A sangria do açude do Rio Cocó foi intensificada com chuva de 120,3
milímetros que banhou Fortaleza entre o sábado (24) e o domingo (25), o
que contribuiu para a inundação de residências em áreas que margeiam o
Cocó. Moradores relatam que a barragem do Cocó não conseguiu conter
águas. Mas o diretor de operações da Companhia de Gestão dos Recursos
Hídricos (Cogerh), Bruno Rebouças, responsável pela operação do
equipamento, explica que, caso a barragem não existisse, possivelmente a
cheia teria sido maior e que, sozinha, a barragem não tem a capacidade
de evitar os alagamentos.
Na manhã desta segunda-feira (26), moradores dos bairros São Cristóvão e
do João Paulo II seguem alojados em áreas cedidas pela Prefeitura e a
Defesa Civil realiza os atendimentos para diagnosticar a situação.
A barragem, inaugurada em junho de 2017, está situada próximo a Avenida
Val Paraíso, no Conjunto Palmeiras. Ela foi estruturada justamente para
reter o excedente de água nos períodos chuvosos em Fortaleza. Com a
barragem, a vazão do Rio é controlada para minimizar os alagamentos. A
projeção é que a barragem, com capacidade máxima de acúmulo de 6,4
milhões de metros cúbicos de água, opere com três comportas abertas.
Segundo o representante da Cogerh, Bruno Rebouças, "a barragem de
contenção de cheias tem a função de amortecer justamente as cheias que
acontecem abaixo dela". "No entanto, ela não tem a capacidade sozinha de
evitar um alagamento, principalmente, como em casos que você tem vários
outros fatores provocando a cheia", explica.
No fim de semana, além do grande volume de água, as precipitações em
Fortaleza tiveram consequências intensas, segundo Bruno, pois estamos no
período de maré de sizígia, que é uma maré de amplitude maior que
favorece o bloqueio das águas que seguem para o mar. A conjunção desses
fatores (volume de chuva e características da marés), atreladas às
ocupações irregulares nas margens do Cocó, provocou o cenário de
inundações de moradias.
G1



