Uma barragem da mineradora Vale se rompeu e ao
menos uma transbordou na última sexta-feira (25) em Brumadinho, cidade
da Grande Belo Horizonte, liberando cerca de 13 milhões de metros
cúbicos de rejeitos de minério de ferro no rio Paraopeba, que passa pela
região. A lama se estende por uma área de 3,6 km² e por 10 km. Até a
tarde desta quarta-feira (30), 84 corpos haviam sido encontrados.
Desses, 51 já foram identificados, segundo o Corpo de Bombeiros de
Minas.
Até o momento, foram localizadas 391 pessoas. Há ainda 276 desaparecidos, segundo a Defesa Civil de Minas Gerais.
Na manhã desta terça, uma operação do Ministério Público de Minas
Gerais, do Ministério Público Federal e da Polícia Federal prendeu cinco
engenheiros -três da Vale, em Minas Gerais e dois prestadores de
serviço, em São Paulo- relacionados à segurança da barragem. Os
profissionais da Vale eram os responsáveis diretos pela estrutura que se
rompeu, e os dois demais, os que atestaram a segurança da barragem em
laudo recente.
Na segunda-feira, as forças de segurança que trabalham nas operações
de busca se reuniram com a equipe israelense que chegou na noite de
domingo para auxiliar no resgate, e com o governador de Minas Gerais,
Romeu Zema (Novo). Espera-se que os 136 militares agilizem o processo de
retirada de vítimas somados aos 280 bombeiros.
Entre os equipamentos trazidos de Israel estão sonares que podem
detectar sinais de celular a até três metros de profundidade e
distinguir a lama de outras substâncias, como corpos.
No domingo, os bombeiros iniciaram a evacuação de comunidades de
Brumadinho após a constatação de que uma segunda barragem da Vale, de
água, apresentava risco iminente de rompimento. Um alarme de aviso sobre
rompimento de barragem soou às 5h30. A possibilidade de um novo
rompimento foi descartada depois.
A barragem 1, que se rompeu, é uma estrutura de porte médio para a
contenção de rejeitos e estava desativada. Seu risco era avaliado como
baixo, mas o dano potencial em caso de acidente era alto.
Pelos números 0800 285 7000 (Alô Ferrovia - prioritário) e 0800 821
5000 (Ouvidoria da Vale), a mineradora está recebendo informações sobre
sobreviventes encontrados e desaparecidos, além de solicitações de apoio
emergencial (abrigo, água, cesta básica, roupa, medicamento, transporte
etc.).
Os contatos também servem para o cadastro de interessados em prestar
apoio aos atingidos pelo rompimento da barragem. Para doações, o
endereço indicado é o do Centro Comunitário Córrego do Feijão (Estr.
para Casa Branca, Brumadinho - MG, 35460-000)
Alimentos não perecíveis, água e materiais de limpeza podem ser
doados nos seguintes locais: 18º Batalhão da PM de Contagem, 2º Batalhão
de Bombeiros de Contagem, 66º Batalhão da PM de Betim e 5º Batalhão da
PM da Gameleira, em Belo Horizonte. Já doações de materiais de socorro
não são mais necessárias, segundo os bombeiros.
O Disque 100, do governo federal, também abriu um canal especial para
que os atingidos pela tragédia possam solicitar ajuda na busca de
desaparecidos ou denunciar violação de direitos. As demandas são
encaminhadas aos órgãos competentes, principalmente nas situações de
socorro.
(Diário do Nordeste)



