A família do sargento da Marinha Fábio dos Santos Maciel, que morreu
na madrugada desta segunda-feira (19) após tropeçar e ter sua veia
femoral perfurada por um copo de vidro em seu festa de casamento, disse
nesta terça-feira (20) que houve negligência no atendimento médico a
ele.
Após o acidente, familiares o levaram para a Unidade de
Pronto-Atendimento (UPA) do Cocotá, na Ilha do Governador, na zona norte
do Rio de Janeiro, a cerca de três quilômetros de onde ocorria a festa.
Lá, foram informados que a UPA não tinha recursos para socorrê-lo. O
sargento, então, foi levado para o hospital municipal Paulino Werneck,
também na Ilha do Governador, percorrendo mais dois quilômetros.
Segundo Antonio Salazar, cunhado da vítima, Fábio chegou com vida
ao hospital, mas houve demora no atendimento. "Os médicos estavam
descansando e não fizeram nada. Foi preciso que um outro colega deles
chegasse e fizesse um alvoroço lá dentro", disse. A secretaria municipal
de Saúde afirmou que o militar já chegou morto ao hospital.
Atendimento imediato
De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, Calogero Presti, um atendimento correto de primeiros socorros é determinante em caso de uma lesão na veia femoral, como ocorreu com o sargento da Marinha Fabio Gefferson Santos Maciel, de 33 anos.
"A veia femoral fica muito perto da pele na
região da virilha e é de grande fluxo sanguíneo. Se a pessoa sofrer um
corte profundo e não for socorrida de forma correta, pode perder cerca
de 5 litros de sangue em poucos minutos", afirmou.
Segundo Presti,
dificilmente um leigo poderia fazer o procedimento correto. "Esse tipo
de corte é chamado lesão penetrante e deve ser feita uma compressão no
local. A veia femoral, que fica ao lado da artéria femoral, quando
perfurada esguicha muito sangue e quem não tem experiência dificilmente
vai ter condições psíquicas para agir da maneira correta, pois se
assusta."
Ainda segundo Presti, neste caso, o torniquete - sutura com um
pano em volta de um ferimento para estancar uma hemorragia - não é
recomendado, pois pode romper outros vasos e aumentar o sangramento.
Após a compressão, a vítima deve ser socorrida para uma
emergência hospitalar, em no máximo 30 minutos. "Esse é um tipo de
cirurgia muito comum. A maioria dos acidentes de trânsito, ou em brigas
com perfurações de facas, estiletes e até mesmo acidentes domésticos
perfuram veias e artérias. Assim que o paciente entra no centro
cirúrgico é feita uma transfusão sanguínea e a veia é suturada. Se não
houver mais complicações, a sobrevida é certa".
O enterro do militar deverá ocorrer amanhã, em Manaus, onde residem seus familiares.
Diário do Nordeste


