A Câmara Municipal de Sobral rejeitou na terça-feira (16) uma representação contra o vereador Romário Araújo de Sousa (Solidariedade), acusado de quebra de decoro parlamentar.
O requerimento, protocolado pelo advogado Lintor Torquato, pedia o
afastamento do vereador e a instauração de uma comissão para apurar as
denúncias de que o parlamentar teria oferecido emprego a um grupo de pessoas em troca de dinheiro. O recebimento da denúncia, entretanto, foi rejeitado por 10 votos contra, 8 a favor e duas abstenções.
Romário Araújo, conhecido como Conselheiro Romário, é alvo de um inquérito da Polícia Civil que apura os crimes de estelionato e apropriação indébita. O político é acusado de prometer emprego público em troca de participação em um curso.
As vítimas apontam terem realizado depósitos de até R$ 1.500 para garantir a participação no suposto curso e obter um cargo na administração municipal.
Segundo os relatos, o vereador aproveitava-se de sua popularidade para aliciar as vítimas, pessoalmente e através das redes sociais. Uma das vítimas, Daiane Paiva, realizou um depósito bancário de R$ 900 para a realização de um curso preparatório
para o exercício de uma função na área de fiscalização institucional.
No entanto, ela não conseguiu nem participar do curso nem o emprego. Ela
chegou a ser ressarcida, mas mesmo assim fez um boletim de ocorrência contra o vereador.
O Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) instaurou denúncia contra Romário Araújo. No documento, a promotora de Justiça Maria Ivone Araújo cita que 36 pessoas compareceram na delegacia para denunciar o caso.
Segundo o pedido, "apurou-se que o delatado, que é vereador no
Município de Sobral, utilizava-se de seu cargo e do fato de conhecer
muitas pessoas para abordar as vítimas, tanto pessoalmente quanto
através das redes sociais, para lhes oferecer uma vaga de emprego.
Conseguiu, assim, obter vantagem ilícita em prejuízo alheio, induzindo as vítimas em erro, mediante a falsa promessa de emprego".
O vereador José Vital (MDB) aponta que o caso já vem
"se arrastando" sem que a Câmara tome providências. Ele destaca que as
acusações deveriam, ao menos, ser investigadas pela Casa como forma de
prestar contas à população. "Para a vergonha do povo de Sobral, a
Câmara não aceitou nem a denúncia", reclamou o vereador de oposição.
Romário Araújo está afastado da Câmara desde o último dia 4 de abril em decorrência de um atestado médico. Segundo o parecer clínico, o vereador apresenta quadro depressivo e "encontra-se incapacitado para toda e qualquer atividade laboral, de forma total por um período mínimo de 90 dias".
(Diário do Nordeste)



