Um País mais feminino e mais velho


Em 1970, como cantava o ufanismo de Miguel Gustavo, éramos “90 milhões em ação”. Hoje, segundo os números do Censo 2010 divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), somos mais de 190 milhões tocando o Brasil em frente. Mais precisamente, 190.755.799 pessoas vivendo num País de população majoritariamente feminina, com uma presença cada vez maior de idosos e onde o crescimento demográfico mais acentuado passou das metrópoles para os municípios de médio porte.

Os dados colhidos no ano passado e divulgados ontem pelo IBGE revelam que, apesar da maior taxa de natalidade masculina (para cada 100 mulheres, nascem 105 homens), a relação entre os gêneros hoje no Brasil é de 96 homens para cada 100 mulheres – em 2000, eram 96,9 homens. Em resumo: há uma população de quase 4 milhões de brasileiras a mais do que brasileiros. Somos, portanto, um país de maioria feminina, contradição estatística para um gênero que tradicionalmente foi tratado como “minoria”.

“Isso já vem ao longo dos censos e se dá em função da mortalidade. Apesar de nascerem mais homens, como a mortalidade dos homens é superior à das mulheres ao longo da vida, no final, você tem um contingente maior de mulheres”, explica Fernando Albuquerque, gerente de projetos da Coordenação de População e Indicadores Sociais do IBGE.

Também somos um País em que a pirâmide etária está se reconfigurando: há cada vez mais idosos e cada vez menos jovens entre os brasileiros. Em 1991, a população com 65 anos ou mais, respondia por 4,8% do total. Hoje, esse percentual saltou para 7,4%. Em contrapartida, a representatividade de todos os grupos etários até 25 anos no total da população em 2010 é menor que a observada em 2000. O presidente do IBGE, Eduardo Nunes, disse que o Brasil deverá chegar a seu pico populacional – em torno de 250 milhões de habitantes - entre 2040 e 2060. A partir daí, passará a ter uma queda em termos absolutos, se mantido o padrão demográfico atual.

Na série histórica dos censos (que se inicia em 1872 e passa a ter levantamentos feitos a cada dez anos a partir de 1940), o Brasil atingiu sua menor taxa média de crescimento anual da população ao longo da última década: 1,17%. Na década anterior, a taxa foi de 1,64%; e na década de 50, chegou a 2,99%. As cidades consideradas de médio porte, entretanto, registraram taxas médias de crescimento anual superior a 2% nos últimos dez anos. “Sobral, Juazeiro do Norte e Crato são exemplos denotativos desse crescimento das cidades médias do interior cearense. Apresentando nos últimos anos, elevadas taxas de urbanização e crescimento demográfico, essas cidades aparecem como pólos regionais com seus papéis polarizadores reforçados nos últimos anos”, explica o pesquisador Heronilson Pinto Freire, mestrando em Geografia pela Universidade Estadual do Ceará.

Descortinados os números do IBGE, também é possível divisar um País que avançou na qualidade de seus serviços públicos e obteve conquistas importantes em áreas como educação e saneamento básico, mas que continua patinando diante de alguns problemas crônicos, como a alta concentração de renda e, por tabela, a desigualdade sócio-econômica.

Fontes: o Povo e agências)

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