Foi num clima de comoção que familiares e amigos deram nesta segunda-feira o último adeus a Kelly Regina Correa, 19 anos, assassinada com pedradas e facadas por três mulheres no último sábado ao chegar em casa em Curitiba. A Polícia Civil do Paraná investiga o caso - suspeita-se de crime passional - e já identificou a mentora do crime.
Kelly era natural de Ponta Grossa
e se mudou no ano passado para Curitiba, onde trabalhava numa rede de
supermercados. Elizeu dos Santos, tio da vítima, mantinha contato com a
sobrinha por redes sociais, já que permaneceu na cidade do interior paranaense.
Ele se chocou com a brutalidade com que ela foi morta.
"É muito triste. Vivemos num
mundo que está tendo muita barbaridade. As pessoas se esqueceram de Deus. Isso
deixa a gente chocado", afirmou. "Não existe morte boa, mas o que nos
assustou foi a crueldade. Houve requintes de crueldade. Vamos supor que a
pessoa não gostasse dela e desse um golpe com a faca... Mas o que deixou a
gente chocado foi a forma como aconteceu".
Apesar da violência do crime, o
clima no velório da jovem, na Capela Municipal do Boqueirão, em Curitiba, e no
enterro, em Almirante Tamandaré, não era de revolta. "Houve comoção, muita
gente chorando, mas não revolta. Minha cunhada e boa parte da família é
evangélica, com mentalidade diferenciada. Acreditamos muito em justiça divina.
Se tiver que ser feito alguma coisa, Deus que vai fazer. A mãe dela é
religiosa. Não havia clima de retaliação", explicou Elizeu.
![]() |
| Reprodução/Facebook |
O tio conta que acompanhou
praticamente toda a vida da vítima, já que conheceu a esposa, irmã da mãe de
Kelly, pouco depois do nascimento da menina. Eles chegaram a morar juntos por
três meses em Ponta Grossa. "Tinha uma grande afinidade por ela, um
sentimento diferente", comentou Elizeu, que confia que as responsáveis
pelo assassinato da sobrinha serão encontrados.
"Tenho plena confiança de
que os órgãos competentes vão fazer da melhor forma possível e ter resposta
concreta do que aconteceu. Que tudo seja elucidado para que nunca mais alguém
passe isso. Não existe idade boa hora pra morrer, mas ela tinha só 19 anos,
muitos sonhos... Era uma jovem bonita, que sempre trabalhou. Teria
oportunidades de ser feliz", concluiu.
A dor das amigas
Kika, 21 anos, era amiga de Kelly
e também chegou a morar com a jovem por um curto espaço de tempo. A manicure
foi de Ponta Grossa a Curitiba para se despedir nesta segunda-feira.
"Ela era uma pessoa muito
alegre, humilde, que se dava bem com muita gente. Era feliz, sempre com sorriso
no rosto, e muito trabalhadeira. Trabalhava desde os 13 anos, seja em
restaurantes como garçonete, em eventos e até na praia. Foi uma
brutalidade", lamentou.
Como está em Ponta Grossa, Kika
disse não ter tido informações sobre o possível relacionamento que pode ter
custado a vida da amiga. "Pelo que me contaram, o rapaz com quem ela se
envolveu era casado, mas não contou pra ela. Parece que foi preso há uma
semana".
Tainara, 21 anos e também amiga
da vítima, não entende os motivos para tanta violência. "É um absurdo.
Ninguém merece não ter como se defender. São pessoas que não têm coração"
O caso
Kelly Regina Correa, 19 anos, foi
morta com brutalidade por pedradas e facadas de três mulheres na noite do
último sábado no bairro Pinheirinho, em Curitiba. A Divisão de Homicídios e
Proteção à Pessoa (DHPP) da capital paranaense iniciou as investigações.
De acordo com a delegada Aline
Manzatto, responsável pelo caso, a jovem foi abordada pelo trio assim que
chegou em casa na Rua Pedro Zavarski. Informações preliminares apontam que duas
das suspeitas seguraram a jovem e impediram que ela entrasse, enquanto a
mentora do crime iniciou as agressões.
Testemunhas relataram que a jovem
chegou a levar pedradas antes de ser esfaqueada. A Polícia Civil já identificou
a principal autora do crime e também está em busca das duas comparsas.
O motivo do assassinato seria um
problema passional: Kelly estava trocando mensagens com o namorado da autora,
que está preso, e chegou a discutir verbalmente com a suspeita na sexta-feira.
Antes do crime, segundo a polícia, ela também foi ameaçada por telefone.
A polícia analisa áudios e
mensagens do celular da vítima e também câmeras de segurança do local do crime
que possam ajudar na elucidação do caso. Familiares de Kelly também deverão ser
ouvidos na delegacia.
UOL




