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| Foto: Edimar Soares |
A semana parecia não ter começado no município de Boa Viagem, a
221,6 quilômetros da Capital. A segunda-feira teve escolas sem aulas e
alguns estabelecimentos comerciais fechados. Na Prefeitura, os três dias
de luto oficial vão até amanhã. Ontem, o movimento era nos cemitérios e
locais de velórios das vítimas do acidente que matou, na manhã do
domingo, 18 passageiros do ônibus da Viação Princesa dos Inhamuns que
partira para Fortaleza. Oito foram enterrados ontem em Boa Viagem.
No
Bairro de Fátima, gritos e choros incontidos vinham das primas de
Patrícia da Silva Oliveira. A jovem, de 24 anos, era costureira. Faria
prova prática de direção ontem na Capital para ser habilitada como
motociclista. “Ela ia no sábado às três da tarde. Aí mudou de ideia.
Disse: ‘Madrinha, vou no domingo de manhã mesmo’. Arrumou a bolsa e
deixou pronta”, relembra a irmã Antônia Moreira, 48. Patrícia era a mais
nova entre sete irmãos. Quatro deles viajaram de São Paulo para
acompanhar o enterro, realizado na tarde de ontem no cemitério Parque da
Esperança. “Era muito tranquila, sorridente. Todos gostavam dela”,
lembra Antônia.
Também na sala de casa era velado o corpo do
pedreiro Francisco Reginaldo da Glória, 46. “Deixou muita obra feita em
aqui e em Fortaleza”, contou a mãe Francisca Anchieta, 63. Reginaldo
havia morado por 30 anos na Capital. Voltou para Boa Viagem há dois
anos. No domingo, acompanhava a esposa, que passaria um mês em
Fortaleza com familiares. Sirleuda Gomes Freire da Glória, 48, também
morreu no acidente e foi velada na Capital.
Logo no início da
manhã, o caixão da professora aposentada Maria Rosary Pereira, 67, foi
levado da escola Dom Terceiro para o cemitério. O enterro reuniu
ex-alunos e professores. Foi lembrada por incentivar a cultura local e
criar uma peça de teatro que contava a história do município. O corpo do
esposo, Francisco Moura Lima, estava na Perícia Forense do Estado do
Ceará (Pefoce) em Fortaleza. Foi reconhecido na tarde de ontem.
A
pequena sala, na localidade de Várzea da Ipueira, não comportou a
multidão a velar os corpos de Francisca Venâncio da Silva, 67, e Vilauda
Venâncio Barbosa, 38. Mãe e filha iriam à Capital para uma consulta
médica. Após o acidente, ainda chegaram com vida ao Hospital de Canindé.
Na tarde de ontem, os caixões foram acompanhados por muitas pessoas a
pé, de moto e de carro até a capela Sant’ana. Após celebração, foram
sepultadas no cemitério do distrito, a oito quilômetros da sede
municipal. Os amigos de Vilauba choravam e lembravam o quanto a
revendedora de cosméticos era querida.
Feridos
Até
a tarde de ontem, duas pessoas haviam sido liberadas e nove permaneciam
internadas no Instituto Doutor José Frota (IJF), em Fortaleza. Maria
Inês Marreiro dos Santos, que teve fratura cervical, foi classificada
como paciente de risco um. Mas, de acordo com a assessoria de imprensa
do hospital, não corre risco de morte.
Três homens -
todos com ferimentos graves - foram submetidos a procedimentos
cirúrgicos. Dois deles sofreram amputações dos membros superiores.
Outros cinco pacientes (João Nunes da Silva, Cristiane de Sousa Paulino,
José Ribamar Lima Oliveira, Francisco Douglas Sousa Uchôa, Hilda Inácio
dos Santos) permaneciam na sala de observação da emergência para
receber acompanhamento de neurologistas e traumatologistas.



