O movimento feito pelo senador Aécio Neves (MG) ao destituir o colega
Tasso Jereissati (CE) da presidência interina do PSDB teve apoio do
Palácio do Planalto. Na avaliação do núcleo político do governo, a
estratégia pode ter impacto na operação que vinha sendo capitaneada por
Tasso para o partido desembarcar do governo.
Nos bastidores, auxiliares do presidente Michel Temer (PMDB) afirmam que
"uma coisa é a separação amigável e, outra, o divórcio litigioso". No
núcleo político do Planalto, o diagnóstico é de que os tucanos, hoje com
quatro ministérios, podem até decidir deixar a equipe na convenção de 9
de dezembro, mas cargos da "cota pessoal" do presidente devem ser
preservados.
O novo presidente interino do PSDB, Alberto Goldman, é aliado do
ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, e do senador
José Serra (PSDB-SP). Tasso vai disputar o comando do PSDB com o
governador de Goiás, Marconi Perillo, e quer que o partido desembarque
do governo. Goldman e Marconi Perillo são favoráveis à permanência.
Além do Itamaraty, os tucanos comandam ainda o Ministério das Cidades,
com Bruno Araújo, a Secretaria de Governo, com Antonio Imbassahy, e
Direitos Humanos, nas mãos de Luislinda Valois.
Pressionado por deputados do Centrão, Temer disse nesta quinta-feira (9)
que uma reforma ministerial "será inevitável" para assegurar a
aprovação das mudanças na Previdência.
Evitou, porém, fixar uma data para as trocas na equipe. O Centrão -
composto por partidos médios, como o PP, o PR e o PTB -, exige a
substituição de Imbassahy, responsável pela articulação política com o
Congresso, e quer Cidades, que tem orçamento mais vistoso.
UOL



