Você está em: CIDADE , IPU , PRINCIPAL // Notícia de Fagner Freire // 19 de agosto de 2018

O 12º Fui acontece de 20 a 25 de agosto em Ipu (CE). Este ano, o evento pontua a vocação literária da região.

A partir desta segunda (20), até sábado (25), acontece a 12ª edição do Festival União da Ibiapaba (Fui). O evento reúne várias linguagens artísticas e, este ano, ocorre no município do Ipu (a 257km de Fortaleza). Shows, saraus musicais, mostra de cinema, feira de livro e de artesanato, entre outras atividades, compõem a programação. Renegados ( Foto: Régis Capibaribe )

Na abertura, o festival traz, a partir das 19h, a palestra “Uso da leitura como ferramenta de ampliação de repertório no ensino fundamental” no auditório da Escola Patronato.

Já a programação musical inclui nomes locais e nacionais ao longo dos seis dias de programação, como o Grupo Choro Feliz (Ipu), Igo Negão (Ipu), Transacionais, Pedro e Benício, Dona Leda, Renegados, Amado Batista e Toca do Vale.

Em entrevista por telefone, o produtor e músico Rogério Soares, um dos idealizadores do FUI, observa que, desde a primeira edição, o evento se propõe a ocupar várias cidades da região da Ibiapaba. “Acreditamos que é através da união que damos uma visibilidade maior a essa região do Ceará, para o Nordeste e para todo o Brasil. Mais de três mil artistas já participaram (das edições anteriores), e mais de 2.500 oficinandos também”, recapitula.

Rogério enfatiza que a produção do FUI procura incentivar, através das oficinas e dos debates, a formação artístico-cultural na região; e ainda identificar as vocações artísticas de cada um dos municípios da Ibiapaba. No caso do Ipu, ele destaca como a cidade reúne um grupo considerável de escritores e até mantém uma Academia municipal de Letras.

Na programação desta 12º edição, a ação “Bienal fora da Bienal”, realizada em parceria com a Secretaria da Cultura do Estado (Secult/CE), pontua essa vocação. “Ipu se destaca no número de escritores, até brinco que lá tem mais escritores do que feirantes (risos). Geralmente, no Interior, há muitas feiras. E a cidade ainda é uma das poucas, no Estado, que mantém uma academia municipal de letras”, detalha Rogério.
Renegados ( Foto: Régis Capibaribe )

Musica

Como projeto da Federação das Artes do Ceará, entidade que promove o FUI, Rogério recapitula a realização, em setembro do ano passado, do I Festival de Teatro da Ibiapaba, em Guaraciaba do Norte, outro município da região. “Nossa ideia é ajudar a despertar o potencial cultural de cada cidade”, sintetiza o produtor. De 23 a 25 de agosto, dentro da programação geral do festival, acontece o II Fui Fest (Festival de Música Autoral da Ibiapaba). Este ano, 12 bandas e compositores da região se apresentam, cada um com três composições próprias, concorrendo a uma premiação. Rogério Soares situa que desde 2007, ano da primeira edição do FUI, a ideia era promover um evento em torno de diversas linguagens artísticas. O produtor e músico percebeu o apelo quando ele e a família foram receber uma homenagem à memória de seu pai, o professor Oscar Costa Sousa, em São Benedito (CE).

“Nos surpreendeu a diversidade cultural nessa ocasião, em São Benedito. Imediatamente, convocamos o Ministério da Cultura para olhar para aquela região. E levamos umas oficinas, via Lei Rouanet”, conta.

Em comparação, ele cita que o Festival Música na Ibiapaba, realizado pela Secult (e hoje conhecido como “Mi”), fixou-se em Viçosa do Ceará, e sobrou a preocupação, para organização do FUI, de levar programação para os demais municípios da região.

Intercâmbio

O produtor pondera, no entanto, que independente de qual seja o município-sede de cada edição, a programação sempre é voltada a toda a região serrana. “A gente potencializa algumas culturas da sede, mas o festival hoje já foi eleito, pela Assembleia Legislativa do Ceará, como parte do calendário oficial da cultura do Estado”, destaca Rogério.

Questionado sobre foi o caminho para realizar esta edição do festival (ao mesmo tempo em que a queixa de produtores culturais sobre a captação de recursos públicos segue forte), Rogério cita o irmão Régis (também músico), para ilustrar como se trata de gastar “muita sola de sapato” a fim de dar conta do projeto.

“É uma determinação, e temos como princípio a valorização da cultura, porque sem ela a sociedade, de fato, não se desenvolve. A Ibiapaba tem uma vocação turística fantástica, que tem sido implantada. Mas a gente defende, desde o início do festival, que é necessária a ação cultural para que isso aconteça”, observa.

Ele identifica como o projeto procura agregar valor ao apelo da natureza da região (serrana, com muito verde) e sinaliza para o fato de que a Ibiapaba precisa de mais visibilidade a respeito da força de sua cultura.

“Nós queremos ver a região tão forte quanto o Cariri. No Cariri, valoriza-se muito a cultura, e o resultado é seu intercâmbio com o mundo. A gente defende essa integração das artes, do turismo, com o meio ambiente: o berço de ouro ali é a natureza”, compara Rogério Soares.

Mais informações

12º Festival União da Ibiapaba. Com shows, debates, oficinas, feira de livro e artesanato e mostra de cinema. De 20 a 25 de agosto, no município do Ipu (CE). Gratuito.

Programação


Diário do Nordeste
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