O número de mortos encontrados em Brumadinho (MG)
chegou a 58, informou na noite deste domingo (27) o Governo de Minas.
Subiu para 305 o número de desaparecidos, de acordo com a Vale,
responsável pela barragem que se rompeu e deixou um rastro de
destruição. Nenhum sobrevivente foi encontrado durante o dia - 192
pessoas foram resgatadas desde sexta (25). Segundo o comandante da
operação do Corpo de Bombeiros, tenente-coronel Eduardo Angelo, a chance
de localizar pessoas com vida, a partir de agora, é "bem pequena".
De manhã, os bombeiros iniciaram a evacuação de comunidades de
Brumadinho após a constatação de que uma quarta barragem da Vale
apresentava risco iminente de rompimento. Um alarme de aviso sobre
rompimento de barragem soou às 5h30. A possibilidade do novo rompimento
foi descartada depois.
A barragem 1, que se rompeu, é uma estrutura de porte médio para a
contenção de rejeitos e estava desativada. Seu risco era avaliado como
baixo, mas o dano potencial em caso de acidente era alto.
Uma outra barragem, a de número 6, está sendo monitorada a cada uma
hora pela Vale, junto com a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros. Bombas
estão sendo usadas para fazer a drenagem e reduzir a quantidade de água,
na tentativa de evitar novos problemas.
No domingo, Brumadinho teve os primeiros enterros de vítimas do
rompimento da barragem de rejeitos da Vale. Fabrício Henriques da Silva,
que trabalhava para uma empreiteira prestadora de serviços da Vale, foi
enterrado no Cemitério Municipal Velho, atrás da Igreja Matriz de
Brumadinho, na parte alta da cidade, às 12h30. Djene Paula Las Casas,
operador de máquinas e funcionário da Vale, foi enterrado às 17h no
mesmo cemitério.
Ajuda
À noite, de acordo com o Governo de Minas, cerca de 150 agentes e 16
toneladas de equipamentos israelenses chegaram à região para trabalhar
nos resgates. O porta-voz da Presidência, general Otávio Rêgo Barros,
classificou como "valorosa" a ajuda. "Neste dia, o Brasil recebeu a
valorosa ajuda do Governo de Israel para os trabalhos de resgate de
pessoas e estabilização da área", disse o porta-voz.
A Vale, que também era uma das responsáveis pela barragem de Fundão,
no município de Mariana, que rompeu em 2015 e matou 19 pessoas no pior
desastre ambiental da história do Brasil, está sofrendo as consequências
legais do acidente. A Justiça já bloqueou R$ 11 bilhões da empresa para
compensar os prejuízos e danos ambientais provocados pelo rompimento da
barragem em Brumadinho.
"A Vale foi inconsequente e incompetente. Nós esperávamos que a Vale
fosse ter uma lição pelo que aconteceu com Mariana. Aconteceu lá há três
anos e aconteceu agora na nossa cidade", criticou o prefeito de
Brumadinho, Avimar de Melo. Segundo a Vale, a represa não era usada há
três anos e era verificada regularmente.
(Diário do Nordeste)



