Mais de 66 mil turistas são aguardados neste feriadão
da Semana Santa no Ceará. O número sinaliza aquecimento na economia
local, que deve totalizar uma receita turística de R$ 143,7 milhões no
período. A estimativa é que a renda gerada em toda a cadeia seja de R$
211,3 milhões. O setor hoteleiro deve ser o mais impactado, com taxa de
66,8% de ocupação, segundo a Secretaria do Turismo (Setur). Os
supermercados entram no bojo e esperam registrar crescimento de 10% nas
vendas.
Além da Capital, os principais
destinos são Canoa Quebrada, Cumbuco, Jijoca de Jericoacoara e Porto das
Dunas. Para atender o fluxo, a companhia Azul Linhas Aéreas terá duas
operações extras fazendo a rota Guarulhos-Fortaleza. Ao todo, serão
quatro voos em aeronaves modelo Airbus A320neo, que tem capacidade para
até 174 passageiros. Essas frequências vão gerar 336 assentos
adicionais.
Para Eliseu Barros, presidente da
Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-CE), o incremento
traz fôlego ao segmento, mas ainda está aquém. "O ideal seriam os 80%
(de ocupação). Mas, em relação a 2018, cresceu 8%. Está um pouco
melhor", avalia.
Já para Rodolphe Trindade,
presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Ceará
(Abrasel-CE), "a Páscoa não acrescenta muito no setor". Ele destaca que
as empresas segmentadas de frutos do mar observam melhora no fluxo de
consumidores.
Na outra ponta, a procura por
chocolates, pão de coco, peixes e vinhos deve impactar as vendas e puxar
alta de 10% nos supermercados. "Nesse período, os lojistas se preparam e
têm um estoque mais abastecido para atender a demanda", projeta Engel
Rocha, diretor de patrimônio da Associação Cearense dos Supermercados
(Acesu).
Enquanto o mercado se prepara para a
escalada, os consumidores buscam economia. O comerciante Reginaldo
Braga, 50, começou as pesquisas de preços já na segunda-feira, no
Mercado dos Peixes, e notou uma elevação no valor do peixe pargo.
"Custava R$ 24 e aumentou para R$ 27", lembra.
Ocorre que nesse período o valor dos produtos mais pesquisados sobe. De
acordo com
levantamento do Departamento Municipal de Proteção e Defesa
dos Direitos do Consumidor (Procon Fortaleza), a oscilação no preço dos
peixes é de 50% a 133%. Ovos de chocolate de igual marca e peso variam
42,35% entre o estabelecimento mais caro e o mais barato. A pesquisa foi
realizada nos últimos dias 9, 10 e 15, em supermercados e os mercados
públicos de Messejana, Mercado dos Peixes, no Mucuripe, e São Sebastião,
no Centro.
As altas ocorrem devido à procura. As
mercadorias têm valores sazonais e subirão por conta da lei básica da
oferta e demanda. "É inevitável, mas algumas coisas conseguem
equilibrar, como o chocolate. A indústria se ajusta e aumenta a oferta.
No fim, o cliente acaba conseguindo as promoções, mas, em outros, não
tem como evitar", explica o economista e consultor da Reinfra
Consultoria, Mário Monteiro.
(O Povo)



