A investigação sobre o uso de candidatas laranjas nas últimas eleições ainda está no radar do Governo Bolsonaro. Ontem, o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, acusado de envolvimento em um caso registrado em Minas Gerais, negou deixar o cargo.
Já o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, disse, nesta
segunda-feira, que orientou a Polícia Federal (PF) a “não proteger
ninguém” na investigação sobre supostas irregularidades no PSL, partido
do presidente Jair Bolsonaro.
Moro afirmou que, antes de assumir o cargo, combinou com o presidente
que “ninguém seria poupado” se aparecessem denúncias. “Quando fui
convidado (por Bolsonaro para ser ministro), o que conversamos? Ninguém
seria poupado. Essa é minha posição e do senhor presidente, que ninguém
seria poupado se surgissem casos de crimes no âmbito do Governo. Isso
seria apurado, e nós não iríamos proteger ninguém. E essa é a orientação
que tem sido passada para a PF e demais órgãos de investigação”.
Questionado se há algum desconforto em fazer parte de um Governo cuja
sigla pode ter utilizado candidaturas para desviar recursos do fundo
eleitoral, Moro respondeu que todas as denúncias “têm que ser
devidamente apuradas”. “Órgãos de investigação têm independência. O
próprio presidente solicitou que esses episódios fossem devidamente
apurados. O trabalho que tem que ser feito em relação a esse fato está
sendo feito”, garantiu Moro.
Reportagem do jornal Folha de S.Paulo revelou, em 4 de fevereiro, que o
ministro do Turismo, deputado federal mais votado em Minas Gerais,
patrocinou um esquema de quatro candidaturas de laranjas, todas
abastecidas com verba pública do PSL.
O caso é investigado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público em
Minas. O ministro era presidente do PSL em Minas e tinha o poder de
decidir quais candidaturas seriam lançadas. As quatro candidatas
receberam R$ 279 mil da verba pública de campanha da legenda, ficando
entre as 20 candidatas que mais receberam dinheiro do partido no País
inteiro.
Desse montante, pelo menos R$ 85 mil foram destinados a quatro empresas
que são de assessores, parentes ou sócios de assessores do hoje ministro
de Bolsonaro.
Não há sinais de que as candidatas tenham feito campanha efetiva durante
a eleição. Ao fim, juntas, somaram apenas cerca de 2 mil votos, apesar
do montante recebido para a campanha.
Irregularidade negada
O ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, afirmou, ontem, em
entrevista a um canal de TV, que não houve ilegalidades na construção
das campanhas do PSL em Minas. “Todos os candidatos e candidatas foram
candidatos de forma espontânea, ninguém foi plantado para ser candidato
ou candidata”.
Para o ministro do Turismo, o resultado da investigação vai provar sua
inocência. “Estou absolutamente tranquilo em relação a isso. O tempo e o
processo vão mostrar que nós agimos estritamente dentro da lei”,
afirmou o ministro.
UOL


