Você está em: CEARA // Notícia de Anselmo // 13 de janeiro de 2019

 

Boas chuvas com veranicos em meados de março e de abril, mas com um bom volume pluviométrico no fechamento deste primeiro semestre; foi como a maioria dos sertanejos elaboradores de previsões do clima e do tempo com base das suas observações diagnosticou o período meteorológico mais esperado pelos agricultores cearenses, a quadra chuvosa do começo do ano.

Dos 25 participantes do 23º Encontro dos Profetas da Chuva de Quixadá, realizado nesse sábado (12) na Faculdade Cisne, apenas três apontaram diagnósticos pessimistas para este ano. Um deles foi Paulo Costa, um dos mais respeitados por suas previsões apuradas. Ele chegou a registrar um desvio negativo de até 180 milímetros na média histórica pluviométrica no Estado.

Mesmo assim, o odontólogo de 72 anos ressaltou não ser motivo para quem se dedica ao cultivo no campo ou criar animais na caatinga, região muito árida do País, se assustar. A média deverá ser igual à do ano passado. Período bom mesmo somente a partir de 2020. Será uma década de chuvas abundantes, lhe asseguraram os astros aliados à sua numerologia, baseada em apontamentos científicos.

Todavia, o público estava mais interessado em saber das previsões da única profetisa a participar este ano do Encontro, a professora de 81 anos Maria de Lurdes Leite, tratada carinhosamente por "Lurdinha Leite", otimista quanto ao inverno, amparada na sua fé e na tábua de Santa Luzia, onde coloca porções de sal sobre os meses do ano e de acordo com a reação do mineral de uso doméstico. Quando fica úmido no dia dedicado à santa, 13 de dezembro, é bom sinal.

O agricultor Renato Lino, também de Quixadá, resolveu convencer o público sobre a sua previsão expondo um ninho de joão-de-barro. A fé religiosa continua a mesma, mas os sinais da natureza dão mais segurança. Além dos pássaros, os insetos, a vegetação, não se enganam. Por conta de saber analisá-los não passa por mentiroso. Quanto maior o sinal, maior é a probabilidade de acerto. O deste ano é dos bons, apontando para fartura no campo.

O poeta Erasmo Barreira foi mais além, e pela colmeia de inchuí exposta aos convidados e à plateia, se os pequenos insetos melíferos tiveram tamanha disposição é porque a carga d'água será ainda maior. A peça, extraída das matas da sua propriedade é prova para derrubar o pessimismo de qualquer um. Sempre inspirado, ele encerrou sua apresentação fazendo uma homenagem à esposa, Rita Barreira, falecida há três meses.

Quem também recebeu homenagem de João Soares e Helder Cortez, idealizadores e organizadores do maior Encontro de Profetas da Chuva do Ceará, criado em 1997, foi o radialista e profeta popular Ribamar Lima. Ele morreu no dia 7 de outubro passado. Sempre atencioso com a imprensa, fazia questão de ressaltar que, além do aspecto cientifico-empírico, o evento assegura a preservação desse costume herdado de pai para filho, mas com um número cada vez menor de herdeiros interessados.

Reconhecendo a importância e a necessidade de se preservar essa tradição, o deputado estadual Guilherme Sampaio Landim pretende apresentar projeto de Lei na Assembleia Legislativa pela criação do Dia Estadual do Profeta da Chuva, segundo sábado de janeiro. Pela iniciativa ele recebeu uma homenagem especial de João Soares e Helder Cortez. O presidente da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), Neurisangelo Cavalcante de Freitas e a presidente do Instituto Agropolos do Ceará, Ana Teresa Barbosa de Carvalho também.

Helder Cortez ressaltou o encontro tradicional em Quixadá, modelo para outras regiões, como além de despertar o interesse popular pela previsão meteorológica do inverno sertanejo, um momento de confraternização e de consolidação desse costume, motivo de sempre atrair um grande público. Este ano foi mais de 400 visitantes. Todos foram recebidos com café da manhã e almoço no campus da Cisne.
Sobre as previsões, avaliou as revelações dos profetas como de um "inverno na média", similar ao ano anterior.
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Governo

O papel do Governo do Estado, diante da expectativa do agricultor quando o período regular do plantio se aproxima, é prestar assistência a ele, segundo secretário do Desenvolvimento Agrário do Estado, De Assis Diniz, que acompanhou o encontro. Além do suporte técnico, a distribuição de sementes, na hora certa, busca evitar frustrações e perda da lavoura na cultura de sequeiro.

Diário do Nordeste
Caderno: CEARA
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