Morreu neste sábado (19) o narrador Luciano do Valle. Ele tinha 66
anos. Luciano passou mal quando viajava para Uberlândia, onde narraria
uma partida do Campeonato Brasileiro de Futebol. A causa da morte foi
infarto.
Luciano do Valle chegou ao aeroporto de Uberlândia, no Triangulo
Mineiro, às 14h35. Ele embarcou no voo que saiu de Congonhas, em São
Paulo, uma hora antes. Ainda no avião, ele passou mal.
O repórter da TV Globo, Marco Aurélio Souza, estava no mesmo voo.
“Não teve uma grande confusão. Ninguém ficou sabendo no voo que ele
estava passando mal. Quando a gente chegou aqui em Uberlândia aí sim
todo mundo desceu e o Luciano ficou no avião junto com o médico
esperando a ambulância, porque o avião já tinha avisado desse problema”,
conta Marco Aurélio Souza.
Trinta e cinco minutos depois de o avião pousar, Luciano do Valle deu
entrada no hospital com parada cardiorrespiratória. Morreu uma hora
depois.
Luciano do Valle foi para Uberlândia para narrar a partida entre
Atlético Mineiro e Corinthians, pelo Campeonato Brasileiro, neste
domingo (20) às 16h.
Ao longo de 50 anos de carreira, Luciano se tornou um dos maiores
narradores esportivos do Brasil. Começou cedo, aos 16 anos, na Rádio
Educadora de Campinas, no interior de São Paulo, onde ele nasceu.
No início da década de 70, entrou na TV Globo e participou de grandes
coberturas esportivas. Foi um dos narradores da Copa do Mundo da
Alemanha, em 1974, e depois se tornou o principal locutor da TV Globo.
Luciano também narrou corridas de históricas da Fórmula 1, como o bicampeonato de Emerson Fittipaldi.
Do sul da Bahia, pela internet, Emerson Fittipaldi disse que Luciano do Valle foi mais do que um narrador.
“O Luciano participou muito da minha vida. Para mim é um dia muito
triste e eu quero prestar uma homenagem muito grande a esse ícone do
esporte brasileiro”, afirma Emerson.
“Ele marcou um sistema de narração, um conceito completamente
diferente, com a voz maravilhosa que ele teve” lembra o comentarista de
Fórmula 1 Reginaldo Leme.
O último grande evento dele na Globo foi a Copa de 1982, na Espanha.
“A minha lembrança de Luciano, principalmente, o único gol que eu fiz
em Copa do Mundo foi ele que narrou, em 1982”, conta o comentarista de
futebol Junior.
Luciano passou pela TV Record e seguiu para a TV Bandeirantes, onde
estava até agora. Em mais de 20 anos na Band, se firmou como o maior
nome do esporte na emissora.
“Isso que a gente via na televisão, aquela emoção toda, aquilo era o
Luciano. Ele era assim também no dia-a-dia”, afirma o diretor de
jornalismo da Band Fernando Mitre.
Luciano do Valle se sentia à vontade no ambiente da cabine de
transmissão. Ele criou uma marca na narrações de grandes esportes, como o
futebol e Fórmula 1. Mas também ajudou a popularizar outras
modalidades, como vôlei e o basquete. Foi o conhecimento dele do mundo
esportivo que conquistou o respeito de atletas e de companheiros de
trabalho.
“É uma perda lastimável, né? Eu acho que Luciano do Valle foi o
primeiro grande âncora esportivo do Brasil a acreditar que o esporte no
Brasil não era só futebol. Nós carinhosamente o chamávamos de Luciano do
vôlei”, afirma o medalhista olímpico Bernard Rajzman.
Foi Luciano que criou os apelidos inesquecíveis de Magic Paula e Rainha Hortência.
“Quando ele viu nós dois jogando ele fez um estardalhaço tão grande que
o Brasil inteiro passou a nos conhecer”, lembra a campeã mundial de
basquete Hortência.
“O jornalismo esportivo perde um profissional exemplar, os amigos
perdem um companheiro e tanto, e ironicamente no fim de semana que
começa o Campeonato Brasileiro e no ano da Copa do Mundo do Brasil. É
assim que é a vida” diz o narrador Cléber Machado.
“E aprendemos a admirar o Luciano não só pelo grande locutor, por uma
voz inconfundível que ditou uma escola de locução na televisão
brasileira, mas acima de tudo por um cidadão apaixonado pelo Brasil e
pelo esporte brasileiro”, afirma o narrador Luís Roberto.
Galvão Bueno trabalhou com Luciano do Valle na TV Globo e falou sobre o companheiro.
“Nos últimos 37 anos, Luciano do Valle e eu disputamos cada ponto de
audiência na TV esportiva do Brasil. Para poder enfrentar, tive que me
esforçar muito tal a capacidade que ele sempre teve. Um concorrência
dura, mas leal, que nos fez bons amigos. Infelizmente, hoje a
comunicação deste país fica mais pobre”, conta o narrador Galvão Bueno.
G1



