A possibilidade de o Ceará ser atingido pela circulação do tipo 2 da
dengue, denominada como dengue grave pela Organização Mundial da Saúde
(OMS), preocupa especialistas que participaram do II Seminário sobre
Febre Chikungunya e outras Arboviroses do Nordeste, realizado ontem em
Fortaleza. Luciano Pamplona, professor de Medicina da Universidade
Federal Do Ceará (UFC), explica que devido ao sorotipo 2 não circular no
Estado há dez anos, existe maior probabilidade de pessoas que nasceram
nesse período serem contaminadas. “A reintrodução do (vírus tipo) dois
torna uma parte relevante da população suscetível à doença, o que pode
gerar uma epidemia”, alerta.
Devido ao acúmulo de água parada e elevado índice de umidade, a
quadra chuvosa é historicamente um período com maior incidência de
doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, como chikungunya, zika
e dengue. O combate a essas arboviroses, entretanto, tem como desafio
executar visitas domiciliares e conscientizar a população sobre os
cuidados. Isso acontece principalmente devido aos imóveis que passam boa
parte do dia vazios e à recusa do atendimento, segundo Nélio Morais,
coordenador de Vigilância em Saúde de Fortaleza.
Ele argumenta que o controle também passa por uma reforma no sistema
público de saúde, pois muitos problemas poderiam ser resolvidos com mais
agilidade em postos de saúde ou clínicas especializadas, mas acabam
indo para grandes hospitais, causando sobrecarga.
Ainda que não seja oferecida pela rede pública, existe uma vacina
contra a dengue disponível em clínicas particulares. Ela tem eficácia de
65,5% na prevenção da doença. A vacina funciona por meio de três doses,
tomadas em intervalos de seis meses.
(O POVO – Por Leonardo Maia)



