A transferência de presos das cadeias públicas tem obedecido uma divisão por facções já existente no sistema prisional.
Pelo menos 84 cadeias públicas foram desativadas somente este mês no Ceará. A informação foi confirmada pelo Governo do Estado.
Durante esse processo, mais de 2.800 presos foram transferidos para presídios maiores, segundo o Conselho Penitenciário.
A transferência também reforça a superlotação dos presídios.
Em dezembro, as grandes unidades que tinham capacidade para 9.736
presos abrigavam 16.147 presos, um excedente de 66%. Para o presidente
da Associação Nacional de Advocacia Criminal do Ceará, Alexandre Sales,
juntar os presos por facções fortalece as organizações criminosas.
A divisão de presos por facções criminosas
nunca foi confirmada pelo Governo do Estado, mas é reconhecida no
sistema prisional, onde cada presídio abriga detentos de uma organização
criminosa específica. Essa divisão permite que integrantes de facções
rivais fiquem separados, evitando confrontos e mortes.
A divisão nos presídios acontece da seguinte forma: as CPPL I e IV abrigam presos do Comando Vermelho. Já as CPPL II, IPPO II e unidade Professor José Sobreira de Amorim estão detentos os integrantes da Guardiões do Estado (GDE). Na CPPL III, ficam os presos do Primeiro Comando da Capital (PCC). No Centro de Detenção Provisória, os presos são divididos por setores.
No início do mês, a declaração do secretário da Administração
Penitenciária, Mauro Albuquerque, em não reconhecer facções criminosas
no sistema prisional teria motivado a série de ataques que já dura mais
de 20 dias em todo o estado.
(Tribuna do Ceará)



