O tatu-bola, espécie encontrada na Caatinga, único bioma genuinamente
brasileiro, luta pela sobrevivência. A caça predatória e o desmatamento,
que impacta na perda do seu habitat natural, fizeram com que a
população da espécie, que inspirou a criação do "Fuleco", mascote da
Copa do Mundo de 2014, fosse reduzida pela metade nos últimos 27 anos,
conforme estimativa da Associação Caatinga. Por causa disso, o animal
passou do estado de conservação "vulnerável" para "em perigo", o que
indica extinção em curto prazo.
Com o objetivo de frear a redução sistemática, a Associação,
referência nacional na luta pela preservação do bioma, lançou um
financiamento coletivo para arrecadar R$ 100 mil necessários para
construir o Centro de Pesquisa e Conservação do Tatu-Bola (CPCTB).
A médica veterinária Flávia Regina Miranda ressalta que a criação do
Centro vai possibilitar uma rede de contato entre pesquisadores
nacionais e internacionais.
"O tatu-bola ainda é pouco pesquisado. Então, a criação do Centro de
Pesquisa vai maximizar os estudos em torno da espécie. Para preservá-lo,
precisamos primeiro conhecê-lo", acrescenta.
O espaço ajudará ainda nas atividades de pesquisa para a conservação
do bioma Caatinga. Ele será implantado na Reserva Natural Serra das
Almas (RNSA), localizada na cidade de Crateús, uma relevante área de
Caatinga. "O tatu-bola será uma espécie de guarda-chuva. Preservando-o,
outras espécies também serão beneficiadas, além do bioma. Nós vamos
poder estudar insetos, plantas, solos, enfim. A área de atuação do
Centro vai além do tatu-bola. O impacto positivo é muito maior", pontua.
Financiamento
O montante de R$ 100 mil ainda está distante de ser atingido. O
projeto angariou, até agora, pouco mais de R$ 10 mil. "Cem mil reais é
um valor muito pequeno se comparado a quantidade de benefícios que o
Centro vai possibilitar. Para fazer expedições na Caatinga, por exemplo,
o custo é bem maior e com a criação desse espaço, poderemos concentrar
pessoas e esforços num só lugar que vai trazer um imensurável benefício
ao bioma", conclui Regina.
(Diário do Nordeste)



