Documento elaborado por peritos da Justiça Federal afirma que Adélio Bispo de Oliveira — homem que esfaqueou o presidente Jair Bolsonaro (PSL), em Juiz de Fora (MG) — sofre de uma doença mental.
Caso essa conclusão seja confirmada, Adélio pode ser considerado inimputável perante a Justiça Criminal.
Segundo apurou a TV Globo, o laudo entregue à Justiça em fevereiro
aponta que o agressor sofre de uma doença chamada transtorno delirante
permanente paranoide, sendo considerado inimputável.
Os psicólogos e psiquiatras responsáveis pelas entrevistas informaram
que Bispo diz não ter cumprido sua missão, e que ainda considera matar o
presidente quando possível.
O procurador da República Marcelo Medina afirma que a perícia médica
encomendada pela Justiça Federal resultou em dois laudos divergentes e
que o documento apresentado pela defesa de Bispo, também.
Em nota enviada à reportagem, o Ministério Público Federal em Minas
Gerais afirma que “nada pode informar sobre o teor dos três laudos e
sobre o andamento do processo”, mas informa que foi solicitado
esclarecimentos complementares por “entender que há divergências
relevantes”.
Tanto a defesa de Bolsonaro como de Adélio terão prazo para solicitar esclarecimentos.
Entenda o caso
Em 6 de setembro do ano passado, durante ato de campanha em Juiz de
Fora (MG), Adélio Bispo esfaqueou o então candidato à presidência Jair
Bolsonaro.
Ele foi preso em flagrante e confessou o crime. Depois, foi
denunciado pelo Ministério Público Federal em Minas Gerais por atentado
pessoal por inconformismo político, enquadrado na Lei de Segurança
Nacional. A Justiça recebeu a ação.
A defesa de Adélio chegou a ser alvo de busca e apreensão e o
inquérito sobre um possível mandante do atentado contra Bolsonaro estava
em fase de análise dos materiais apreendidos com os advogados dele.
A investigação, no entanto, foi suspensa pelo Néviton Guedes,
do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), acolhendo pedido do
Conselho Federal da OAB.
Na semana passada, a
Polícia Federal (PF) apresentou ao presidente áudios que mostram o
possível interesse do Primeiro Comando da Capital (PCC) no ataque.
As conversas foram captadas pelo setor de inteligência e sustentam
uma das linhas de investigação de inquérito que apura se Adélio agiu a
mando de alguém.
Revista Exame



