É comum sentirmos que nossos batimentos cardíacos estão mais rápidos do
que o normal, principalmente quando praticamos exercícios, vivemos
experiências estimulantes ou sentimos medo, por exemplo.
Nessas situações, o organismo precisa que o coração bata mais rápido
para que o sangue bombeado por ele transporte mais oxigênio para o
restante do corpo. Esse processo acontece para potencializar a queima
dos açúcares e nutrientes que nos dão energia.
Porém, quando o ritmo dos batimentos está acelerado sem uma necessidade
específica, ou batendo fora de ritmo, diz-se que a pessoa apresenta uma
arritmia cardíaca.
Arritmias podem se manifestar de várias maneiras, com causas e
consequências diferentes, e dentre os tipos menos conhecidos de arritmia
está a fibrilação atrial (FA).
O tipo
A fibrilação atrial é uma doença que provoca desorganização na
atividade elétrica dos átrios, fazendo com que eles “fibrilem”, se
contraindo desordenadamente.
Ela pode prejudicar o bombeamento de sangue para o restante do corpo
e formar coágulos, que podem se deslocar do coração até os rins, pernas
ou intestino e, mais gravemente, causar um acidente vascular cerebral
(AVC) de tipo isquêmico, o derrame cerebral.
Na FA, o sangue bombeado de forma irregular, tem seu fluxo alterado ao
sair do coração, o que aumenta o risco de formação de pequenos coágulos
nos trombos.
Esses trombos podem migrar para as artérias carótidas, responsáveis por levar sangue ao cérebro e, obstruindo os vasos cerebrais, bloqueiam a circulação de sangue para o órgão, levando ao AVC do tipo mais comum (cerca de 85% dos casos).
A relação entre as duas doenças é, portanto, estreita, já que
portadores de FA têm cinco vezes mais chance de terem um AVC em relação a
pessoas com batimentos cardíacos regulares.
Sintomas e Diagnóstico
Para algumas pessoas, a fibrilação atrial não apresenta sintomas, mas
nas demais, os principais são palpitações, uma sensação de que o coração
está disparando e um forte mal-estar, além de tonturas e cansaço.
Esses sintomas costumam se manifestar em sua forma aguda, o que faz com que seu diagnóstico seja
feito em emergência.
O professor de Cardiologia da PUC Campinas, José Francisco Kerr
Saraiva, afirma que “pacientes de fibrilação atrial costumam chegar aos
hospitais e postos de saúde assustados, com batimentos cardíacos rápidos
e uma sensação de que o coração vai sair pela boca. Geralmente é nessa
situação que fazemos o diagnóstico, através de exames de pulso e
eletrocardiogramas”.
Pessoas que já tiveram infarto, fumantes, pessoas que consomem álcool e
café em excesso e que têm doenças da tireoide são mais propensas a
desenvolver fibrilação atrial, sobretudo quando são idosas.
A fibrilação atrial é mais comum entre idosos, especialmente os que têm
mais de 70 anos, e uma série de hábitos representam fatores de risco
para o seu surgimento.
Enquanto estima-se que apenas 2% da população adulta apresente a doença, entre idosos este índice sobe para 8%.
Outros hábitos, no entanto, representam fatores de prevenção
para a doença. Praticar exercícios regulares, por exemplo, leva a perda
de peso e redução da pressão arterial, o que ajuda a prevenir doenças
cardiovasculares, que podem levar à fibrilação atrial.
Tratamento
Para os que já têm a doença, o tratamento é feito de duas maneiras: de
um lado, o controle dos batimentos ou do ritmo cardíaco, e, do outro, a
prevenção da formação de coágulos.
Essa prevenção é feita a partir de medicamentos anticoagulantes,
que impedem a formação de trombos e diminuem as chances de ocorrência
de AVCs, cujo risco associado à FA aumenta conforme outras doenças se
somam.
“É importante lembrar que os AVC's decorrentes de coágulos deslocados
do coração para o cérebro são muito graves, podendo levar o individuo à
morte em 70% das vezes. No entanto, nossas opções de tratamento “afinam”
o sangue e ajudam pacientes com FA a viver bem e ter maior segurança",
afirma Saraiva.
Diário do Nordeste



