Os
vereadores de Uruburetama, no Ceará, votaram nesta segunda-feira (15)
pelo afastamento de 90 dias do médico e prefeito do município, José Hilton de Paiva, denunciado por várias de mulheres de abusar delas durante atendimento ginecológico em hospitais públicos da cidade.
A população se concentrou em frente à Câmara Municipal
para pedir o afastamento do prefeito. O local recebeu reforço policial.
Parte da população comemorou a decisão da Câmara e soltou fogos de
artifício.
Nove dos 11 vereadores da cidade estiveram presentes na sessão
extraordinária, ocorrida durante o recesso parlamentar. Todos os
vereadores presentes votaram pelo afastamento do prefeito.
Dois vereadores se declararam suspeitos por terem parentesco com o
Hilson de Paiva: Cristiane Cordeiro Costa, filha do prefeito, e
Alexandre Wagner Albuquerque Nery, filho do vice-prefeito; eles foram
representados pelos suplentes Robério Costa e Wilson Barroso.
Mais cedo, os vereadores votaram também por uma moção de repúdio
contra o gestor. "Peço aqui, em público, perdão ao povo de Uruburetama,
porque não foi só eu, foram 78% que escolheram esse senhor pra
administrar Uruburetama não tendo [ele] nenhuma responsabilidade de
administrar seu próprio matrimônio”, disse a presidente da Câmara, Maria
Stela Gomes Rocha.
Especialistas que assistiram aos vídeos afirmam que em nenhum momento
Hilson Paiva realizou um atendimento ginecológico. "Trata-se de um
monstro", e as imagens "demonstram claramente um estupro da paciente",
avaliam profissionais da Associação Médica Brasileira.
"Ele pegava nos seios e pediu pra fazer sexo oral com ele", lembra a
paciente. "Fazer uma aplicação oral porque é muita secreção mesmo.
Muita, muita, muita", argumentava o médico. "Perguntei a ele por quê.
Ele pegou e disse que não, que era o procedimento. Que era o que o
médico fazia. Que ele tinha que ver a minha sensibilidade. Eu disse pra
ele que não, que eu não queria", afirmou uma paciente, sem se
identificar.
(G1/CE)



