A natureza tem respostas muito rápidas para as primeiras chuvas que
alcançam o Ceará, como se espera em todo início de ano. A mesma água que
colore de verde o chão do sertão, começa a se avolumar nos riachos e
nos açudes. Em uma terra em que se fala tanto de seca, ouvir o barulho
de uma cachoeira parece até exagero. Mas não é. Elas existem e também
começam a responder as primeiras águas que caíram no Estado desde
dezembro do ano passado.
Distribuídas por algumas regiões cearenses, essas quedas-d'água
funcionam como balneários e espaços de contemplação. Estão por aqui há
muito tempo e, ainda assim, provocam surpresa nos desavisados. Quem já
conhece sabe que as cachoeiras do Estado são excelentes alternativas de
lazer, em especial para quem busca tranquilidade e renovação de energias
a partir de um contato maior com a natureza.
Histórias e lazer
Nesta edição, o Verso traz um roteiro com cachoeiras situadas em três
regiões do Ceará, que já começam a atrair visitantes desde que o céu se
encheu de nuvens. No Maciço de Baturité, por exemplo, a menos de 100
quilômetros da Capital, os visitantes já se divertem com as
quedas-d'água.
O mesmo atrativo leva os frequentadores à Região Norte, em cidades
como Ubajara, Meruoca e Ipu, esta última abriga uma cachoeira famosa
pelo banho da Índia Iracema, criada pelo escritor José de Alencar. Outra
atração fica no Cariri, onde o passado e o lazer encontram intercessão
nos geossítios do Araripe. Conheça esses destinos e prepare-se para se
energizar.
Maciço de Baturité
O friozinho serrano não atrapalha o convite para um banho nas
cachoeiras do Maciço de Baturité. Na verdade, o tempo mais ameno e a
tranquilidade da natureza até funcionam como um incentivo para se
aventurar nas quedas-d'água que se espalham na região, desde o município
que dá nome ao Maciço até Mulungu.
Para quem sobe a serra, pela CE-356, uma das primeiras opções é o
Parque das Cachoeiras, na zona rural de Baturité. Já na estradinha de
terra que dá acesso ao lugar, com extensão de 700 metros, o barulho das
quedas-d'águas orienta os turistas.
De águas pacatas e fácil acesso, a Cachoeira de Santa Edwiges,
localizada numa propriedade privada, é uma boa alternativa de diversão
para toda a família. Durante a semana, o local é pacato, ideal para quem
deseja usufruir com tranquilidade.
O cenário muda a partir de sexta-feira, quando a cachoeira atrai
visitantes que, além do banho, procuram a boa estrutura do local - com
passeios pavimentados, mesas, cadeiras e o serviço de restaurante.
Mais acima, ainda na área do Parque, uma pequena trilha na mata dá
acesso a outra queda-d'água. O espaço, mais rústico, é uma alternativa
para quem prefere um contato maior com a natureza, inclusive em dias de
movimento intenso.
Trilhas
Saindo de lá, basta percorrer 900 metros pela rodovia para chegar à
pousada Recanto das Cachoeiras. Com estrutura simples, a área mantém o
ambiente quase ao natural. Para chegar até a Cachoeira da Talita, a
principal para banho, o visitante faz uma curta caminhada em trilha pela
mata - bem sinalizada, porém não pavimentada.
"O ambiente é bom porque a natureza passa uma paz muito grande. Não
tem barulho de carro, nem da cidade. A sensação é de que todos os
problemas vão embora com a correnteza", recomenda a nutricionista
Gabriela Gomes, 22.
Ainda no local, há um mirante para a Cachoeira do Perigo, com 84
metros de altura. Nela, o banho não é indicado, mas proporciona uma boa
visão da natureza. Além dessas opções, bastante conhecidas na área,
existem outras alternativas para os visitantes mais tranquilos e também
para os aventureiros - com caminhadas que ultrapassam uma hora pela
mata. A dica é buscar guias da região para consultar a melhor forma de
curtir as belezas naturais do Maciço de Baturité.
Região do Cariri
Quem visita o Cariri, além da rica cultura local, também tem a
possibilidade de conhecer as belezas naturais da região marcada pela
Chapada do Araripe. Um dos cartões-postais de lá é a Cascata do Lameiro,
localizada no Crato, a cerca de 3 km da sede do município. A
queda-d'água que escorre entre pedras e vegetação atrai visitantes o ano
inteiro, porém costuma ficar ainda mais frequentada quando as primeiras
chuvas banham o Ceará, sempre no começo do ano.
De acesso livre, sem cobrança de ingresso, os visitantes precisam
passar por uma escada improvisada e atravessar uma pequena trilha na
beira da estrada para chegar até a cascata. Após essa travessia, a
imagem da queda-d'água surge como um convite para o mergulho. E há mesmo
quem aproveite. Abaixo dela, forma-se uma área de banho com
aproximadamente 2,5 metros de profundidade. As árvores e pedras do lugar
servem de trampolim para alguns banhistas afoitos que encontram a água
após o salto.
