O carnaval de Fortim, no litoral leste do Ceará, foi cancelado na noite
desta segunda-feira (4), por decisão do prefeito do município, Naselmo
de Sousa Ferreira. Em nota publicada na página do município em uma rede
social, o prefeito afirma que a festa foi cancelada por causa da onda de
violência durante o festejo que resultou na depredação de um posto de
saúde. Uma pessoa morreu após a confusão.
"Não podemos continuar com a festa, embora preparada com todo o cuidado
e carinho [...], quando a integridade física dos foliões encontra-se
ameaçada. Resolvemos tomar essa atitude [...] para evitar mais violência
e maiores problemas", afirma o prefeito na nota.
De acordo com informações da Secretaria de Segurança Pública e Defesa
Social do Ceará (SSPDS),o tumulto se iniciou quando policiais militares
abordaram um grupo que, segundo denúncia, estaria traficando drogas no
local.
Durante a ocorrência, três pessoas - dois adultos e um adolescente -
foram detidas por desacato a autoridade. Uma delas - Victor da Silva
Barbosa, de 19 anos e sem antecedentes criminais - passou mal, de acordo
com nota emitida pela SSPDS, sendo encaminhada ao hospital da cidade,
onde veio a falecer.
A família do jovem, contudo, afirmou que Victor foi agredido pela
polícia. "Eles [policiais] pegaram e levaram o Victor, eu fui junto.
Quando cheguei lá, pedi para entrar e não deixaram. Só escutava as
porradas, deles chutando, chutando e chutando. Ele [Victor] nem gritava
mais, desmaiou. Eles continuaram, continuaram, mesmo com ele desmaiado",
relatou Nadja da Silva, prima de Victor.
A SSPDS não falou sobre a denúncia contra os policiais.
Na sequência, enquanto os outros dois foram encaminhados a uma unidade
de Polícia Civil, um grupo se dirigiu a um posto de saúde, situado no
Centro de Fortim, causando mais confusão. O local sofreu depredação e
teve móveis e objetos incendiados. O fogo foi controlado pela população e
ninguém ficou ferido.
As duas pessoas detidas pelos policiais militares foram encaminhadas à
Delegacia de Polícia Civil de Aracati - município vizinho a Fortim -
onde foram ouvidas e liberadas em seguida, após o registro de um Termo
Circunstanciado de Ocorrência (TCO). O caso segue em investigação,
segundo a Secretaria de Segurança.
(G1/CE)



