Ponte sobre o Rio Ceará completa 20


A Ponte José Martins Rodrigues, ou Ponte do Rio Ceará, foi inaugurada oficialmente em 11 de outubro de 1997, completando nesta quarta 20 anos de sua entrega. O equipamento, fonte de controvérsias e polêmicas desde a sua construção, trazia como objetivo principal fazer a integração física entre o litoral de Fortaleza e de Caucaia, antes separados pelo leito do Rio Ceará. 

Consequências de longo prazo, como a urbanização intensa e a ocupação das margens, são hoje percebidas como resultantes da intervenção que se tornou um marco da paisagem na Barra do Ceará.
A ponte leva o nome de José Martins Rodrigues, cearense defensor dos direitos humanos, e foi concluída após quatro anos de obras no mandato de Juraci Magalhães. Com cobrança de pedágio por cinco anos - encerrado em 31 de agosto de 2013 -, a construção do que viria a ser a maior ponte do Estado foi acompanhada também pela promessa de um projeto de urbanização na área da antiga Fortaleza, que nunca foi efetivado. A Barra do Ceará, hoje com 413 anos de história, faz parte do percurso de quem se desloca diariamente entre Caucaia e a Capital, e a ponte compõe a essência histórica que marca a região.

A edição impressa do Diário do Nordeste do dia 11 de outubro de 1997
traz a notícia da inauguração da ponte do Rio Ceará
A ponte, segundo Aécio Holanda, do gabinete do secretário da Regional 1, carrega uma indispensável função para a comunidade do litoral oeste de Fortaleza. "A ponte foi muito importante para conectar a Barra do Ceará a Fortaleza e ao restante do litoral. A Prefeitura também compreende que ainda é preciso buscar a requalificação da área e dar um suporte maior à comunidade, que é vítima da violência", conta Aécio Holanda.

Alberto Lopes, proprietário de uma das mais antigas barracas de praia do entorno, afirma que a construção da ponte não trouxe tantos benefícios quanto foram prometidos. O comerciante reside na Barra há 53 anos e presenciou todo o processo de construção do equipamento, lembrando que o projeto de urbanização - para ele, o principal elemento da obra - se faz necessário ainda hoje. "Esqueceram de investir no ser humano. A ponte permitiu a urbanização desordenada e a ocupação irregular da área de mangue, além de ter desqualificado a área da praia", diz o também ativista comunitário.

O componente do movimento Barra Unida, Davi da Pompeia, atravessando o Rio Ceará, falou de como o equipamento favoreceu a cidade de Caucaia, mas deixou lacunas para a população da Barra: "Haviam 80 barcos em funcionamento aqui na praia, fazendo a travessia. Hoje, restaram apenas oito. O movimento turístico também teve perdas relevantes", conta Pompeia.

Projetos
O Movimento Barra Unida, junto com a Secretaria da Regional 1, o Sesc e ainda ativistas comunitários, está desenvolvendo uma ação de requalificação da orla da Barra do Ceará. Com cerca de quatro reuniões já realizadas, o objetivo é organizar um fórum permanente de requalificação que una gestão e comunidade em prol da estruturação da Barra do Ceará.

"É sentar pra tentar organizar esse fórum, organizar a comunidade para esse momento de requalificação, de atrair atividades culturais, de adoção do espaço da praia, trabalhando nesse sentido", diz Aécio Holanda, representante da Regional 1. O representante da Barra Unida, Davi da Pompeia, pontua que "o objetivo do Barra Unida é unir a todos para trazer melhorias substanciais para nossa população, tão pouco assistida".

Diário do Nordeste

Postagens mais visitadas do mês