O presidente da República, Michel Temer, sancionou nesta quinta-feira (16), em cerimônia no Palácio do Planalto, a lei que estabelece a reforma do ensino médio.
Por ter sido enviada ao Congresso por meio de uma medida provisória, a
reforma tem força de lei desde a publicação no Diário Oficial, em
setembro do ano passado. No entanto, ainda não vai ser colocada em
prática. Isso porque a aplicação do novo modelo ainda depende da
definição Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que está sendo
elaborada e deve ser homologada em 2017.
A reforma do ensino médio é considerada pelo governo como uma das mais importantes da gestão de Temer.
Em discurso, o ministro Mendonça Filho defendeu que a discussão acerca
da reforma não começou no governo Temer, mas estendeu-se há 20 anos no
Congresso Nacional. Segundo o ministro, faltava “vontade política” para
dar seguimento à tramitação da “maior e mais importante reforma
estrutural básica” do país.
“Não há discussão que se inaugurou, essa discussão remonta há 20 anos.
Somente entre comissão especial e o início de tramitação de projeto,
completa-se, nesse ano, cinco anos. Não existia vontade política de
fazê-la passar. O quadro bastante crítico do ensino médio no Brasil
compromete vida de jovens”, afirmou.
Veja os principais pontos da reforma:
O texto aprovado permite que as escolas possam escolher como vão ocupar
40% da carga horária dos três anos do ensino médio: 60% será composto
de um conteúdo mínimo obrigatório, que será pela Base Nacional
Curricular Comum (BNCC), ainda em debate. Já o restante do tempo será
definido de acordo com a proposta da escola, que deverá oferecer aos
estudantes pelo menos um de cinco "itinerários formativos":
- linguagens e suas tecnologias
- matemática e suas tecnologias
- ciências da natureza e suas tecnologias
- ciências humanas e sociais aplicadas
- formação técnica e profissional
O ensino de português e de matemática será obrigatório nos três anos do
ensino médio. Também será compulsório o ensino de inglês, artes,
educação física, filosofia e sociologia.
Na versão original enviada pelo governo, a MP deixava claro que somente matemática e português seriam obrigatórios.
Isso gerou a principal polêmica em torno do texto. No Brasil, não
existe uma lei que especifica todas as disciplinas que deveriam
obrigatoriamente ser ensinadas na escola– esse documento será a BNCC.
Até então, a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) só citava explicitamente,
em trechos diversos, as disciplinas de português, matemática, artes,
educação física, filosofia e sociologia como obrigatórias nos três anos
do ensino médio.
Na versão original enviada pelo governo, a MP mudou isso, e retirou do
texto as disciplinas de artes, educação física, filosofia e sociologia.
Desde que foi apresentada pelo governo, em setembro, a reforma se
tornou alvo de protestos pelo país. Nos últimos meses de 2016,
estudantes chegaram a ocupar escolas para se manifestar contra a MP.
Tempo integral
Outro objetivo da reforma é incentivar o aumento da carga horária para
cumprir a meta 6 do Plano Nacional de Educação (PNE), que prevê que, até
2024, 50% das escolas e 25% das matrículas na educação básica
(incluindo os ensinos infantil, fundamental e médio) estejam no ensino
de tempo integral.
No ensino médio, a carga deve agora ser ampliada progressivamente até
atingir 1,4 mil horas anuais. Atualmente, o total é de 800 horas por
ano, de acordo com o MEC. No texto final, os senadores incluíram uma
meta intermediária: no prazo máximo de 5 anos, todas as escolas de
ensino médio do Brasil devem ter carga horária anual de pelo menos mil
horas. Não há previsão de sanções para gestores que não cumprirem a
meta.
G1



