Se o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não conseguir disputar a
eleição presidencial deste ano, em razão de uma possível condenação em
segunda instância na Justiça, isso poderá enfraquecer a candidatura do
deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), afirmou ao Broadcast Político,
serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado, o cientista político
André César, consultor da Hold Assessoria Legislativa.
Para ele, aqueles que votam em Bolsonaro porque rejeitam Lula poderão
analisar as outras opções com mais calma caso o petista esteja fora da
disputa. Confira os principais trechos da entrevista:
Qual a chance de o deputado Jair Bolsonaro chegar ao segundo turno na eleição para presidente?
É limitada a força do Bolsonaro. Primeiro porque é uma candidatura
pequena, que terá pouco tempo de propaganda no rádio e na TV. E o teto
dele é baixo, porque a rejeição é grande, então, será muito complicado
para ele um eventual segundo turno. O que é possível, inclusive, é que
ele nem seja candidato a presidente, se ele sentir que será uma
empreitada muito difícil, ao mesmo tempo em que tem uma reeleição
garantida para a Câmara. Ele pode até tentar o Senado. Tudo, por
enquanto, está no plano da especulação e, no caso dele, isso é bastante
claro. Ele sabe também que tem limitações como homem público, com as
cascas de bananas que estão sendo jogadas para ele pela imprensa.
Mas candidaturas com pouco tempo de rádio e TV vão apostar nas redes
sociais. O rádio e a TV vão continuar mais importantes que as redes
sociais?
As redes sociais estão crescendo. Ainda não temos no Brasil um estudo
mais aprofundado ou mais relevante sobre o tema. De fato, sabemos que
estão aumentando o acesso, a audiência e a penetração do cidadão às
redes sociais. As redes sociais terão mais importância, mas, no limite,
TV e rádio são muito importantes. E outra coisa: quem assiste programa
eleitoral, vê o começo e o final. Vão ver os primeiros dias e depois,
para definição do voto, os últimos dias de campanha. E o Bolsonaro não
terá tempo de passar sua mensagem.
Como uma possível condenação de Lula pode afetar a chance de outros candidatos?
Essa é uma grande incógnita. O que se sabe é que muitas pessoas que
votam no Bolsonaro são pessoas que não querem de jeito nenhum que o Lula
volte. Com o Lula fora da disputa, pode ser que esses eleitores
repensem o voto dele, analisando com mais calma as demais candidaturas.
Outro efeito é que outras candidaturas de esquerda podem ter algum ganho
com a saída de Lula, como a do Ciro Gomes.
Essa será uma eleição em que a conjuntura estará mais favorável a discursos radicais?
Estamos vendo hoje o discurso da antipolítica ou da nova política. Esses
movimentos que estão surgindo, como Renova Brasil, Livres e o Novo, não
foram inventados aqui e já estavam ocorrendo antes na Europa. E aqui as
crises políticas recorrentes, do mensalão ao petrolão, estão cansando o
cidadão comum, porque ele tem a sensação de que a política virou
polícia. Mas esse discurso de nova política tem de ser bem calibrado na
campanha, porque você pode colocar tudo a perder enquanto proposta.
Agência Estado



