A desestatização será o principal conselho do prefeito de São Paulo,
João Doria, aos líderes cearenses durante palestra que ele irá ministrar
no I Fórum Empresarial de Gestão, nesta sexta-feira (18). Ao falar
sobre "práticas inovadoras na gestão de cidades", o chefe do Executivo
paulistano aponta a estratégia de aliar-se ao setor privado como forma
de dinamizar a economia e promover a geração de empregos.
"A desestatização torna o Estado menor, mais eficiente e mais
produtivo. Os empregos precisam ser gerados pelo setor privado, que pode
pagar melhor, garante plano de saúde, plano odontológico e deixa o
Estado atuar onde é necessário: saúde, educação, habitação...", adiantou
Doria por telefone, enquanto ainda estava em Natal (RN), na última
quarta-feira (16).
Ao classificar a desestatização como "a chave para o desenvolvimento
econômico e social", o prefeito afirma que promover a saída do Estado de
determinadas áreas "é saudável para um País que deseja ser moderno" e
"somente em regimes totalitários de extrema direita, extrema esquerda ou
fundamentalistas religiosos é que isso não é reconhecido".
De acordo com ele, as ideias que levará aos cearenses - com destaque
para a parceria com empresários - alimenta "o sentimento de
compartilhamento de ideias e propostas que, em São Paulo, estão
funcionando muito bem". Na capital cearense, João Doria será
recepcionado pelo senador Tasso Jereissati, presidente interino do PSDB -
mesmo partido do prefeito de São Paulo -, e por diversos líderes
empresariais locais, uma vez que o evento é promovido pela Federação das
Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), Câmara dos Dirigentes Lojistas
(CDL) de Fortaleza e ainda conta com o apoio institucional do Grupo de
Líderes Empresariais do Ceará (Lide).
Compreendendo o Brasil
Ao ser perguntado sobre o compartilhamento de experiências que disse
estar praticando com os representantes do Nordeste e a conjuntura
político-econômica do País, Doria fez questão de afirmar que está
"compreendendo o Brasil como um todo, um só, e não um Brasil pobre e um
Brasil rico".
"A intenção é que a administração pública veja também um único País",
observa o prefeito. Na análise de Doria sobre a crise
político-econômica, "a fase mais turbulenta da política ao meu ver já
passou". Sobre a proposta em análise no Congresso de aumentar o déficit
do governo de R$ 139 bilhões para R$ 159 bilhões neste ano e também no
próximo, o prefeito de São Paulo afirmou "que ainda é cedo para avaliar o
assunto".
Confiança em medidas
No entanto, ele apontou o ministro Henrique Meirelles e a equipe
econômica do governo federal como merecedores de confiança e defendeu a
manutenção do trabalho deles como forma de "proteger a economia do
País". "Precisamos garantir a continuidade daqueles que estão garantindo
o progresso, fazendo o controle fiscal, atraindo novos investimentos,
combatendo a corrupção", afirmou. As reformas trabalhista e da
Previdência devem ser o foco neste momento para Doria, o qual disse
acreditar na aprovação delas em 2017 e, "quem sabe, realizar a discussão
da reforma tributária no início do ano que vem".
Diário do Nordeste
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