Sete pessoas suspeitas de terem participado do linchamento que levou à morte Cledenilson Pereira da Silva,
de 29 anos, no último dia 6 de julho, em São Luís, já foram indiciadas
pela Polícia Civil do Maranhão e responderão pelos crimes de homicídio
triplamente qualificado por motivo torpe e por tentativa de homicídio do
adolescente que também foi amarrado no poste.
Segundo o delegado responsável pelo caso, Guilherme de Sousa Filho, as
imagens ainda estão sendo analisadas e outras duas pessoas deverão ser
ouvidas ainda na próxima semana. “Esses depoimentos são imprescindíveis
para a elucidação completa do caso e também estamos no aguardo do laudo
de exame de local de morte violenta que vai realmente definir a dinâmica
de todo o fato delituoso”, disse.
Todos os indiciados no inquérito policial vão responder pelo homicídio
como autor, coautor e partícipe. No julgamento, o juiz deve analisar a
conduta de cada um para aplicar a pena. Quem teve participação menor vai
ter pena menor.
Ainda segundo o delegado, nenhum dos envolvidos tinha antecedentes
criminais. “Geralmente esses crimes que são comumente chamados de
linchamento são praticados por pessoas que não têm históricos de crimes.
São pessoas que vão passando naquele momento, revoltadas com algumas
coisas, foram vítimas de assaltos ou furtos e acabam se envolvendo”,
explicou o delegado.
A polícia tem até o dia 7 de agosto para finalizar o inquérito policial e entregar à Justiça.
Legítima Defesa
De acordo com o Código Penal Brasileiro no artigo 25, a legitima defesa
se caracteriza pela prática de um fato típico, previsto em lei como
crime, para repelir a injusta agressão de outrem a um bem jurídico seu
ou de terceiro.
Porém, o delegado Guilherme de Sousa Filho explica que não se aplica ao
caso do linchamento de Cledenilson. “Se naquele momento as pessoas que
estavam no bar o imobilizassem e entrassem em contato imediatamente com a
Polícia Militar eles estariam agindo em legítima defesa. Mas, o que a
gente percebeu ali foi um excesso da legitima defesa. Espancamento?
Lesões? Violação da dignidade da pessoa humana? Virou um espetáculo
macabro e isso a lei não permite”, disse
G1


