O tratamento de queimaduras com pele de tilápia é uma pesquisa pioneira
no Ceará. Em 2017, o estado recebeu, pela primeira vez na história, um
banco de pele animal. O presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL),
elogiou o tratamento em suas redes sociais na manhã desta terça-feira
(26).
Ele informou que relatos têm chegado ao secretário da Pesca, Jorge Seid,
e, se confirmado a eficiência científica, ele proporá os estudos.
“Levará à analise do Ministério da Saúde para adoção como terapia de
cura alternativa e possivelmente mais barata que as existentes”.
As pesquisas avançam cada vez mais no Ceará. O tecido animal tem se
mostrado também eficaz na reconstrução de parte do canal vaginal. Uma
paciente que sofreu complicações de uma radioterapia pélvica recebeu o
tratamento em fevereiro deste ano.
Em 2017, a pele de tilápia foi disponibilizada para vítimas da tragédia
na creche de Janaúba, em Minas Gerais. O Banco de Pele da UFC vai enviar
para Minas Gerais três médicos e uma enfermeira.
Outros estudos estão sendo realizados em âmbito veterinário, em úlcera
varicosa e na odontologia. De acordo com o presidente da ONG Instituto
de Apoio ao Queimado (IAQ), o cirurgião plástico Edmar Maciel,
pesquisadores também conseguiram extrair o colágeno da pele de tilápia
para usos cosmético e nutracêutico.
“Outros produtos estão sendo desenvolvidos em várias áreas da Medicina,
como cirurgia cardíaca, neurocirurgia, endoscopia, otorrino e urologia”.
A ideia de utilizar pele de tilápia como curativa surgiu em 2011, e em
2014 o cirurgião responsável, Marcelo José Borges Miranda, foi convidado
a desenvolver o estudo no Ceará, sob a coordenação do médico Edmar
Maciel, junto ao Núcleo de Pesquisas e Desenvolvimento de Medicamentos
(NPDM), da Universidade Federal do Ceará (UFC).
Os pesquisadores da área se animaram com o reconhecimento do tratamento
pelo presidente. Atualmente, empresas nacionais e internacionais já se
encontram em tratativas, buscando o registro do produto na Agência
Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Comunidade Europeia e outros
países, para posterior comercialização.








