O pai do aluno de 14 anos que atirou contra colegas dentro de uma
escola de Goiânia prestou depoimento na Delegacia de Polícia de Apuração
de Atos Infracionais (Depai) na manhã desta segunda-feira (23). Ele,
que é policial militar, chegou por volta de 9h15 e não quis gravar
entrevistas. O adolescente segue apreendido.
O depoimento durou cerca de 1h30. O pai do aluno estava acompanhado da
advogada. "Ele [pai] estava sereno, tranquilo, mas muito abalado com o
que aconteceu. Ninguém sabia que ele sofria bullying, foi uma surpresa
para todos", disse o escrivão Marcos Paulo Passos, que colheu o
depoimento.
Após a oitiva, ele e a defensora ficaram em uma sala reservada por
alguns minutos e, em seguida, deixaram o local às 11h35. O pai não quis
falar sobre o assunto. "Eu pretendo falar em outra oportunidade, em
outro momento", disse.
No depoimento, o pai relatou à polícia que nunca recebeu reclamações do
filho sobre comentários ou atitudes ofensivas. Com relação à arma, o
policial militar explicou ela estava descarregada e em cima do guarda
roupas. Já a munição ficava trancada em uma gaveta em outro quarto. Ele
explicou ainda que não sabe como o filho conseguiu a chave para ter
acesso às balas.
O escrivão informou ainda que, durante o depoimento, o pai falou que o
adolescente nunca teve acesso a arma, pediu para vê-la ou atirar.
A Polícia Civil também apreendeu o tablet do adolescente, que vai ser
periciado para saber se o aluno fazia pesquisas sobre arma ou como
planejou o crime.
O crime aconteceu na manhã de sexta-feira (20) em
uma sala de aula do 8º ano do Colégio Goyases, no Conjunto Riviera, em
Goiânia. Os disparos aconteceram no intervalo entre duas aulas.
Segundo o delegado Luiz Gonzaga Júnior, responsável pelo caso, o autor dos disparos disse que sofria bullying de um colega e, inspirado em massacres como o de Columbine, nos Estados Unidos, e o de Realengo,
no Rio de Janeiro, decidiu cometer o crime. Filho de policiais
militares, ele pegou a pistola .40 da mãe e a levou para a unidade
educacional dentro da mochila.
Os estudantes João Vitor Gomes e João Pedro Calembo, de 13 anos,
morreram no local. Os outros quatro alunos baleados foram socorridos e
levados a hospitais de Goiânia. Um deles, Hyago Marques, recebeu alta neste domingo e já se recupera em casa, mas outros três seguem internados.
G1



