Após uma semana de ansiedade, tensão e preparação, chegou o capítulo
derradeiro para Ceará e Fortaleza no Campeonato Cearense. Hoje, às 16
horas, na Arena Castelão, uma linha ténue de 90 minutos separa
Alvinegros e Tricolores entre a glória e a decepção. Na base da cultura
de "resultado", que rege o futebol brasileiro, um dos dois times
prevalecerá como o que agiu certo em mais uma final que entrará para a
história do Clássico-Rei. A promessa é de um grande espetáculo.
Porque a realidade do país do futebol é clara: o importante é ser
campeão. De nada vale chegar invicto até a final, como fez o Vovô, se
for derrotado justamente na decisão. Tampouco ter vencido o primeiro
jogo da finalíssima com boa vantagem e atuação convincente, assim como
fez o Leão, se a situação não for mantida na segunda metade da disputa.
Triunfar hoje tem representação ainda mais simbólica pelo momento dos
dois clubes. Há dez anos Ceará e Fortaleza não disputavam um título
Estadual estando na mesma divisão do Campeonato Brasileiro. Hoje, com
ambos na Série A, quem ficar com o título entrará para a história como o
campeão do ano em que o Clássico-Rei completou seu centenário.
Para levantar a taça, Lisca e Rogério Ceni têm desafios semelhantes, mas
contextos diferentes. Do lado Alvinegro, o "Doido" busca seu primeiro
título pelo clube. Para isso, terá que vencer por, no mínimo, dois gols
de diferença. Caso não consiga tal feito, terá sua posição no comando
técnico do clube em xeque e corre riscos de não permanecer no cargo, já
que vem pressionado por recentes maus resultados, eliminações e severas
críticas dos torcedores.
Do lado Tricolor, Rogério Ceni também tenta vencer o primeiro Estadual
como técnico. O segundo troféu na nova carreira - ano passado foi
campeão da Série B do Campeonato Brasileiro. O momento de Ceni no
comando técnico do Leão é positivo por estar na semifinal da Copa do
Nordeste e, principalmente, após a vitória por 2 a 0 na partida de ida
da final. Hoje, mesmo perdendo por um gol de diferença, o Fortaleza será
campeão.
Um outro detalhe marcará a final de hoje como histórica. Pela primeira
vez, uma partida do futebol cearense contará com VAR (árbitro de vídeo),
que poderá ser utilizado em quatro momentos definidos pela FIFA: lance
de gol; marcação de pênalti; aplicação de cartão vermelho ou confusão de
identidade, quando o árbitro adverte o jogador errado.
Será mais um ingrediente no caldeirão de emoções que se tornará a Arena
Castelão, em um Clássico-Rei que tem muitas incertezas. A única
afirmação irrefutável é que, quando a bola rolar, o Estado inteiro
estará dividido. E ao apito final, apenas uma metade celebrará.
O POVO



