O sistema bancário no Ceará passa por uma drástica redução da rede física nos últimos quatro anos, totalizando o encerramento de 117 locais de atendimento entre 2022 e 2026, segundo dados do Sindicato dos Bancários do Ceará (Seeb-CE).
A aceleração do movimento foi maior no ano passado. Enquanto em 2022 foram 20 unidades desativadas, em 2023 foram cinco, passando para 25 em 2024, e saltando para 62 até o fim de 2025. Neste ano, já tem duas previstas para não existir mais.
A reestruturação atinge tanto a Capital quanto o Interior, agora com mais força, impulsionada pela migração dos serviços para os canais digitais.
Muitos dos encerramentos se deram em Posto Avançado de Atendimento (PAA) e Posto de Atendimento Bancário (PAB), em endereços que geralmente correspondem ao prédio da Prefeitura Municipal ou ao centro comercial principal de cada município
Conforme o presidente do Seeb-CE, José Eduardo Rodrigues Marinho, grandes instituições como Itaú Unibanco, Santander e Bradesco lideram esse processo.
O Itaú e o Santander concentram os encerramentos em Fortaleza. O Bradesco, que possuía uma ampla rede de varejo, e tem a maior quantidade de fechamentos, vinha seguindo a mesma lógica, mas anunciou recentemente mais unidades no Interior.
Na avaliação de Marinho, os avisos de encerramento se dão em prazos mínimos, cuja mobilização do sindicato acaba por ser prejudicada.
“O Bradesco saiu atrás da digitalização dos processos. Normalmente, mesmo tendo folha de pagamento, mesmo tendo negócios com os municípios, mesmo tendo agências na Capital e no Interior, o Bradesco vem sendo o campeão de fechamento de agências e de postos onde as pessoas podem ser atendidas.”
Para o sindicalista, o fechamento de unidades vem sendo realizado indiscriminadamente, com a criação de locais de atendimentos em farmácias, padarias, mercantis, obrigando o consumidor a se deslocar mais e a ter apenas uma opção de autoatendimento, sem serviço de bancários. É o caso da alternativa ofertada de Bradesco Express no Interior.
“Tem municípios, inclusive, que o Bradesco é o único banco e, mesmo assim, fecha. (…) E nem todo mundo tem internet de qualidade, tem app, tem celular para poder se autoatender. Até porque uma boa parte do nosso público ainda carece de uma certa informação digital”, acrescentou.
Conforme Marinho, em audiência pública realizada com entidades empresariais e parlamentares, o sindicato expôs que quando uma população deixa de ser atendida no local em que está, mais de 50% do comércio local padece.
“Se a pessoa vai a uma agência e retira o recurso, ela normalmente gasta ali perto do local onde ela saca o benefício, saca seu dinheiro, saca sua subsistência. Se elas fazem esse deslocamento, têm um risco maior de deslocamento, as economias locais não sobrevivem da mesma forma, as microeconomias ficam abaladas”, complementou.
Se há queixa pelo lado dos bancários e consumidores, as instituições financeiras justificam a medida pela mudança no perfil do consumidor. O Bradesco afirma que 98% de suas operações ocorrem atualmente por canais digitais, motivando a transformação de agências em “unidades de negócio” ou a unificação de postos.
O Santander reforça que a quase totalidade das operações já é remota, mas que mantém o atendimento via aplicativo, internet banking e especialistas que visitam clientes-empresa in loco.
Como alternativa à ausência física, o Bradesco aponta o uso do Bradesco Expresso, rede de correspondentes bancários em estabelecimentos comerciais.
Já o Itaú Unibanco reforçou que adota estratégia focada em experiência digital cada vez mais fluida e hiperpersonalizada, frisando que cerca de 97% das transações de pessoas físicas já acontecem pelos canais digitais.
Isso, segundo a empresa, redefine também o papel da rede física, que “continuará sendo parte essencial da estratégia e passará, ao longo dos próximos anos, a adotar um modelo mais consultivo e nichado.” (Colaborou Maria Clara Moreira)
(O povo)














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