Ministério Público arquiva investigação sobre morte de Eduardo Campos

 
O Ministério Público Federal (MPF) arquivou, na última terça-feira (19), o inquérito policial que, há mais de quatro anos apurava o acidente de avião que ocasionou a morte do então candidato a presidente da República Eduardo Campos e outras seis pessoas. De acordo com a Procuradoria, não foi possível determinar a causa exata da queda ou definir os responsáveis.
Eduardo Campos cumpria agenda de sua campanha para a Presidência da República em agosto de 2014 e estava viajando do Rio de Janeiro para o Guarujá, no litoral paulista, quando a aeronave caiu em Santos, cidade vizinha, também no litoral de São Paulo. Campos e todas as outras pessoas que estavam no avião morreram na hora.
A aeronave, um modelo modelo 560XL da fabricante Cessna Aircraft, passou por perícias e diligências realizadas pela Polícia Federal, mas, segundo o MPF, a inoperância e ausência de equipamentos na cabine de comando impossibilitaram a resolução do caso.
O gravador de vozes, que registra as conversas internas da cabine e é obrigatório em aeronaves daquele tipo, não estava funcionando. A última gravação feita pelo aparelho aconteceu mais de um ano antes do acidente, em janeiro de 2013.
Outro dispositivo que poderia ajudar a entender o que aconteceu, o gravador de dados do voo sequer existia. No entanto, a instalação deste aparelho não é uma exigência da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) em aviões de pequeno porte.
“Infelizmente, em razão da inexistência de meios técnicos, é provável que nunca saibamos o que ocorreu com a aeronave em seus últimos instantes e que acabou por determinar sua queda”, afirmou em nota o procurador da República Thiago Lacerda Nobre, responsável pelo caso.
Até hoje, é possível apenas considerar quatro hipóteses entre as prováveis causas da queda do avião: colisão com um elemento externo, desorientação espacial, falha de profundor e falha de compensador de profundor. No entanto, a apuração concluiu também que as suspeitas não são excludentes entre si.
Como nenhuma das hipóteses indicadas não pôde ser comprovada ou ter sua probabilidade quantificada, principalmente em função da falta de equipamentos, a investigação do acidente que causou a morte de Eduardo Campos chegou a um impasse.
 O procurador explicou que, frente a essa situação, não se pode fazer a responsabilização penal. Para que isso ocorresse, seria preciso a exata definição dos responsáveis, não bastando indícios genéricos de autoria e materialidade.
Último Segundo

Postagens mais visitadas do mês