Um policial militar de 35 anos foi assassinado a tiros, no início da manhã de ontem, no bairro José Walter, em Fortaleza. Samuel Rodrigues Tabosa
estava fardado e voltava de um turno de trabalho, na cidade de
Maranguape. Com a ação, chegou a 48 o número de policiais assassinados
no Estado desde 2012 - 2015 contabiliza o primeiro caso. Desde 2014, a
média é de um policial morto por mês no Ceará.
O crime
modificou a rotina tranquila da rua 15 logo no início da manhã, por
volta das 7h50min, quando Samuel chegou do trabalho para ficar com o
filho de 7 anos. O menino estaria sob seus cuidados enquanto a esposa,
Verbênia Mesquita, 35, iria ao trabalho com a irmã, uma das testemunhas
do crime.
Ao
estacionar o carro na garagem de casa, o soldado foi surpreendido por
três homens armados, que teriam anunciado o assalto e percebido, pela
farda, que se tratava de um policial. Samuel foi alvejado por três tiros
que o atingiram no abdômen, no braço direito e na cabeça, e morreu no
local.
Abalados pelo crime, na tarde de ontem os vizinhos
tentavam entender o ocorrido. “Quando tinha uma confusão na rua, ele
entrava em casa. Não se metia. Era uma pessoa muito boa, tranquila, de
bom coração”, comentou Ana Karine, 36. A conduta sempre muito calma de
Samuel é confirmada por um colega policial, que não quis se identificar.
“Ele tinha um trato muito bom com a população. Ele não era de ir pra
cima, como às vezes é normal que o policial vá”.
Segundo filho
de uma família de três irmãos, evangélico da Igreja da Paz, químico
industrial formado pela Universidade Federal do Ceará (UFC), Samuel era
PM há 11 anos. “Ele se tornou policial pela oportunidade que apareceu.
Passou no concurso e depois acabou gostando”, relembrou o irmão mais
velho, Luís Cláudio Rodrigues, 41, para quem Samuel era um “escudeiro”.
“Ele cuidava de mim”. Depois que passou a trabalhar à noite, sempre que
podia Samuel tomava o café da manhã na casa dos pais.
A irmã
caçula, Manoela, 30, lamentou pelo último café não tomado com o irmão,
pelos planos de crescimento que ele confidenciava buscar, pela
perspectiva de um outro sobrinho. “Foi tão duro que a vida foi deixada
no meio”.
No próximo dia 26, o casamento de Samuel e Verbênia completaria nove anos. Era uma história de amor que começou ainda na infância. Pedindo por justiça, Verbênia se transformou em um misto de raiva e desolo. “Destruíram minha vida. Ele é minha metade”, lastimava.
O Povo


