Graças às chuvas deste mês, o volume médio dos 155 açudes monitorados
pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) praticamente
dobrou. Passou de 8.3%, em 31 de março, para os atuais 16%. Foi um
alívio. Mesmo assim, o quadro continua crítico e há ainda seis
reservatórios secos e sete com menos de 1%.
Este abril segue como o mais chuvoso desde 2009. A Fundação Cearense de
Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) registrou, entre 7h de
domingo e 7h de ontem chuvas em 109 municípios. As três maiores caíram
sobre Quixadá (66mm), São João do Jaguaribe (48.2mm) e Ibicuitinga
(45mm).
Para hoje, a Funceme prevê possibilidade de chuva no Centro-Norte do
Estado e para amanhã, o inverso, favorável a chuva no Centro-Sul. Neste
período do ano, as chuvas decorrem da aproximação da Zona de
Convergência Intertropical (ZCIT), que é uma banda de nuvens formada
pela confluência dos ventos alísios dos hemisférios Norte e Sul.
Açudes
Dos seis açudes que permanecem secos, quatro estão na Bacia do Alto
Jaguaribe: Carão, em Tamboril; Faé, em Quixelô; e Monte Belo, em
Araripe. O reservatório Carão, em Tamboril, integra a Bacia do Acaraú; e
o Serafim Dias, em Mombaça, faz parte da Bacia do Banabuiú.
O gerente do escritório regional da Cogerh em Iguatu, Anatarino Torres,
explicou que a irregularidade e a ocorrência de chuvas localizadas, que
são características do Semiárido nordestino, fazem com que açudes em um
mesmo município ou próximos tenham recargas diferenciadas. "Há também
outro fator, que é a existência de outros reservatórios a montante, ou
seja, acima, que retém as águas. "Neste caso, é preciso que o açude
anterior transborde", explica.
Em Quixelô, o Açude Faé está seco desde 2016. "Em 2013, chegou a ter um
milhão de m³ de água, mas veio perdendo volume a cada ano", observou
Torres. "O Faé fica abaixo do açude Angicos, que fica entre Acopiara e
Quixelô, e somente recebe água do riacho, quando o anterior sangra".
Anatarino Torres exemplificou que, nos últimos três anos, as chuvas têm
sido escassas nos municípios de Acopiara, Mombaça, Piquet Carneiro,
Catarina, Pedra Branca, parte de Tauá e Arneiroz. "Por isso, há
reservatórios secos e com reduzido volume", frisou. "Temos tido invernos
fracos e, neste ano, houve uma melhoria, mas as chuvas são
localizadas".
Isso faz com que, em Tauá, o Açude Trici (86,60%) tenha obtido
significativa recarga e possa até sangrar, por causa de chuvas na região
de Quiterianópolis e Parambu. Entretanto, os reservatórios Forquilha II
e Favelas permanecem secos, e o Broco está com reduzido volume.
Em Araripe, o Açude Monte Belo continua seco e a explicação assemelha-se
ao que se verifica em outros municípios. "Os açudes Pau Preto e João
Luís retém a água, impedindo a chegada ao Monte Belo", pontuou
Anatarino. "No Sertão Central, há áreas que foram favorecidas por boas
chuvas, parte de Quixeramobim, Quixadá e Morada Nova, enquanto que em
outras partes as chuvas ficaram escassas".
O açude Serafim Dias permanece seco em Mombaça e dezenas de carros-pipa
diariamente deslocam-se até Iguatu para retirar água do Trussu. O mesmo
ocorre com o São José II, em Piquet Carneiro, que está com menos de 1%.
"O Trussu teve uma pequena recarga neste fim de semana e o nível subiu 9
cm, mas desde 2012 não recebe recarga por que as chuvas em Acopiara e
Catarina continuam reduzidas", frisou. "É um reservatório estratégico
para o abastecimento de Iguatu e Acopiara".
Em Quixeramobim, a barragem de mesmo nome, que estava seca, em apenas
quatro dias recebeu significativa recarga, neste abril, e atualmente
está com 76,32%, mantendo a possibilidade de sangria, caso ocorram
chuvas na região. Já o açude Monsenhor Tabosa, está com apenas 0,22%.
"São realidades díspares em um mesmo município por causa das chuvas
irregulares", confirmou o presidente do Sindicato Rural, Cirilo Vidal.
Diário do Nordeste



