Atual secretário da Justiça e da Cidadania (Sejuc) do Rio Grande do
Norte, Luís Mauro de Albuquerque, 49, será o titular da futura
Secretaria de Administração Penitenciária do Ceará. O anúncio foi feito
pelo governador Camilo Santana (PT), ontem, 22. A criação da pasta em
questão já foi aprovada pela Assembleia Legislativa e aguarda apenas a
sanção de Camilo.
Agente de custódia da Polícia Civil do Distrito Federal, Mauro tem
perfil técnico e conhece a realidade do sistema prisional cearense de
perto. Ele atuou no Estado durante a crise de 2016, agravada em maio
daquele ano, após a greve dos agentes penitenciários.
À época, o agente coordenava a Força de Intervenção Penitenciária
Integrada (Fipi) do Ministério da Justiça, enviada ao Ceará para
auxiliar na retomada dos presídios cearenses que haviam “quebrado” no
intervalo da greve, que durou 17 horas, deixando 14 presos mortos.
Várias unidades foram depredadas, causando uma instabilidade no sistema
que durou quatro meses.
Foi dessa mesma forma que Mauro alcançou o alto escalão do governo
potiguar. Ainda comandando a Fipi, já em janeiro de 2017, ele foi
enviado ao Rio Grande do Norte, também durante uma crise, quando 26
detentos foram assassinados na rebelião ocorrida no presídio de Alcaçuz,
na cidade de Nísia Floresta. Quatro meses depois, Mauro foi nomeado
secretário.
Em entrevista à coluna Segurança Pública, publicada em junho deste ano,
Mauro defendeu a instalação de bloqueadores no Ceará como forma de
enfrentar as facções criminosas. No Rio Grande do Norte, os equipamentos
são utilizados em duas unidades prisionais.
“Os bloqueadores descapitalizam as facções no sistema, que funciona como
um cofre para os líderes (de facções), que têm um exército de escravos
explorados. Ele funciona como uma pirâmide: quem está em cima se dá bem,
quem está embaixo é explorado”, disse, na ocasião, ao citar golpes
aplicados por ligações telefônicas.
Entretanto, o secretário alertou que o sistema de bloqueio possui
falhas. É que os equipamentos não interferem nas redes de dados. Somente
as chamadas convencionais são inviabilizadas, o que permite que os
presos que tiverem acessos a smartphones continuem se comunicando
livremente com pessoas fora das muralhas, através de aplicativos de
comunicação.
Mauro também se posicionou contra a divisão de presídios por facções, da
forma como ocorre no Ceará. “Aqui, tenho duas facções dentro da mesma
unidade. Muitas vezes sou criticado por isso. Acham arriscado, mas temos
controle total, durante 24 horas, e separamos por alas. Não dou espaço
para o preso. O espaço que ele ocupa é do Estado e ele vai para onde o
Estado determinar”, defendeu.
(O POVO)



