A água fornecida pelos carros-pipa está sem qualidade porque os
reservatórios estão secando. A dessalinizada é pura e evita doenças de
veiculação hídrica. O Ceará é o Estado do Nordeste com o maior número de
dessalinizadores instalados pelo Água Doce, gerenciado pela Secretaria
de Recursos Hídricos (SRH) e financiado pelo Ministério do Meio Ambiente
(MMA).
Ampliação
Geralmente, os equipamentos se destinam ao atendimento de localidades
isoladas, com mais de 20 famílias, e a água é exclusivamente para
consumo humano. "A situação vem se agravando demais e estamos
reivindicando ao governo federal mais recursos para implantarmos mais
sistemas, inclusive em comunidades maiores", observou o coordenador do
Programa Água Doce, Ricardo Marques.
A construção e instalação de uma unidade completa (poço, casa da
máquina, caixas de água e de rejeito e chafariz) custam, em média, R$
150 mil. Já o dessalinizador, varia em torno de R$ 70 mil, mas depende
da capacidade de processamento em quantidade de água por hora.
O caráter associativo e educativo do Água Doce é destacado pelo
coordenador e pelo superintendente adjunto da Superintendência de Obras
Hidráulicas (Sohidra), Vanderley Guimarães. O acesso à água é por meio
de pagamento e o sistema é gerenciado por uma associação de moradores.
Dependendo do número de famílias, cada 20 litros de água custam R$ 1.
Os moradores compram fichas (semelhantes às antigas telefônicas) e
colocam no equipamento que libera 20 litros. "Isso aqui é água pura,
mineral", comemora a moradora Francisca Marques, do Sítio Mateus,
Município de Mombaça. "Agora não precisamos mais de carro-pipa".
Viabilidade
O sistema para ser instalado passa por uma análise de viabilidade do
poço profundo, acesso à rede elétrica e outras condicionantes. "Não é um
programa emergencial, mas estruturante", frisou Ricardo Marques. "Se
houver manutenção, o dessalinizador tem duração de longo prazo, sem
problemas". Os moradores beneficiados são capacitados e os recursos
arrecadados destinam-se a um fundo associativo.
Vanderley Guimarães disse que a instalação de dessalinizadores tem uma
avaliação positiva. "Salvamos vida fornecendo água de qualidade e os
equipamentos, em sua maioria, funcionam regularmente", frisou. O
superintendente da Sohidra disse que o programa tem preocupação com o
rejeito (a água salgada) que é separada e pode afetar o meio ambiente.
"Seguimos protocolo da pasta ambiental e o rejeito é colocado em uma
caixa e pode ser usado no cultivo de palma forrageira e na criação de
alguns pescados", explicou.
Além da SRH, Sohidra e Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec)
também instalam sistemas de dessalinizadores, que apresentam modelos
mais simples daqueles utilizados pelo Água Doce. Em 2015, havia 460
implantados pela Sohidra. A Superintendência não forneceu números
atuais. Os equipamentos podem variar de 400 l/s, 800 l/s e 1.200 l/s. "A
tendência é aumentar a demanda e a instalação desses sistemas
localizados de abastecimento porque a crise hídrica que enfrentamos é a
mais grave", pontuou o secretário Executivo da SRH, Aderilo Alcântara.
Os dessalinizadores precisam de poços profundos como fonte de água. Em
30 anos da Sohidra, foram perfurados 11.115 poços, e no atual governo,
4.624, equivalente a 41,6%. Em 2012, foram instalados 261 e em 2016,
1.994. "A demanda é sempre crescente e há 19 perfuratrizes em campo",
disse Guimarães.
Diário do Nordeste


