Nana Magalhães, mulher do deputado federal Francisco
Everardo Oliveira Silva (PR-SP), mais conhecido como Tiririca, resolveu
se pronunciar sobre a acusação de assédio sexual feita por uma ex-babá
da filha do humorista contra ele. No Instagram, Nana publicou uma foto
de um passeio do marido e a filha do casal pelo Rio e disse que
"defenderá sua família de criminosos e criminosas que terão de responder
pelos seus crimes na polícia".
"A real felicidade de uma
família sempre será mais forte que a inveja e o despeito. O amor que
nos une na fé em Deus é o mesmo que nos conforta, diante da maldade
alheia.
Por outro lado, mesmo certa da justiça de Deus, defenderei minha família de criminosos e criminosas, que terão de responder pelos seus crimes na polícia", postou ela, que é casada com o humorista há 20 anos.
Por outro lado, mesmo certa da justiça de Deus, defenderei minha família de criminosos e criminosas, que terão de responder pelos seus crimes na polícia", postou ela, que é casada com o humorista há 20 anos.
A ex-babá Maria Lúcia Gonçalves
Freitas de Lima, de 41 anos, entrou com uma reclamação trabalhista e
registrou ocorrência na 10ª Delegacia de Polícia de Brasília acusando o
humorista de assédio sexual. O deputado nega a acusação, afirmando que
tudo não passa de uma tentativa de extorsão contra ele.
O
deputado e sua mulher contestaram a ação trabalhista e também
apresentaram uma queixa policial contra a doméstica. Eles negam o crime e
alegam que Maria Lúcia quer levar "vantagem econômica indevida" a
partir dos "fatos inverídicos". Ela teria tentado extorquir dinheiro de
Tiririca e Nana: caso não lhe entregassem a quantia de R$ 100 mil na
rescisão do contrato, a ex-funcionária teria prometido prejudicar os
ex-patrões. Segundo eles, a doméstica foi demitida por consumir bebida
alcoólica no expediente e todos os débitos trabalhistas foram quitados.
Filha do casal teria defendido doméstica
Maria
Lúcia foi contratada em 1º de março de 2016 para cuidar da filha do
casal, e foi demitida, sem justa causa, com aviso prévio indenizado, em
29 de junho, de acordo com os autos. Em depoimento à polícia no último
20 de junho, a doméstica contou que se juntou à família do parlamentar
em duas viagens em maio do ano passado. No dia 24, foram a São Paulo,
onde Tiririca seria entrevistado no "Programa do Jô", da TV Globo, no
dia seguinte. Ainda de acordo com a declaração da ex-funcionária, ao
voltar do estúdio para seu apartamento na capital paulista, por volta
das 23h, o deputado "exalava odor etílico" e reclamou do quão comprido
era o nome da empregada.
Em seguida, ainda segundo o
relato da doméstica, Tiririca a agarrou pelo braço, jogou-a no sofá e a
segurou com força por trás e pela cintura. Ele dizia, segundo a
reclamante, que faria sexo anal e vaginal com ela. O deputado teria
desabotoado as calças, e a doméstica começou a ficar com medo. Depois,
conseguiu se soltar e ficou atrás do sofá até que o parlamentar teria
corrido atrás dela com as calças nos joelhos. A cena, segundo Maria
Lúcia, foi presenciada pela mulher de Tiririca, por assessores do
político e pela filha de 8 anos do casal — a única que a teria
defendido, enquanto os outros riam.
A menina teria
empurrado o pai, que teria caído no chão e sido levado para a cama,
embriagado. Como não havia cama para todos no apartamento de São Paulo, a
doméstica foi obrigada a dormir no chão, em um edredom. No dia 26, a
família seguiu para um sítio do parlamentar em Fortaleza, no Ceará. Lá,
os excessos de cunho sexual não teriam parado. Em festas organizadas
pela família, Tiririca teria repetido os comentários sexuais toda vez
que via a funcionária e teria passado a mão nos cabelos e nas nádegas
dela, sem consentimento. "Se experimentar, vai gostar", teria dito.
Em
um passeio de lancha, Tiririca teria ainda mergulhado na água com o
celular de Maria Lúcia, que guardava um vídeo no qual ele falava
"besteiras" para ela. Mais tarde, teria chantageado a mulher com a
garantia do emprego para ter relações sexuais com ela. Ainda em
Fortaleza, a patroa teria procurado a doméstica e defendido que o marido
agia daquela forma por gostar da funcionária. A autora da queixa
relatou à polícia que se sentia "ofendida" e "menos valorizada que um
cachorro". Ela negou no depoimento que tivesse cobrado R$ 100 mil do
casal.
Na ação policial, Nana solicitou providências das
autoridades contra a doméstica, "com receio" de que as "acusações
infundadas" prejudicassem a imagem dela e do marido. O advogado do casal
argumenta na contestação da queixa que Maria Lúcia tenta usar o
estereótipo do personagem de Tiririca para lhe atribuir os mesmos
comportamentos, às vezes chulos, em sua vida pessoal e privada.
"Não
se pode conceber um preconceito em relação à atividade artística (...)
No palco o 2 Reclamado interpreta um palhaço com linguajar coloquial, e
por vezes, com vocabulário chulo. Isso não significa que o 2 Reclamado
traga para sua vida pessoal o comportamento do personagem que
interpreta", escreveu o advogado Fernando de Carvalho e Albuquerque.
Ao
receber o processo, o ministro Celso de Mello ordenou que a etiqueta
dos autos fosse mudada de "crime contra o patrimônio/extorsão" para
"crime contra a liberdade sexual". Ele argumentou que a acusação contra a
doméstica deveria correr em primeiro grau, já que ela não dispõe de
foro privilegiado. O ministro vai analisar a queixa contra o deputado
federal.
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