Você está em: CEARA // Notícia de Fagner Freire // 13 de março de 2019


As chuvas que banham o Município de Quiterianópolis, na região dos Inhamuns, levam para o Rio Poti, um dos principais cursos de água do Estado, rejeitos de minério de ferro oriundos da mineradora Globest, que explorou uma área na Serra do Besouro, entre 2011 e 2012. O dano ambiental é visível e traz preocupação para os moradores, que denunciam aumento da incidência de doenças dermatológicas e respiratórias após a implantação do empreendimento.

A empresa também teria desviado parte do curso do rio, aterrando uma área para dar acesso ao canteiro de obras, segundo os moradores. Os rejeitos acumulados na mineradora e em seu entorno escorrem por valas escavadas pela empresa, na localidade de Bandarro, zona rural de Quiterianópolis. Quem passa ao lado da Rodovia CE-187, após o acesso à cidade de Quiterianópolis em direção a Novo Oriente, percebe parte da Serra do Besouro devastada e maquinários instalados. Ali, funcionou por seis anos, de forma intensiva e mecânica, a exploração de minério de ferro. Quando chove de forma mais intensa, a lama de coloração vermelha e preta atinge o leito do Rio Poti.

Dano à saúde

O morador José Neto Pereira de Almeida, 57 anos, relaciona o aparecimento de doenças pulmonares à emissão de poeira tóxica e à contaminação da água. Segundo ele, além dos danos à saúde, ele sofre com gastos elevados com consultas, exames e medicamentos. "Vendi bovinos, ovinos e caprinos para cuidar da minha saúde que não tem melhora", contou Almeida.

Ao caminhar no entorno da mineradora, ele mostra montanhas de rejeitos, desvio do rio e muitas pedras com minério de ferro espalhadas pela área. "Aqui houve muitas explosões, sem avisar a ninguém", lembrou. "O Governo precisa olhar para nós". Os moradores reclamam de rachaduras em casas decorrentes de explosões na mina. O produtor rural, Oscar Macedo, disse que perdeu plantio de coco, banana e laranja. "A poeira que vinha da mina acabou com meu sítio", disse. "Para nós, essa mina só trouxe problemas e gerou menos de dez empregos na comunidade porque mais de 150 operários eram de fora".

(Diário do Nordeste)

Caderno: CEARA
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