu quilo tem valor médio de mercado entre
R$ 20 e R$ 25. Já a poedeira, começa a produção com cerca de quatro
meses de vida e o ovo tem o preço médio estável de R$ 1.
Sobre o custo de manutenção, em um exemplo de um lote de 100 aves, o
consumo médio é de 40 kg de ração (no valor de R$ 120) a cada três dias.
Além disso, há o custo controle e conforto térmico e a sanidade do
animal.
"Esse é um mercado muito rentável, pois no interior do estado é
amplamente consumido e procurado para criação", reforça Siqueira, sócio
da Agromix.
O gargalo da informalidade e as contas do produtor
Apesar do otimismo que envolve o setor, a avicultura caipira cearense
ainda "caminha no escuro" quando o assunto é estatística oficial. A
atividade possui uma capilaridade imensa, estando presente em
praticamente todos os municípios do Ceará, mas a falta de registros
esconde o real tamanho do mercado.
"Não temos esses dados tabulados devido à informalidade, mas temos
uma capilaridade muito grande. É difícil um município que não tenha mais
de um produtor", revela Siqueira.
Ele afirma que o desafio atual do setor é converter o criador
tradicional em um gestor rural. "O caminho não é o tamanho da terra, mas
o acesso à tecnologia e às boas práticas de manejo. Na hora que o
produtor entende que ele pode ganhar dinheiro, ele começa a enxergar a
atividade com outro olhar e investe em infraestrutura, genética e
alimentação", arremata o especialista.
(Diário do Nordeste)