“Você é a favor ou contra a posse de arma para o cidadão comum?” Entre a
população cearense, a resposta está longe de ser unânime: 47% são
contra a medida, enquanto 46% declaram-se a favor. O resultado consta na
pesquisa de opinião sobre propostas na Segurança Pública do Ceará,
realizada pelo Instituto Opnus e obtida com exclusividade pelo Sistema
Verdes Mares.
Quando questionados sobre o decreto assinado no último dia 15 de janeiro
pelo presidente Jair Bolsonaro, que flexibiliza o processo para posse
de arma de fogo para os cidadãos comuns, os jovens se posicionaram com
expressividade: 59% dos cearenses de 16 a 24 anos afirmaram ser contra a
medida. Dentre a população de 25 a 34 e 35 a 44 anos, porém, a
aceitação é maior, com aprovações de 52% e 53%, respectivamente.
Na avaliação do sociólogo e coordenador do Laboratório de Estudos da
Violência (LEV) da Universidade Federal do Ceará, César Barreira, a
posição contrária dos jovens cearenses à flexibilização da posse está
ligada ao “maior acesso a conhecimento e informação, mostra clareza em
relação ao assunto”.
“Defesa”
Por outro lado, a “sensação de insegurança é forte e a cultura de
resolução de conflitos interpessoais por meio da violência” são,
conforme César Barreira, as principais razões para uma maior aceitação
da medida por parte da população mais velha. “A arma vai funcionar como
um instrumento de eliminação do adversário, e a letalidade vai aumentar.
Mais arma, mais morte. É uma relação direta”, pondera.
O argumento geral de que possuir uma arma em casa facilita a legítima
defesa em caso de assaltos, por exemplo, é incoerente com a realidade,
de acordo com o pesquisador. “Estudos nossos provam que nessa disputa
entre cidadão de bem e bandido, é o cidadão que sai perdendo. Se alguém
invade a sua casa, ele está preparado, você é pego de surpresa. A
presença da arma não dá tranquilidade, pelo contrário. Ela vai circular
nas mãos de pessoas sem boa intenção”.
Para o promotor de Justiça e professor de Direito Administrativo,
Aureliano Rebouças, "ter arma de fogo na residência tem aspectos
positivos e negativos. Não temos como prever quais efeitos que essa
facilitação na aquisição das armas de fogo irá gerar. Temos que lembrar
da legítima defesa que cabe a todos nós cidadãos. Não sou a favor nem
sou contra. É preciso ver no plano prático como isso será refletido na
sociedade", ponderou.
Gênero
As opiniões não divergem só entre as população de faixas etárias
diferentes: homens e mulheres também têm posicionamentos distintos sobre
a posse de arma. Entre elas, 55% discordam do decreto federal; enquanto
58% deles são a favor da posse. “A arma de fogo é de uma categoria
muito mais masculina do que feminina, elas têm clareza de que não é um
instrumento de segurança. Além disso, já temos violência doméstica
elevada. Com a flexibilização da posse, a tendência é que esses casos,
além de acidentes domésticos e feminicídios, ampliem.”
A pesquisa de opinião sobre propostas na área de Segurança Pública no
Ceará e no Brasil foi realizada pelo Instituto Opnus, via contato
telefônico, com 854 cearenses maiores de 16 anos de idade. A maioria dos
entrevistados (53%) é do gênero masculino, e 47%, do feminino. O
intervalo de confiança do levantamento é de 95%, e a margem de erro é de
3,5% para mais ou para menos sobre os resultados encontrados.
Os dados da pesquisa foram coletados via contato telefônico, entre 16 e
20 deste mês, com 854 cearenses maiores de 16 anos de idade. O intervalo
de confiança do levantamento é de 95%, e a margem de erro é de 3,5%
para mais ou para menos sobre os resultados encontrados.
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