O corpo de Wellington Cortes Conceição, 33 anos, o homem de 220 quilos que morreu na
madrugada de quinta-feira (15), no Hospital Roberto Santos, em
Salvador, foi retirado no início da tarde desta sexta-feira (16) da
unidade hospitalar com ajuda do Corpo de Bombeiros. A remoção foi feita
com o auxílio do Grupamento Salvar, em uma operação que envolveu pelo
menos 15 homens.
O caixão de Wellington foi produzido sob medida em Feira de Santana, a
100 km da capital baiana, pesa 50 quilos, tem dez alças, 2,20m de
comprimento, 1m de largura e 70 cm de altura.
Do Hospital Roberto Santos, o corpo seguiu para o Cemitério Quinta dos
Lázaros, no bairro da Baixa de Quintas, em Salvador. O enterro está
marcado para 15h desta sexta-feira.
A família de Wellington acompanhou o processo de remoção do corpo,
exceto uma das irmãs dele, de 27 anos, que também sofre de obesidade
mórbida e há mais de um ano não consegue sair de casa.
"A gente não quer que ninguém passe por essa situação que nossa família
está passando. Meu irmão chegou a esse estado porque ele tinha vergonha
da sociedade. Juntou isso à depressão. Ele era um irmão querido. Eu não
esperava encontrar meu irmão dentro de um caixão", lamenta Washington
Cortes. "Agora nós queremos ajuda para minha irmã, que também tem essa
doença. Nao podemos passar por isso de novo", teme.
Segundo a família, Wellington começou a engordar aos 28 anos. Há pelo
menos dois anos, parou de trabalhar porque já não conseguia nem andar.
Morte
Segundo as informações dos diretores do Hospital Geral Roberto Santos, em Salvador, Wellington Cortes Conceição morreu após sofrer duas paradas cardíacas em sequência, na madrugada de quinta-feira.
Segundo as informações dos diretores do Hospital Geral Roberto Santos, em Salvador, Wellington Cortes Conceição morreu após sofrer duas paradas cardíacas em sequência, na madrugada de quinta-feira.
Ele estava internado na unidade desde a terça-feira (13), após sofrer
uma queda em sua casa, no município de Amélia Rodrigues. O corpo de
Bombeiros de Feira de Santana usou um guincho para retirá-lo da residência. Ele foi inicialmente levado para o Hospital Geral do Estado (HGE) e depois foi transferido para o Roberto Santos.
Os detalhes com as causas da morte foram divulgados em coletiva de
imprensa realizada no Hospital Roberto Santos. Na entrevista, estiveram
presentes a diretora geral da unidade, a médica Delvone Almeida, o
diretor administrativo, Kerley Ladeia, e o médico da Unidade de Terapia
Intensiva (UTI), Luciano Ferreira dos Santos.
Segundo as informações de Delvone Almeida, Wellington teve uma primera
parada cardiorrespiratória por volta da 1h da madrugada de quinta,
quando foi reanimado pelos médicos da unidade. "Por volta das 1h40, o
paciente sofreu uma segunda parada cardíaca e dessa vez, infelizmente,
não resistiu às reanimações", explicou a diretora.
médico Luciano Ferreira de Sousa explica que a obesidade pode ter
sido um dos fatores agravantes do quadro. "Toda a situação dele exigia
cuidado, por ser um paciente obeso e que já chegou com quadros de
dispineia [falta de ar], hipertensão e problemas de circulação
sanguínea, causadas pelo problema do peso", explica.
Ainda segundo os diretores, a equipe médica suspeita que uma embolia
pulmonar tenha causado as paradas cardíacas. A doutora Delvone explica
que "quando a circulação é lentificada, o sangue pode coagular e esses
coágulos podem se deslocar e chegar até o pulmão, interrompendo a
circulação pulmonar, que é a chamada embolia pulmonar massiva, o que
provavelmente aconteceu com o paciente".
Lerley Ladeia falou das necessidades especiais que Wellington teve
enquanto esteve no hospital e do comportamento do rapaz. "Ele necessitou
de uma cama especial, além de uma cadeira adaptada para que ficasse
mais sentado, por conta da dificuldade para respirar. Como pessoa, a
todo momento era constatado a vontade dele de reverter o quadro da
obesidade. Ele era uma pessoa de bom relacionamento com toda a equipe,
sempre otimista", diz.
G1







