O PT informou nesta quarta-feira (15) por meio de nota que o tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, solicitou afastamento da Secretaria Nacional de Finanças da legenda.
A nota, assinada pelo presidente do PT, Rui Falcão, informa que Vaccari
pediu afastamento por questões "práticas e legais" e manifesta
"solidariedade" ao tesoureiro, preso nesta quarta
pela Polícia Federal durante a 12ª fase da Operação Lava Jato sob
suspeita de receber propina em esquema de corrupção na Petrobras. Vaccari sempre negou as acusações.
De acordo com assessoria de imprensa do PT, as razões "práticas" para o
afastamento são a impossibilidade de Vaccari exercer suas tarefas na
Secretaria de Finanças do partido do partido enquanto está preso.
Segundo a nota, a prisão de Vaccari é "injustificada" porque, afirma no
texto o presidente do PT, ele sempre se colocou à disposição das
autoridades para prestar esclarecimentos. O texto também informa que os
advogados de Vaccari ingressarão na Justiça com pedido de habeas corpus,
a fim de que ele seja libertado "no prazo mais curto possível".
"Reafirmamos nossa confiança na inocência de João Vaccari Neto, não só
pela sua conduta à frente da Secretaria Nacional de Finanças e
Planejamento, mas também porque, sob a égide do Estado Democrático de
Direito, prevalece o princípio fundamental de que todos são inocentes
até prova em contrário", diz o texto.
O anúncio do afastamento de Vaccari foi feito depois de uma reunião entre o presidente do partido, Rui Falcão, e o ex-presidente
Luiz Inácio Lula da Silva. Falcão estava em Brasília e, depois da
prisão de Vaccari, viajou para São Paulo, onde almoçou junto com Lula.
Novo tesoureiro
O secretário de comunicação do PT, José Américo, disse que o novo tesoureiro do PT deve ser definido até sexta-feira. Segundo ele, o partido não pode ficar sem tesoureiro por questões práticas como a assinatura de documentos.
O secretário nacional de Organização do PT, Florisvaldo Souza, disse
nesta quarta, ao sair do prédio do Diretório Nacional, em São Paulo, que
apesar da prisão de Vaccari, o partido precisa manter sua rotina.
"Temos um governo, temos o Congresso, a vida continua", afirmou.
Denúncias
Vaccari é réu em processo na Justiça Federal do Paraná que investiga as denúncias da Lava Jato. Ele é suspeito de ter recebido propina em esquema de corrupção que atuou dentro da Petrobras.
O ex-gerente de Serviços da estatal Pedro Barusco, também investigado,
afirmou em depoimento por meio de acordo de delação premiada que Vaccari
recebeu cerca de R$ 200 milhões em nome do PT no esquema investigado
pela Lava Jato.
As apurações da PF apontam que as propinas eram pagas por empreiteiras que firmavam contratos com a estatal.
O tesoureiro também é mencionado em depoimentos de outro delator da
Lava Jato, o doleiro Alberto Youssef, apontado como um dos operadores do
esquema. Youssef disse que chegou a mandar um funcionário entregar, na
frente da sede do PT, em São Paulo, R$ 400 mil para serem entregues a
Vaccari.
Tesoureiro nega
Em depoimento de quase oito horas no último dia 9 à CPI da Petrobras, Vaccari afirmou que nunca tratou de assuntos financeiros do partido com ex-diretores da Petrobras e que todas as doações recebidas pela legenda são legais, feitas por meio de transações bancárias e mediante recibo.
Em depoimento de quase oito horas no último dia 9 à CPI da Petrobras, Vaccari afirmou que nunca tratou de assuntos financeiros do partido com ex-diretores da Petrobras e que todas as doações recebidas pela legenda são legais, feitas por meio de transações bancárias e mediante recibo.
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