O Ceará registra sinais de estabilidade na sua reserva hídrica, com cinco açudes sangrando em pleno mês de agosto. Nessa terça-feira, 11, o Estado somava mais de 9,2 bilhões de metros cúbicos de água, volume equivalente a 50,71% do total que pode ser armazenado nos 144 açudes que compõem a rede de abastecimento cearense.
O valor é semelhante ao registrado na mesma data de 2025, quando os reservatórios acumulavam 51,46% da capacidade total, simbolizando uma perda de apenas 0,75% ao longo de um ano.
O índice demonstra a crescente vivida pelos açudes cearenses nos últimos anos, impulsionado pelas chuvas de 2025 e 2026 dentro da normalidade, além do grande aporte registrado em 2024, quando o Estado teve sua melhor quadra em 15 anos.
Segundo especialistas, apesar da manutenção do valor em torno de 50%, é necessário observar também o volume armazenado em cada bacia hidrográfica, já que apesar do cenário geral estável, há locais como os Sertões de Crateús, onde o volume é de 17%.
"São regiões que demandam mais atenção da Cogerh no sentido da preservação e do sistema de recursos hídricos, para uma maior racionalidade no uso desses recursos e para encontrar soluções para o fornecimento de água da população", afirma o supervisor regional da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos do Ceará (Cogerh), Rodrigo Vasconcelos.
Situação das bacias hidrográficas do Ceará em agosto de 2026
As melhorias de cenário se estendem também ao número de açudes que ainda estão sangrando ou mantém nível elevado de água armazenada.
Segundo dados da Cogerh, o Ceará mantém cinco açudes transbordando mesmo no mês de agosto e outros 40 com mais de 90% de preenchimento, incluindo o Orós, segundo maior reservatório do Estado que verteu pelo segundo ano seguido em 2026.
Em agosto de 2021, por exemplo, em agosto de 2021, esse número era de apenas 20 açudes, dos quais nenhum estava sangrando.
"Em sua maioria são reservatórios em região serrana, cujo terreno propicia esse comportamento. São regiões com solo mais profundo que propiciam que o subterrâneo forneça água para esses reservatórios por um período mais prolongado de tempo após a estação chuvosa", explica Vasconcelos.
Efeitos locais e ondas de leste mantêm chuvas no Ceará durante o segundo semestre
Mesmo após a quadra chuvosa, entre fevereiro e maio, o Ceará continua apresentando chuvas pontuais no segundo semestre. Entre os 31 dias do mês de julho, 29 tiveram chuvas em algum muncípio do Estado, enquanto em agosto, já foram registradas precipitações em oito dos dez dias passados.
Segundo a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), as chuvas têm ocorrido devido a fenômenos meteorológicos como as ondas de leste Perturbações no campo de vento e pressão que atuam na faixa tropical do globo terrestre, em área de influência dos ventos alísios, que se deslocam desde a costa da África até o litoral leste do Brasil e sistemas de baixa pressão atmosférica. Além desses, fatores locais como a brisa terrestre tendem a contribuir para a ocorrência de precipitações em municípios do litoral.
"A brisa terrestre é um efeito local que acontece no período da madrugada e início da manhã que traz chuva. É uma linha de nebulosidade que acaba trazendo chuvas para a região litorânea", pontua o meteorologista da Funceme, Bruno Rodrigues.
Ainda sem a influência do El Niño, que deve se intensificar apenas nos últimos meses de 2026, a tendência é de que essas chuvas continuem ocorrendo de forma pontual.
Segundo previsão da Funceme, a previsão até a esta quarta-feira, 12, é de chuvas fracas e isoladas nos litorais Norte, do Pecém, de Fortaleza e no Maciço de Baturité durante o período da manhã, com tempo firme no restante do dia.
"A gente está em um período de transição entre o final da estação úmida, que foi em julho e entrando em uma estação mais seca. Embora tenha essa transição, é possível que algumas regiões, em especial da faixa litorânea recebam essas chuvas de caráter isolado e passageiro", conclui Rodrigues.
(O Povo)









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