Na Escola Municipal de Ensino
Fundamental (Emef) João Amós Comenius, zona norte de São Paulo, desde o começo
deste mês, foi implementada uma novidade em relação às merendas
industrializadas. Os alunos estão recebendo uma marca na mão - uma bola ou um
risco -, feita por caneta, que serve como forma de controle para saber quem já
merendou. As informações são da Folha de S. Paulo.
A avó de um estudante afirmou
que, na semana passada, o neto chegou em casa com uma bolinha pintada na mão
explicando que, com ela, não poderia repetir a refeição. Ela afirma que ele não
costuma comer na escola, mas como era um lanche que o garoto gostava, quis
repetir e foi impedido.
Outro relato similar vem da
estudante Brenda Soares, que disse que o irmão de 10 anos também já chegou em
casa com a marca na mão. Brenda diz que a novidade é negativa, visto que muitas
crianças fazem a principal refeição na escola.
No mês de julho, a prefeitura
afirmou que iria mudar o cardápio das escolas. A gestão Doria (PSDB) afirmou
que o consumo dos alimentos deveria ser moderado, pois não eram saudáveis.
Conforme a Secretaria Municipal da Educação, os alunos podem repetir a refeição
quando são servidos grãos, frutas e verduras e não alimentos industrializados.
Especialistas em educação, no
entanto, detectam falhas na argumentação da secretaria. Para a mestre em
psicologia educacional, Flávia Vivaldi, a justificativa não combina com o
ambiente educacional. Ela entende que, se o alimento industrializado não é
saudável, ele deve ser trocado. Indagação parecida faz a pedagoga Luciene
Tognetta, professora da Universidade Estadual Paulista (Unesp), questionando o
porquê do alimento industrializado na escola, já que não é saudável.
Além da questão da qualidade dos
alimentos, Luciene diz que o método atual faz o aluno passar por uma situação
de humilhação.
O secretário municipal da
Educação, Alexandre Schneider, afirmou que a ação da escola é
"inadimissível". Ele disse que condenada a marcação da mão das
crianças e que a escola já foi notificada e repreendida. Ele também informou a
abertura de um procedimento, oportunidade para a diretora se defender, mas que
pode resultar em sua punição.
O Povo Online



