A Justiça do Trabalho condenou a Arquidiocese da Paraíba a
pagar indenização de R$ 12 milhões por casos de exploração sexual
cometidos por padres contra menores de idade. O arcebispo emérito do
estado também é suspeito de envolvimento com o crime. As informações
foram divulgadas pelo programa Fantástico ( TV Globo
) na noite desse domingo (20).
De acordo com a investigação, quatro padres da Basílica Nossa Senhora
das Neves, em João Pessoa, teriam abusado sexualmente de crianças e
adolescentes. Os jovens explorados eram pagos pela igreja
com dinheiro e até com comida.
“Foi apurado que havia um grupo de sacerdotes, de forma habitual,
que pagava por sexo a flanelinhas, coroinhas e também a seminaristas”,
afirmou, ao Fantástico, o procurador Eduardo Varandas, explicando que o
que define exploração sexual é a ausência de vontade livre para praticar
o ato.
A denúncia teve origem a partir de uma carta escrita em 2014. A
autora, que não quis se identificar, ouviu comentários de que algo
estava errado na igreja e fez uma denúncia por carta, entregue a um
padre de confiança que prometeu que o documento ficaria apenas dentro da
arquidiocese. No entanto, o texto vazou e o Ministério Público do
Trabalho resolveu investigar.
Uma das vítimas, um ex-seminarista, afirmou à TV Globo
que era explorado pelos sacerdotes quando tinha 17 anos. “(Havia) abuso
sexual por parte dos padres e de seminaristas. Através de palavras, de
atos, pegavam nas minhas partes sexuais”, afirmou.
Ele ainda afirmou que havia relações sexuais e que se envolveu com
três padres, que já foram afastados. Os nomes aparecem em vários
depoimentos: Jaelson Alves de Andrade, Ednaldo Araújo dos Santos e
Severino Melo.
Um outro jovem que guardava carros em frente à igreja disse que já
teve relações sexuais com um padre da arquidiocese. Ele contou tudo, mas
foi assassinado em dezembro de 2016. A polícia investigou a
possibilidade de “queima de arquivo” na época, mas a hipótese não foi
comprovada.
Segundo uma testemunha que era funcionário da catedral, o padre
Jaelson levava coroinhas e outros meninos, todos menores de idade, para
dormir com ele nos quartos que ficam atrás da igreja. “Os meninos iam
embora de manhã cedo. Ele pagava lanches para os meninos e também dava
roupas para eles como um agrado. Eu já cheguei a pegar padre Jaelson
tendo relação sexual com menor de idade dentro da igreja”, contou ao
Fantástico.
“Também trabalhei com o padre Ednaldo. Ele costumava sair com os
meninos que olhavam os carros na porta da Catedral. Costumava ir com
eles no Bar da Pólvora. Eram todos menores de idade e o padre dava
dinheiro pra eles”, completou a testemunha.
Segundo o Ministério Público, o então arcebispo, Aldo Pagotto, também estava envolvido diretamente no caso de exploração sexual
. Ele é suspeito de acobertar o crime dos padres e de também ter tido relações sexuais com outros jovens da cidade.
Em 2002, quando era bispo de Sobral, no Ceará, dom Aldo já havia sido
denunciado por tentar acobertar casos de abuso sexual de um padre
contra 21 meninas, mas o Tribunal de Justiça cearense arquivou o caso.
Em 2004, ele se tornou arcebispo da Paraíba e ficou no cargo até 2016,
quando renunciou em meio a mais denúncias de escândalos sexuais
envolvendo padres.
(Jornal da Paraíba/Fantástico TV Globo)



