Você está em: CEARA // Notícia de Fagner Freire // 17 de outubro de 2018


Após uma noite de motins em unidades penitenciárias do Estado, protesto capitaneado por companheiras de presos foi realizado ontem. Reivindicando melhorias nas condições dos presídios, as manifestantes chegaram a incendiar pneus para bloquear trecho da BR-116, em Itaitinga, na Grande Fortaleza. Também ontem, agentes penitenciários cobraram melhores condições de trabalho.
As manifestações ocorrem três dias após uma crianças de 11 anos ser estuprada no Centro de Execução Penal e Integração Social Vasco Damasceno Weyne (Cepis), em Itaitinga. Também ontem, a família veio a público se pronunciar sobre o crime. A mãe da menina conta que a filha está em choque. Em entrevista a O POVO, ela relata como o caso ocorreu para rebater boatos que passaram a circular nas redes sociais. Ainda critica abordagem que considerou abusiva de agentes que ela diz ser da Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD).

Conforme a mulher, que terá a identidade preservada, a menina está traumatizada. "Ela foi para o colégio e a diretora disse que ela estava pelos cantos, chorando". Segundo conta, o estupro ocorreu no momento em que o pai levou a garota e suas duas irmãs para gravar o nome de uma professora em uma casinha-cofre, o que seria um presente. O homem que viria a cometer o crime era quem faria as inscrições. O estupro ocorreu não na cela, mas no pátio, em um local que a mãe da vítima chama de casinhas de pano, usada por presos que não recebem visita para se proteger do sol.

A menina diz que o estuprador mandou-a sentar em um colchão. "Foi em um instante em que o pai dela saiu. Ele [o estuprador] colocou a bolsa dele, aquelas bolsas que a gente leva de malote, numa perna. Na outra perna, ele 'acochou' a perninha dela para que ela não saísse. Disse que era para ela não se alarmar e não falar para ninguém", conta a mãe dela. Somente um homem, que seria obreiro de uma igreja, estava perto de onde ocorreu o crime, conta a mãe, mas ele teve a visão do crime encoberta pela bolsa.

A menina conseguiu escapar e correu para a cela, onde contou para a mãe o que aconteceu. Ela examinou a criança no banheiro e constatou a violência sexual. "A calcinha dela estava suja de sangue". A menina foi levada para a Coordenador de Medicina Legal (Comel), onde um médico atestou a agressão, conta a mãe. O caso foi levado para a Delegacia Metropolitana de Itaitinga. O acusado foi transferido para uma outra penitenciária após receber ameaças dos presos do Cepis. Ele foi identificado como Márcio da Silva da Costa.

Conforme a mulher, a criança ainda não recebeu acompanhamento psicológico. Os únicos entes estatais que a procuraram foram os supostos agentes da CGD. "Eu acho que deviam ter vindo uma assistente social ou, pelo menos, uma agente penitenciária para fazer perguntas para a minha filha. Eles estavam fazendo perguntas sobre as partes da minha filha. Não era para eles fazerem. Eles são homens!".


O Povo
Caderno: CEARA
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