Há quase 20 dias internada no Hospital Regional Norte (HRN),
em Sobral, Vanessa Kauany, de apenas sete anos, tem o corpo pequeno
todo em observação. Por causa de uma pneumonia, a menina está sob
cuidados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI)
pediátrica. De segunda a sexta-feira, a criança tem atenção redobrada –
do cuidado da equipe que ali atua às considerações clínicas de um
profissional a distância.
Do Rio Grande do Sul, um profissional ajuda no tratamento da garota e
conversa com os médicos de Sobral por meio de equipamentos digitais. Um
carrinho com computador, sistema de áudio e câmera de alta definição
possibilitam a troca de informações entre o Sul e o Nordeste,
facilitando, assim, a avaliação da situação de Kauany.
Tendo como base os princípios da telemedicina, o método utilizado no Hospital é chamado de TeleUTI,
que consiste em apresentações de rounds diários (visitas médicas
através do equipamento digital) a fim de discutir os quadros clínicos
dos pacientes presentes nessa unidade.
A iniciativa é coordenada pelo Hospital Moinhos de Vento, em Porto
Alegre (RS), em parceria com o Ministério da Saúde, por meio do Programa
de Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS).
O HRN firmou a parceria em novembro do ano passado e é o único hospital
do Nordeste selecionado para realizar os procedimentos. Além dele, no
Brasil, apenas o Hospital Geral de Palmas, no Tocantins, participa do
projeto.
Corpo médico
“Por sermos um hospital do interior, muitas vezes a gente não
consegue ter especialistas atuando todos os dias. Esse contato com um
hospital de excelência nos ajuda a resolver essa questão”, considera a
coordenadora da UTI Pediátrica do HRN, Manuela Frota. Em Sobral, estão
lotados pediatras com experiência em UTI, intensivistas pediátricos e
pneumologistas, além de uma equipe multidisciplinar de enfermeiros,
fisioterapeutas, nutricionistas, farmacêuticos, assistentes sociais,
psicólogos e fonoaudiólogos.
Com a parceria, agora, o HRN conta com médicos especialistas em
cardiologia, infectologia, radiologia, neurologia, gastroenterologia,
pneumologia, nefrologia, cirurgia pediátrica, entre outros.
“Temos observado uma redução significativa, até no tempo de
permanência do paciente no setor, pois agora eles têm acesso a alguns
especialistas que antes não tínhamos. Essa ampliação de discussão dos
casos auxilia na tomada de condutas mais acertadas com melhores
resultados”, avalia Manuela Frota.
Troca de experiências
A cuidadora de Vanessa Kauany, pelo menos, parece estar aprovando a
ideia. Embora a criança ainda não tenha previsão de alta, Valdiana Sousa
considera o atendimento “muito válido”. “É como se o outro médico
estivesse realmente aqui. Isso só vem a somar”, ressalta a mulher,
enquanto a menina passa por outra avaliação.
Opinião compartilhada pela mãe de Francisco Theo, de apenas cinco
meses. Há 11 dias internado, o bebê passa por problemas respiratórios
também causados por pneumonia. Contudo, para a mãe do garoto, Safira
Batista, a recuperação é só uma questão de tempo.
“Agora o Theo está estável. Essa tecnologia aproxima os médicos na
busca mesmo pela cura do paciente. É uma troca de experiências que me
deixa bem confiante na alta médica”, acredita Safira.
(Diário do Nordeste)