Os dias mais tranquilos para visita são durante a semana, quando
algumas famílias preferem ocupar o espaço. Aos sábados e domingos, a
área fica mais movimentada. É importante permanecer sempre atento aos
buracos e às pedras soltas na estrada que dão acesso ao local de banho,
podendo assim possíveis acidentes.
Missão Velha
Ainda na região do Cariri, uma opção de visita é a Cachoeira de
Missão Velha - um dos nove geossítios do GeoPark Araripe. Com
quedas-d'águas que alcançam cerca de 12 metros, esse é um dos grandes
atrativos da região - mais pela beleza e a importância histórica, do que
pela possibilidade de banho, em razão da força da água.
O fluxo é tão intenso que, em 1967, chegaram a construir um balneário
particular por lá, mas foi destruído pela queda-d'água. Ainda assim, a
visita reserva momentos interessantes pelo valor histórico preservado na
área. Assim como os demais geossítios da região, a Cachoeira de Missão
Velha guarda um registro de pelo menos 420 milhões de anos.
Formada por arenito, a cachoeira foi construída a partir de
sedimentos depositados na região quando o espaço ainda era ocupado por
um mar raso, que antecede a formação da própria Bacia Sedimentar do
Araripe. Fósseis de antigos animais invertebrados aquáticos resistem
como vestígios desse tempo. Vem daí o interesse científico que atrai,
até hoje, pesquisadores de todo o mundo.
Há ainda vestígios de pequenas aldeias construídas pelos jesuítas,
que se organizaram em missões para doutrinar tribos indígenas. Ruínas
dessas antigas ocupações ainda podem ser alcançadas pelos visitantes.
Além do rico valor histórico, o espaço mantém um belo cenário natural
que vale a pena a visita.
Região Norte
A natureza também reservou boas opções para quem pretende relaxar nas
águas da Serra da Ibiapaba, na Região Norte do Estado. Com trilhas pela
mata que rendem belas fotografias, o Parque Nacional de Ubajara é um
dos principais destinos para quem deseja curtir as cachoeiras, o
miniarvorismo e os rústicos mirantes. É a partir deles que se avista as
cachoeiras do Cafundó e a do Gavião.
Para chegar até a primeira delas é necessário percorrer um pouco mais
de 3 km pela mata em um caminho, considerado pelos guias, como de
difícil acesso. O passeio, que custa R$ 12 por pessoa, é feito com um
guia, e dura uma média de três horas, com paradas para descanso e
contemplação da natureza. A recompensa é o banho nas águas da Cachoeira
do Cafundó, com 75 metros de queda.
O parque tem ainda outras quatro cachoeiras que atraem turistas para a
área, principalmente no período de chuva. De acordo com a Secretaria de
Turismo de Ubajara, 80 mil pessoas visitaram o parque no ano passado -
10 mil a mais do que no ano anterior.
Ipu
No sopé da Serra da Ibiapaba, está a Bica do Ipu, queda-d'água de 130
metros de altura que consta no clássico romance "Iracema" (1865), do
cearense José de Alencar. Própria para o banho, a "bica" atrai
visitantes do Ceará e de outros estados como Piauí e Maranhão.
"Vim conhecer a convite de amigos que fizeram esse passeio no ano
passado e resolveram voltar. Antes, a queda-d'água estava seca, mas
agora o 'véu de noiva' está bem visível", conta a aposentada Márcia
Gervásio, de Piripiri, no Piauí.
Meruoca
Outra serra que se destaca pelo turismo ecológico é a da Meruoca, espaço que garante muitas opções de queda-d'água, bicas e pequenas cascatas. Apesar da água fria, que escorre por entre as pedras e a vegetação, os turistas aproveitam o banho.
Meruoca
Outra serra que se destaca pelo turismo ecológico é a da Meruoca, espaço que garante muitas opções de queda-d'água, bicas e pequenas cascatas. Apesar da água fria, que escorre por entre as pedras e a vegetação, os turistas aproveitam o banho.
A Cachoeira Véu de Noiva (12 metros de queda), na localidade de Pintos, é
uma das mais procuradas. Ao chegar lá, o carro pode ser estacionado no
Restaurante do Paulo César, de onde o turista segue cerca de 100 metros
de descida por uma escada de pedras. Ao fim, o som da cachoeira já
convida para um banho revigorante.
Bica do Ipu (Ipu)
Distância de Fortaleza: 302 km
Período para visitar: Dezembro a junho
Grau de dificuldade: Médio
Como chegar: Todos os acesso são pela CE-187. A bica do Ipu fica a cerca de 2 km da sede.
Banho: Recomendado
Ingresso: Gratuito
Bica do Ipu (Ipu)
Distância de Fortaleza: 302 km
Período para visitar: Dezembro a junho
Grau de dificuldade: Médio
Como chegar: Todos os acesso são pela CE-187. A bica do Ipu fica a cerca de 2 km da sede.
Banho: Recomendado
Ingresso: Gratuito
(Diário do Nordeste)






