Entre as infrações consideradas gravíssimas pelo Código de Trânsito
Brasileiro (CTB), duas avançaram e muito no Ceará em um ano. Segundo
informações do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-CE), em média,
38 motoristas são flagrados por dia dirigindo sem habilitação (CNH) e
outras 83 conduzindo veículo sem licenciamento. Entre janeiro e maio
desse ano, o órgão surpreendeu, durante as blitze realizadas em parceria
com a Polícia Rodoviária Estadual (PRE), 5.756 pessoas sem carteira.
Número 74% maior quando comparado a igual período do ano passado, quando
3.308 condutores foram multados pela irregularidade.
Além disso, nos cinco primeiros meses deste ano, 12.510 estavam guiando
algum veículo sem Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo
(CRLV). Em 2016, também no mesmo intervalo de tempo, 5.421 ou 36, em
média diariamente, encontravam-se sem o documento obrigatório. Um
aumento de 131% em relação a 2016.
Quando alguém é flagrado em uma dessas situações o veículo é
apreendido. Se a pessoa for dona do automóvel, ela tem que pagar uma
multa que pode chegar a R$ 780,41 (R$ 293,47 x 3). Caso a pessoa esteja
dirigindo um veículo emprestado, o proprietário do carro é punido com
autuação do mesmo valor e ainda tem a CNH suspensa.
Para o perito em trânsito, José Almeida Júnior, dirigir sem CNH é um
risco para todos envolvidos no trânsito. "A pessoa acha que não vai
acontecer nada se sair por aí dirigindo ou pilotando moto sem estar
habilitado ou sem o licenciamento do veículo. É preciso entender de uma
vez por todos é isso é muito perigoso e coloca vidas em risco", aponta,
explicando que mesmo não sendo crime tipificado no CTB, em casos de
pessoas com menos de 18 anos, os pais devem responder pelos atos de quem
não é habilitado quando há um acidente ou infração, ou seja, uma prisão
em flagrante.
O psicólogo especializado em trânsito, José Wagner Morais, disse que
muitas pessoas apreendem a dirigir com os pais, mas não foram habituadas
a respeitar as regras do trânsito, não têm conhecimento da sinalização,
de direção defensiva, o que pode provocar vários acidentes durante o
percurso e até mortes.
Um outro ponto colocado pelo especialista é o aumento da frota. "Isso
requer da parte dos órgãos, como da Autarquia Municipal de Trânsito
(AMC) e Detran mais investimentos no controle e fiscalização", frisa. A
frota de veículos da Capital é primeira do Norte e Nordeste e a sétima
maior do Brasil, com pouco mais de um milhão de veículos.
G1/CE



