Cinco homens foram presos e um está foragido pela
acusação de estuprar há cerca de dez anos uma sobrinha. À Operação
Infância Perdida, como foi batizada, um dos presos confessou ainda ter
abusado de outras duas meninas da família, que têm 8 ou 9 anos, conta a
delegada Kamila Brito, da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) do Crato,
região do Cariri.
Um dos presos é tio-avô da vítima adolescente;
os demais, tios em primeiro grau, sendo todos irmãos. Foi o tio-avô,
que tem 84 anos, quem confessou ter abusado das duas outras meninas.
Vítimas e agressores moram num distrito da zona rural.
A operação policial para cumprir seis mandados de prisão expedidos pela Justiça referentes ao caso de estupros da
adolescente foi realizada na manhã de ontem. O sexto tio, porém,
conseguiu fugir e não havia sido localizado até o fim da tarde de ontem.
Ele não estava em casa, pois havia ido a um velório, e dali conseguiu
escapar, conta a delegada.
Conforme a vítima cuja denúncia que deu início à
operação, os estupros começaram quando ela tinha apenas 7 anos — hoje
ela tem 17 -, logo que o pai morreu. As outras vítimas, segundo a
delegada, relataram não lembrar de quando os estupros se iniciaram,
apenas confirmaram os abusos.
A denúncia inicial foi recebida pela DDM no fim do ano
passado. Foi pedida a prisão temporária dos homens, que dura 30 dias,
tempo em que a delegacia espera concluir o inquérito policial. Após o
término do período, a Justiça avalia a necessidade de conversão da
prisão temporária em prisão preventiva.
Os seis homens são enquadrados pelo crime de estupro de
vulnerável (artigo 217-A do Código Penal Brasileiro). A pena máxima é
de 15 anos de prisão.
Em depoimento, de acordo com a delegada Kamila Brito, o
idoso foi o único a confessar o crime. "Quando indagados, porque eu
perguntei 'por que então a vítima iria inventar toda essa história?',
eles não respondem nada. Não sabem o que dizer".
Ainda segundo a apuração da Polícia Civil, vítimas e
agressores não moravam na mesma casa, mas residiam próximos uns dos
outros. A proximidade, acredita a delegada, intimidava os demais
familiares a denunciar o crime. "Moravam em casas coladas, em frente, a
pouco metros", descreve. Os locais de abusos eram variados. Até na casa
da avó da vítima os crimes eram praticados, relata Kamila Brito.
A DDM solicitou encaminhamento da adolescente para o
Centro de Referência da Mulher do Município, a fim de que ela receba
atendimento especializado. O POVO não divulga o nome dos acusados e a
localidade para preservar a identificação da vítima.
Somente em janeiro deste ano, 126 crimes sexuais foram
registrados no Ceará, conforme dados divulgados pela Secretaria da
Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS).
Na estatísticas, estão inclusos crimes como atentado
violento ao pudor, estupro, estupro de vulnerável e exploração sexual de
menor. Em todo o ano de 2018, foram 1.844 crimes sexuais, uma média de
153 casos por mês. (Colaborou Marcela Tosi/Especial para O POVO)
Denuncie
A denúncia foi feita a partir do Disque 100,
do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. O Ministério
ainda utiliza como canal o telefone 180, voltado para denúncias de
violência contra a mulher. Em âmbito estadual, a SSPDS disponibiliza o
Disque-Denúncia 181. As ligações são gratuitas e o sigilo, garantido.
O Povo



